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O primeiro dos vencedores foi Terranova

A BAJA PORTALEGRE 500 COMEÇOU COM E TERMINOU COM OS PORTUGUESES EM DESTAQUE. NO DERRADEIRO SECTOR, O BORGWARD DOS IRMÃOS RICARDO E MANUEL PORÉM FOI O MAIS RÁPIDO E ISSO PERMITIU-LHES SEREM OS VENCEDORES DA CLASSIFICAÇÃO RESERVADA AO CPTT AM|48

Na Baja Portalegre 500, Orlando Terranova foi o primeiro dos vencedores, pois foram vários os que sairam da prova do Automóvel Club de Portugal como vencedores. Uns no sentido figurado, como Hélder Oliveira e Paulo Fiúza, que foram os melhores portugueses; outros no sentido literal, como, por exemplo, Ricardo e Manuel Porém: vencedores da corrida reservada ao Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48. E o argentino da Mini venceu ainda a Taça FIA de Bajas, enquanto Tiago Reis e Valter Cardoso conquistaram o título de Campeões Nacionais de Todo Terreno, em termos absolutos. Mas houve mais alguns vencedores…

Quando a prova estava prestes a começar, escrevermos que nunca como este ano se registou um plantel tão equilibrado, entre pilotos estrangeiros e portugueses. O desenrolar desta 33ª Baja Portalegre 500 confirmou que, de facto, vários portugueses estavam em condições de discutir a primazia. Sexta-feira, no primeiro dia de corrida, isso não podia ter ficado mais vincado: Miguel Barbosa e Pedro Velosa foram os homens da jornada, ao vencer o prólogo e, depois o primeiro sector selectivo, na estreia com a Toyota Hilux da equipa Overdrive. Já no terceiro sector selectivo, perderam-se logo ao início e atrasaram-se irremediavelmente. Depois, no final do troço, o atraso acentuou-se porque ajudaram o russo Vladimir Vasilyev, rebocando-o durante alguns quilómetros…

Orlando Terranova venceu em Portalegre
BASTOU AOS ARGENTINOS ORLANDO TERRANOVA E BERNARDO GRAUE VENCER O TERCEIRO SECTOR SELECTIVO, PARA QUE O MINI JOHN COOPER WORKS SAÍSSE VENCEDOR ABSOLUTO EM PORTALEGRE. E ISSO CONFERIU-LHES A TAÇA DO MUNDO FIA DE BAJAS 2019

Pilotos estrangeiros voltaram a não dominar…

Sábado, o primeiro dos dois sectores selectivos foi o único ganho por um estrangeiro. Mas os argentinos Orlando Terranova e Bernardo Graue não precisaram de mais para levar o Mini John Cooper Works a conquistar a vitória absoluta. E ao ganhar em Portalegre, os sul-americanos resolveram a seu favor o título mundial de bajas.

À partida da última prova da Taça do Mundo FIA de Bajas, Terranova contava com um ponto de desvantagem relativamente a Vladimir Vasilyev. O piloto russo não teve andamento para os seus adversários da Mini e cedo se percebeu que a luta seria apenas entre Terranova e Jakub Przygonski. Neste caso, o polaco precisava apenas de ultrapassar o seu companheiro de equipa, mas o certo é que somente no prólogo conseguiu ser mais rápido que Terranova. E no último sector selectivo. Przygonski acabou mesmo por ser batido pelo Borgward de Nani Roma, que lhe arrebatou o segundo posto final; o espanhol da marca germânica adiantou-se por um minutos e 49 segundos, mas se deixou excelentes indicações quanto ao desempenho do Borgward, essa impressão positiva foi reforçada pelo desempenho de Ricardo Porém…

De facto, no último sector selectivo, o triunfo foi assegurado de forma incontestada pelo Borgward BX7 DKR Evo dos irmãos Ricardo e Manuel Porém. Que assim conseguiram o quinto posto absoluto, ganhando a classificação reservada ao Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48. Os irmãos de Leiria foram secundados pelo Mitsubishi de Tiago Reis e Valter Cardoso, que terminaram a prova do Automóvel Club de Portugal em festa…

Hélder Oliveira na Baja de Portalegre
HÉLDER OLIVEIRA QUEBROU UM INTERREGNO DE PRECISAMENTE UM ANO, AO REGRESSAR A PORTALEGRE COM UM MINI ALL4RACING DA X-RAID. APOIADO NA ESTRUTURA DA MRACING, O PILOTO DE BARCELOS IMPRESSIONOU, MOSTRANDO QUE PODE IR MAIS LONGE COM UM CARRO AO MAIS ALTO NÍVEL

