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O que se decide em Portalegre?

A temporada de todo terreno chega ao final com os títulos em aberto. E o que se decide em Portalegre? Fazemos as contas aos campeonatos e não faltam candidatos a vencer que a Taça do Mundo FIA de Bajas, quer ainda o Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48. E além dos que lutam para ser campeões, há um vasto conjunto de “outsiders” desejoso apenas de vencer a Baja Portalegre 500. Aliás, não exageramos se dissermos que nunca se reuniu nesta prova um plantel tão rico e tão equilibrado, entre estrangeiros e portugueses!

Basta concentrarmo-nos nos pilotos que chegam a Portalegre a discutir os títulos pelos quais têm lutado ao longo do ano, para que se anteveja uma corrida renhida! Antes de mais, os homens que concorrem ao Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48. Alexandre Ré está na frente, com 85 pontos, resultado de um vitória, dois segundo lugares e um terceiro. Seguem-se, ambos com 65 pontos, Tiago Reis e Pedro Dias da Silva; mas enquanto o primeiro conta apenas com três resultados, entre eles uma vitória, o segundo já atingiu quatro resultados e está fora desta corrida. E como a classificação final do campeonato somente reterá os quatro melhores resultados, Alexandre Ré precisará de um resultado que lhe renda mais do que 17 pontos, pois só assim poderá “deitar fora” o que ganhou com o terceiro lugar na Baja de Idanha-a-Nova.

Duelo Ré/Reis pelo título nacional absoluto de pilotos

Portalegre, com um prólogo de 4,5 quilómetros, e mais três sectores selectivos, de 69, 191 e 190 quilómetros, oferece quatro pontos adicionais: um ponto pela vitória em cada troço cronometrado. Assim, se Tiago Reis vencer a classificação nacional, marcará 25 pontos, que somados aos 65 actuais, dão um total de 90 pontos. Mas se Alexandre Ré foi segundo, deita fora 17 pontos e soma mais 20; o que significaria que terminaria o campeonato com 88 pontos; para não perder o título por dois pontos, precisaria ainda de vencer três dos quatro sectores selectivos; assim, ganharia por 1 pontos de vantagem. Porque se Alexandre Ré vencesse apenas dois sectores, somava mais dois pontos e empatava com os 90 pontos de Tiago Reis, mantendo o cenário em que o piloto do Mitsubishi vencer; mas como Tiago Reis teria duas vitórias, o desempate ser-lhe-ia favorável.

Simplificando, a Alexandre Ré basta-lhe ficar à frente de Tiago Reis para se sagrar campeão. Mas isso somente se justifica se ambos terminarem entre os dois primeiros lugares. Porque a Tiago Reis o terceiro lugar somente serviria para lhe garantir o campeonato se Ré desistisse e ele mesmo vencesse o prólogo e os três sectores. Neste caso, ultrapassaria o comandante do campeonato por um ponto.

Três candidatos ao título absoluto de navegadores

Quanto ao Pedro Dias da Silva, ao contrário do que tem sido indicado, inclusive no próprio sítio de internet da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, nem que ganhasse em Portalegre seria campeão. “Para não perder essa corrida, teria de ter ganho em Idanha-a-Nova”, reconhece o piloto de Tomar. Todavia, o navegador de Dias da Silva, José Janela, é o líder nesta categoria. Janela soma 71 pontos, mais dois que Valter Cardoso, navegador de Tiago Reis, e mais três que Pedro Ré, que acompanha o irmão, Alexandre.

Mas também aqui, há um factor que não joga a favor de José Janela: só sobe da pontuação actual se conseguir em Portalegre o terceiro lugar, ou melhor. Como Valter Cardoso e Pedro Ré ainda só somaram três resultados, qualquer ponto que marquem em Portalegre será válido.

E mesmo que Janela leve a Ford de Pedro Dias da Silva à vitória, somente melhoraria 11 pontos; e se algum dos adversários se colocasse entre os quatro primeiros, nem assim seria campeão. Valter Cardoso ganharia o título de navegadores se o Mitsubishi que partilha com Tiago Reis terminasse em quarto e Alexandre e Pedro Ré ficassem atrás. Tiago Reis não seria campeão dos pilotos, mas Valter Cardoso conquistava o título dos navegadores por um ponto! Mas se os irmãos Ré terminarem no terceiro lugar, deixando Tiago Reis e Valter Cardoso logo atrás, serão os dois campeões: Alexandre manteria os actuais 85 pontos, pois não aproveitaria os 17 do terceiro lugar, mas o seu irmão Pedro sim. Neste caso, Alexandre e Pedro Ré terminam o campeonato com os mesmos 85 pontos; enquanto Tiago Reis somará 89 pontos e Valter Cardoso soma 83 pontos.

