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Pelo prazer de ser diferente.

Muito mais do que um projeto comercial, mais do que uma publicação que defende um nicho de mercado, a revista Todo Terreno é, e sempre foi, um objeto de paixão. E quando as coisas são feitas com devoção e prazer, colocando em cada linha ou, até mesmo, em cada palavra um pouco daquilo que somos, tudo ganha uma dimensão com contornos, que só os próprios podem explicar.

Abracei este projeto desde o primeiro número da revista Todo Terreno, estava eu nos Açores. Na altura já conhecia o Alexandre Correia e, foi muito fácil dizer que sim ao convite que me fez. A partir daí foi ponto de honra falar de um arquipélago que me encantou, mas essencialmente, dar seguimento a uma amizade que sempre foi franca e assente em princípios raros. Para além de desvendar alguns bons caminhos da ilha de São Miguel, acabei por desvendar outros percursos, mais ou menos distantes, mas sempre aliciantes. Essencialmente, aprendi a interpretar as coisas de forma diferente. Com calma, que não me e nada habitual, e com uma visão diferente das coisas. No fundo, aprendi a ser diferente, tal como o Alexandre, e como as coisas que faz.

Mas como a vida nos guarda sempre umas surpresas especiais, uma década depois acabei por regressar a Lisboa e ingressar a tempo inteiro na revista Todo Terreno. Um desafio que foi sempre aliciante, entusiasmante e repleto de aventuras, durante meia dúzia de anos que foram inesquecíveis, e que serviram para solidificar uma amizade sincera. Aprendi com o Alexandre a olhar para as coisas por um prisma diferente, a perceber o que de facto é importante e, essencialmente, a ter muita calma, o que na verdade nunca aprendi.

Mas falemos da Todo Terreno, uma publicação realmente diferente de todas as outras, que viveu épocas de sucesso, que só terminaram quando determinaram carregar em termos fiscais os tão apetecidos veículos todos terreno que, rapidamente, se deixaram de vender. Apesar disso, continuou-se a fazer sonhar, a descobrir novos caminhos, a promover recantos de Portugal, a ir ao encontro da aventura dentro e fora de fronteiras, e a tratar inúmeras provas desportivas, com emoção e muita paixão. Organizadores, pilotos, navegadores, equipas e todos que contribuíam para um espetáculo, que hoje tem outra cor, sempre mereceram da Todo Terreno uma atenção especial, vivida na estrada e fora dela, mas sempre ao lado dos protagonistas.

Sem me querer perder em inúmeras aventuras, histórias mais ou menos encantadas, ou simples estórias, vividas e relatadas com paixão e de forma diferente, como nos ensina o Alexandre, deixem-me saudar o regresso da revista Todo Terreno. Ela na verdade nunca deixou de estar presente, só que este regresso merece uma saudação especial. Uma aparência diferente, onde os maiores desafios continuam a estar retratados através de novos modelos que continuam a contar décadas de história. Grandes aventureiros, pilotos e navegadores marcantes, trilhos inesquecíveis, convites à evasão, e até um mapa com mais de 100 anos, onde se recorda a história de Portugal pelas nossas estradas.

Apesar dos novos tempos que vivemos, onde muita coisa se perde, precisamente porque nada se transforma, é bom ter um suporte como este, que nos continua a fazer sonhar e a contrariar as mais recentes técnicas de comunicar. É bom poder voltar a folhear a revista Todo Terreno. Sim, digo bem, estamos a falar de uma publicação em papel. Uma revista de qualidade e essencialmente diferente. Contra as diferentes pandemias dos novos tempos, a Todo Terreno voltou.