Hélder Oliveira impressionou com o Mini All4Racing

Quem esteve também em evidência foi Hélder Oliveira. Duas décadas depois de ter-se estreado na Baja Portalegre 500, quando conduziu um Nissan Terrano II da MRacing, o piloto de Barcelos escolheu a equipa de Manuel Russo para regressar. E ao fim de um ano de inactividade, Oliveira deixou bem claro que haverá sempre que contar com ele para a discussão dos primeiros lugares…

A escolha de Hélder Oliveira para retomar, ainda que de modo episódico, a participação nas provas de todo terreno recaiu sobre um dos carros mais competitivos da actualidade: um dos Mini All4Racing preparados pela X-Raid. Sem poder dispor de uma das versões mais recentes, o que não permitia sequer a comparação com os pilotos da equipa oficial, o português nem por isso se deixou intimidar; Oliveira foi sétimo no prólogo e no SS2 ficou já em sexto, ainda que atrás dos Mini de Terranova e Przygonski. No terceiro sector perdeu cerca de minuto e meio para Terranova, mas no derradeiro sector, o mais longo, voltou a repetir o segundo lugar. E bateu de modo determinado todos os homens da Mini…

Vendo as coisas por outra perspectiva, Hélder Oliveira teria terminado em terceiro absoluto, arredando do pódio Jakub Przygonski. Bastava não ter penalizado os quatro minutos de atraso, que registou à entrada do parque fechado, no final da primeira etapa. Porque uma pancada numa raiz de árvore quase arrancou uma roda ao Mini e, mesmo assim, Oliveira foi sexto no sector.

Quando um navegador também é mecânico…

Dias antes da prova, Hélder Oliveira, quando o encontrámos no “shake-down”, confidenciou-nos que não escolhera Paulo Fiúza para navegador por acaso. Além de lhe merecer confiança, enquanto navegador, “tem a enorme vantagem de conhecer perfeitamente o Mini, o que me pode ajudar a perceber quais os limites do carro”. E também entendemos que Oliveira se sentia mais apoiado na companhia de Fiúza, se algo de errado acontecesse com o carro. Porque além de navegador experiente, Paulo Fiúza é um mecânico igualmente cheio de conhecimentos, com vários anos de trabalho ao serviço do Team X-Raid…

Foi precisamente por ter ao seu lado Paulo Fiúza, que Hélder Oliveira conseguiu concluir o segundo sector selectivo. E depois, percorrer, mesmo que em marcha lenta, a ligação desde Nisa a Portalegre. O navegador-mecânico improvisou uma solução que foi determinante para que o carro não tivesse ficado pelo caminho. E se dúvidas houvesse quanto ao mérito de Paulo Fiúza, a sua contribuição, a todos os níveis, para o resultado final de Hélder Oliveira desfá-las…

Em cinco provas, o CPTT AM|48 teve cinco vencedores!

Tiago Reis e Valter Cardoso em Portalegre
O MITSUBISHI DE TIAGO REIS E VALTER CARDOSO NUMA PASSAGEM PELA ZONA ESPECTÁCULO DE PONTE DE SOR, NO TERCEIRO SECTOR SELECTIVO. O CAMINHO ATÉ PORTALEGRE AINDA ERA LONGO, MAS A FESTA DO TÍTULO JÁ SE PREPARAVA…

O Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48 teve o seu desfecho com um quinto vencedor, em cinco provas! Porque embora Ricardo Porém tenha sido o segundo melhor piloto nacional, Hélder Oliveira não estava inscrito no CPTT AM|48 e somente marcou pontos para a Taça do Mundo FIA de Bajas. E quer a Tiago Reis, quer ainda ao seu navegador, Valter Cardoso, o segundo lugar da classificação reservada ao CPTT AM|48 foi determinante: marcaram mais 20 pontos, que somados ao ponto ganho por terem sido os melhores do “nacional” no segundo sector selectivo, permitiu-lhes conquistar o título pela diferença mínima!

O duelo entre Tiago Reis e Alexandre Ré foi discutido com uma intensidade tal, que a decisão do título, afinal, resultou de uma vantagem de uns meros dois segundos: foi essa a diferença que registaram no SS2. E esse ponto fez toda a diferença, pois sem ele, Tiago Reis e Valter Cardoso teriam concluído o campeonato empatados com Alexandre e Pedro Ré. Cada um teve uma vitória, dois segundo e um terceiro lugares. E os critérios de desempate favoreceriam os dois irmãos; como ambos contavam com três pontos adicionais, de vitórias em sectores selectivos nas provas anteriores, o título seria entregue aplicando o terceiro critério de desempate previsto no regulamento: “Em caso de desempate será declarado melhor classificado (…) aquele que tiver obtido a melhor pontuação na primeira prova”.