Menos confusão na discussão da Taça do Mundo

Vladimir Vasilyev à partida de Portalegre
A BAJA PORTALEGRE 500 ARRANCOU NA NOITE DE QUINTA-FEIRA, COM O DESFILE DOS CONCORRENTES NO CENTRO DA CIDADE ALENTEJANA. A TOYOTA DO RUSSO VLADIMIR VASILYEV FOI UMA DAS PRIMEIRAS VIATURAS A SUBIR AO PALANQUE

As contas dos resultados dos navegadores e as hipóteses que desenhamos levam em consideração as classificações apresentadas oficialmente pela FPAK. E nestas Pedro Marcão, o navegador de Nuno Matos, não soma qualquer ponto; apesar de ter ganho a Baja T.T. do Pinhal ao lado do piloto da Fiat Fullback Proto. O mais certo é Pedro Marcão não ter sido inscrito no CPTT AM|48; daí não ter marcado pontos no único resultado que assegurou com Nuno Matos. Mas também não conseguimos apurar esta questão, nem junto da FPAK, nem junto do próprio Marcão…

Bastante menos confusa é a discussão pela Taça do Mundo de Bajas. O russo Vladimir Vasilyev, que trouxe a Portalegre a sua Toyota Hilux, lidera com 112 pontos, mas o argentino Orlando Terranova, que conduz um Mini da X-Raid, tem 111 pontos. E no terceiro lugar, o polaco Jakub Przygonski, que alinha também ao volante de um dos Mini John Cooper Works da X-Raid, conta com 109 pontos.

Neste quadro, as contas não podiam ser mais simples: aquele que ficar à frente baterá os seus adversários. Vasilyev poderá ter alguma vantagem, se pensarmos que já conhece bastante bem o traçado de Portalegre, onde correu diversas vezes. No entanto, os seus adversários da equipa que faz correr os Mini oficiais, são geralmente mais rápidos…

Miguel Barbosa estreia Toyota em Portalegre
MIGUEL BARBOSA REGRESSA ÀS COMPETIÇÕES DE TODO TERRENO ESTREANDO-SE EM PORTALEGRE AO VOLANTE DE UM TOYOTA HILUX DA ÚLTIMA GERAÇÃO, ASSISTIDA PELA OVERDRIVE. PEDRO VELOSA É O NOVO NAVEGADOR

Inúmeras estreias ao mais alto nível!

E se as contas dos campeonatos motivam diversos pilotos a esforçar-se ao máximo, na luta para saírem de Portalegre consagrados como campeões, não faltam “outsiders” determinados em brilhar. E entre eles, evidenciam-se alguns pilotos portugueses, que surgem na prova organizada pelo Automóvel Club de Portugal com novas máquinas, ao mais alto nível.

Comecemos por Miguel Barbosa. O recordista de títulos “Nacionais” de todo terreno trocou estas provas pelos ralis convencionais, mas não as esqueceu. E regressa precisamente em Portalegre, onde será acompanhado por Pedro Velosa, com uma Toyota Hilux preparada pela equipa oficial. Trata-se da pick-up que recentemente, no Rali de Marrocos, foi usada pela holandês Erik Van Loom. É uma Hilux com as especificações mais actuais e depois de a experimentar, num curto ensaio, Miguel Barbosa contou à revista Todo Terreno que “é uma máquina incrível!”