Tiago Reis: vitória no campeonato à segunda época

Com 32 anos, ontem à chegada a Portalegre, Tiago Reis não se cansou de repetir que é o mais jovem Campeão Nacional de Todo Terreno. Na verdade, Miguel Barbosa e Ricardo Porém conseguiram esse feito sete anos mais cedo: quando tinha apenas 25 anos; o primeiro era já piloto oficial da Mitsubishi em Portugal; e o segundo ainda procurava o reconhecimento de uma grande equipa, como já conseguiu com o Team X-Raid e agora com o Team Borgward! O que Tiago Reis talvez quisesse ter dito é que é o campeão com menos tempo de actividade: esta foi a segunda temporada completa que completou.

Estreando-se em 2016, quando fez algumas provas com uma Nissan Navara, Tiago Reis chegou a ganhar em Portalegre a prova reservada ao Troféu Nacional de Todo Terreno, com um Toyota RAV4. Essas participações, no entanto, foram suficientes para conhecer algumas provas e entender a essência das competições. Assim que passou a conduzir o Mitsubishi Racing Lancer, o mesmo carro que tantas vezes permitiu a Miguel Barbosa ser campeão anos seguidos, a primeira vitória não tardou. Aconteceu o ano passado, em Reguengos de Monsaraz. E este ano ganhou em Idanha-a-Nova e esse sucesso foi, de resto, fundamental para reforçar as suas possibilidades quanto ao campeonato.

Neste confronto final, na Baja Portalegre 500, Tiago Reis e Valter Cardoso, que também venceu o título absoluto dos navegadores, conseguiram a mais importante vitória das suas carreiras. E ainda terão muitos anos de corridas pela frente…

João Ferreira e David Monteiro em Portalegre
NA PRIMEIRA ÉPOCA EM TODO TERRENO, JOÃO FERREIRA E DAVID MONTEIRO ESTIVERAM SEMPRE ENTRE OS PRIMEIROS DO GRUPO T2. A PRIMEIRA VITÓRIA ACONTECEU EM PORTALEGRE, NA CORRIDA MAIS DISPUTADA DO ANO, EM QUE SE DECIDIA O TÍTULO…

A estreia de João Ferreira e David Monteiro em T2

A discussão pela vitória no grupo T2 decorreu em paralelo à discussão pelo título nacional nesta categoria. Na corrida, a primazia começou por ser protagonizada por Sérgio Palminha e Rafael Lucas, mas a Isuzu D-Max destes terminou o primeiro dia em nono lugar; e depois de sofrerem uma hora de penalização, já não continuaram. No segundo sector selectivo, foi o Toyota Land Cruiser de João Ferreira e David Monteiro que ascendeu à liderança, seguido pelos dois candidatos ao campeonato: Georgino Pedroso/Carlos Silva e Nuno Corvo/José Camilo Martins, que terminaram a jornada inicial no segundo e terceiro lugares, separados entre si por cerca de minuto e meio.

Na segunda etapa, João Ferreira voltou a ser o mais rápido logo no terceiro sector selectivo, reforçando a primeira posição, para chegar à entrada do último troço com 10 minutos e 43,1 segundos de vantagem. Atrás do Toyota seguia ainda a Isuzu de Pedroso e o Nissan Pathfinder de Corvo, que tinham aumentado o intervalo entre ambos para dois minutos e dois segundos.

Para ser campeão, Nuno Corvo necessitava de ultrapassar a Isuzu de Georgino Pedroso e garantir pelo menos o segundo posto final do grupo T2, atrás de Ferreira. Porque o jovem piloto do Toyota Land Cruiser estava fora desta discussão: apenas podia ambicionar a ser terceiro no campeonato; com a vitória em Portalegre, a primeira da sua carreira, somou mais 27 pontos, contando os dois adicionais dos sectores em que foi mais rápido. João Ferreira terminou a época com 86 pontos e jamais poderia alcançar os 91 pontos de Nuno Corvo; este, por sua vez, só teria sido campeão se fosse segundo, à frente de Georgino Pedroso, pois assim somaria um total de 97 pontos…

Georgino Pedroso bateu Nuno Corvo no último “round”

Georgino Pedroso em Portalegre
SEGUNDO CLASSIFICADO DO GRUPO T2, GEORGINO PEDROSO CONDUZIU A ISUZU D-MAX COM IMENSO CUIDADO ATÉ FINAL; SEM TRACÇÃO DIANTEIRA, CONHECEU ALGUMAS LIMITAÇÕES, MAS O ESFORÇO FOI RECOMPENSADO COM O TÍTULO DE CAMPEÃO NACIONAL NESTA CATEGORIA. CARLOS SILVA, O SEU NAVEGADOR, FESTEJOU O TERCEIRO TÍTULO EM T2…