Segundo o piloto, “tomara a minha experiência nesta prova, de que tanto gosto, compense a falta de experiência a conduzir a Hilux. Porque é muito competitiva, mesmo perante a lista de inscritos tão recheada de valores que aqui descobrimos. Mas não arrisco um prognóstico e direi apenas que estou cheio de expectativa!…”

Hélder Oliveira em Portalegre
UM ANO DEPOIS DE TER LUTADO PELO TITULO DE CAMPEÃO, HÉLDER OLIVEIRA VOLTA A SENTAR-SE AO VOLANTE PARA CORRER EM PORTALEGRE. E FÁ-LO COM UM MINI CONFIADO PELA X-RAID À MRACING. E SONHA COM UMA VITÓRIA…

Os novos Mini da X-Raid/MRacing…

Vinte anos depois de ter-se estreado a correr em todo terreno, conduzindo em Portalegre um Nissan Terrano da MRacing, Hélder Oliveira regressa à maior competição do calendário português com a equipa de Manuel Russo. A última vez que tinha corrido, foi há um ano, também em Portalegre, onde travou um duelo com João Ramos, pelo título nacional. Não ganhou e retirou-se das provas. Mas regressa nesta 33ª edição da Baja Portalegre 500. E vem a sonhar com uma vitória que tantas vezes perseguiu…

“Sempre quis experimentar correr com um carro de topo e concentrei-me em encontrar condições para o fazer agora”, confessou o piloto de Barcelos. Depois de um primeiro contacto em Marrocos, Hélder Oliveira voltou a guiar o Mini na véspera do arranque da Baja Portalegre 500. E as suas impressões não podiam ser melhores: “É, de longe, o melhor carro que já pude conduzir e isso faz-me sentir ainda mais motivado. Não apostei no Mini para vir passear ao Alentejo”, avisa! E até a escolha do navegador, Paulo Fiúza, levou em conta “a experiência que tem a correr nos Mini oficiais, que pode ajudar-me muito, nomeadamente a perceber os limites do carro”.

Também com um Mini All4 Racing, mas absolutamente novo, Portalegre assinala ainda o regresso de Alejandro Martins. Sempre acompanhado por José Manuel Marques, Alejandro retoma a actividade, depois de um ano de paragem. Foi o tempo necessário para recuperar de uma lesão na coluna, ocorrida numa “aterragem” imprevista durante o Rali de Marrocos do ano passado. “Agora, sinto-me melhor que nunca e poder voltar a correr já em Portalegre animou-me imenso” – disse à revista Todo Terreno o piloto da AM|48, a companhia imobiliária que também patrocina o campeonato português.

São 454,5 quilómetros para correr até fim de sábado

Mapa da Baja Portalegre 500 2019
O PERCURSO DA 33ª BAJA PORTALEGRE 500 SOMA 454,5 QUILÓMETROS CRONOMETRADOS, ENTRE PRÓLOGO E TRÊS SECTORES SELECTIVOS. E O QUE SE DECIDE EM PORTALEGRE SÃO OS TÍTULOS NACIONAIS E MUNDIAL

Sem arriscar resultados, Alejandro Martins adianta-nos apenas que “o Mini é um autêntico ‘tanque’, capaz de passar por cima de qualquer obstáculo sem darmos conta. Em Portalegre, isso é um trunfo precioso”, sublinha. Mas, pela nossa parte, adiantamos que são 454,5 quilómetros cronometrados para correr até sábado. O relógio começa a contar pelas 10h30 desta manhã, quando arrancar o prólogo, nos arredores de Portalegre. Esta sexta à tarde, corre-se ainda o primeiro dos três sectores selectivos.

“É o mais curto de todos, com apenas 69 quilómetros”, revela Jaime Santos, um dos responsáveis pelos reconhecimentos do percurso, juntamente com Orlando Romana e uma equipa de alguns veteranos. “Todo decorrido entre as vilas de Gavião e Nisa, este troço é a maior novidade do percurso deste ano”, adiantou à Todo Terreno Jaime Santos. Tivemos oportunidade de descobrir antecipadamente este troço e concordamos com Jaime Santos, quando nos diz que “tem um traçado muito técnico”. Alterna algumas zonas bestialmente rápidas com algumas passagens lentas, estreitas e de mau piso, “quase trialeira”, sublinha o antigo “braço-direito” de José Megre.

Sábado, o dia será inteiramente ocupado com dois sectores selectivos: o segundo tem 191 quilómetros e o terceiro 190. A jornada começa em Ponte de Sor, desde logo com uma zona espectáculo, mesmo encostada à famosa Estrada Nacional 2. Quanto ao último sector cronometrado, arranca no Crato e também com um pequeno traçado desenhado para deliciar os espectadores.

Texto: Alexandre Correia

Fotos: AIFA/Jorge Cunha e ACP/D.R.