No derradeiro sector cronometrado, nem João Ferreira voltou a repetir a vitória, nem sequer Nuno Corvo conseguiu adiantar-se. Bem pelo contrário: foi ultrapassado pelo Nissan Pathfinder de Eduardo Mota e Nuno Sousa. E estes, ao vencerem o troço, ascenderam ao terceiro lugar final do grupo T2 por 33,8 segundos de vantagem sobre Corvo. E não obstante as dificuldades com a falta de tracção da Isuzu, Georgino Pedroso ainda bateu o seu adversário por dois minutos e 34 segundos. O navegador de Pedroso, o veterano Carlos Silva, já tem uma bela colecção de títulos de campeão, mas o piloto conseguiu sê-lo pela primeira vez.

Assinale-se que Nuno Corvo e José Camilo Martins lideraram o campeonato na primeira prova e recuperaram essa posição após a quarta corrida, em Idanha-a-Nova. Com duas vitórias e um segundo lugar, esta dupla tinha como pior resultado os 14 pontos de um quarto lugar, que repetiram em Portalegre. Daí a importância de obterem uma posição acima disso, para conseguirem aproveitar a pontuação. Por seu turno, Georgino Pedroso tinha apenas um ponto para “deitar fora”, como fez para aproveitar os 20 pontos do segundo lugar e somar um total de 96 pontos.

Grupo T8 era o único campeonato decidido…

Entre todos os títulos de pilotos, o grupo Grupo T8 era o único que já tinha ficado assegurado. Coube a João Rato, que nem por isso deixou de apresentar-se em Portalegre. Curiosamente, nesta categoria, cada sector teve o seu vencedor: Rui e Miguel Marques ganharam o prólogo com a Nissan Navara mais “fumarenta” do campeonato. No segundo sector, o Bowler de Rato e Vítor Oliveira além de ter ganho ascendeu à liderança.

O novo campeão de T8 desistiu no terceiro sector, em que a vitória foi obtida pela Nissan Navara de Francisco Barreto e Sérgio Cerveira, que tomaram o primeiro lugar. No sector final, a vitória foi assinada pelo Mitsubishi Pajero de Carlos Faustino e Rui Gomes. Mesmo tendo ganho cinco minutos e 25 segundos à Nissan Navara de Henrique e João Lourenço, Faustino e Gomes apenas melhoraram uma posição: terminaram em terceiro do grupo T8, atrás, precisamente, dos Lourenço e de Francisco Barreto.

Henrique Silva venceu “Nacional” e José Maia a “Taça”

A longa lista dos vencedores não se completaria sem uma referência à corrida reservada aos concorrentes que alinharam à margem das regras da FIA. Entre os pilotos do “Nacional”, nem houve dúvidas quanto ao domínio do Mini Paceman de Henrique Silva e Henrique Damásio: venceram todos os sectores e ganharam com 33 minutos e 47,6 segundos de avanço sobre Francisco Barreto e Sérgio Cerveira.

Finalmente, a corrida reservada à Taça de Portugal de Todo Terreno, também só conheceu um vencedor, nos três sectores selectivos que estes concorrentes cumpriram. Foram eles José Maia e Gustavo Gaudêncio, que levaram a Nissan Navara a conceder um avanço de mais de oito minutos à Nissan Pick-up D22 de Sérgio Cruz e Vasco Sousa!

Com mais esta vitória, José Maia confirmou o triunfo final na Taça de Portugal. Mas o título de navegadores foi conquistado por António Dias, que acompanha Tiago Santos no Land Rover Defender 90. Ao obter o terceiro lugar em Portalegre, António Dias somou mais 17 pontos, fundamentais para assegurar a Taça de Portugal; por cinco pontos de vantagem sobre Silva Santos…

E a organização: os maiores vencedores!

São centenas e centenas de elementos, a grande maioria quase anónimos perante o público. Mas sem todos esses imensos entusiastas que se disponibilizam para ajudar o Automóvel Club de Portugal nesta aventura, não havia prova. Reservámos a todos eles o nosso reconhecimento pela contribuição de todos estes voluntários que dão corpo à corrida de Portalegre. E fazem desta, uma prova verdadeiramente única e exemplar. Que a deixa cotada como uma das melhores do mundo. De longe!

Texto: Alexandre Correia

Fotos: AIFA/Albano Loureiro e Jorge Cunha