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Arranque em força de Ramos e Ré

A prova inaugural do Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48 ficou marcada por um arranque em força de João Ramos e Pedro Ré, que foram somando vitórias em cada um dos três dias, até assegurarem o triunfo final: a Toyota Hilux V6 T1+ desta dupla ganhou sucessivamente o prólogo, sexta-feira, a primeira etapa, no sábado, e também a segunda etapa, neste domingo. Bateram a Hilux V8 T1 de Tiago Reis e Valter Cardoso por um minuto, 56,3 segundos!

Quase dois minutos foi a vantagem conquistada pelos vencedores, à chegada ao controlo final da Baja T.T. Montes Alentejanos ESC Online. Mas não se pense que foi uma vitória fácil, pois a menos de meia centena de quilómetros da chegada, a vantagem que João Ramos e Pedro Ré dispunham sobre os seus mais directos adversários era inferior a um minuto e qualquer erro ou incidente, como um simples furo, teria feito com que, no mínimo, as posições se invertessem. Todavia isso não chegou a acontecer e, como nos comentava Pedro Ré, que se estreou como navegador de João Ramos e foi cúmplice perfeito deste arranque em força, “esta foi uma vitória ‘limpinha’, ‘limpinha’, em que tudo nos correu bem e andámos sempre depressa!”

Quanto a Tiago Reis e Valter Cardoso, cumpriram com o que pensavam fazer, antes da partida: “Vamos atacar mais forte logo nos primeiros quilómetros e depois vemos se nos adiantamos, porque se não conseguirmos passar para a frente, um segundo lugar também serve os nossos interesses” – comentava o piloto, adiantando que “começamos o campeonato no segundo lugar, o que é desde já muito bom para quem tem por objectivo conquistar o terceiro título português”. Aliás, Tiago Reis fez questão de salientar que “na próxima prova contamos já dispor da Toyota Hilux V6 T1+ que encomendámos e isso vai permitir-nos voltar a estar no nível mais elevado, lutando com as mesmas ‘armas’ dos nossos adversários!”

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UM PROBLEMA DE TRAVÕES A MENOS DE 50 QUILÓMETROS DO FINAL IMPEDIU TIAGO REIS E VALTER CARDOSO DE MANTEREM O DUELO PELA VITÓRIA ATÉ AO CONTROLO DE CHEGADA. MAS O SEGUNDO POSTO SERVE OS INTERESSES DA EQUIPA…

Ao fim de apenas 24 quilómetros dos 145,5 desta etapa final, a Toyota de Reis e Cardoso foi cronometrada no primeiro controlo de passagem como a mais rápida entre todos os automóveis, ganhando até esse ponto 6,3 segundos a João Ramos e Pedro Ré. No entanto, volvidas mais duas dúzias de quilómetros a Hilux negra – ou, como João Ramos gosta de chamar à sua pick-up, a ‘Dama Negra’ – já passou a ganhar 2,5 segundos, reforçando a vantagem com mais 26,5 segundos ao fim de 75 quilómetros, para no controlo ao quilómetros 100 a diferença entre os dois primeiros voltar a baixar. Nessa altura, Ramos permanecia como o mais rápido, mas a vantagem que levava sobre Tiago Reis já era de uns meros 14,2 segundos, que somados ao atraso que este acumulara na primeira etapa, dava uma diferença na ordem de meio minuto, a menos de meia centena de quilómetros do final.

E quando seria de esperar por um duelo ao rubro, isso não se verificou. Porque quem conheceu problemas não foram os comandantes, mas sim os seus perseguidores, conforme nos explicou o próprio Tiago Reis:

“Andámos com um ritmo fortíssimo, mas os travões não aguentaram e precisamente após o controlo do quilómetros 100, sentimos que a travagem não estava a corresponder e percebemos que se tinha rompido um tubo do sistema de travões de trás. Daí que tornou-se impossível prosseguir com o mesmo andamento e concentramo-nos em assegurar o segundo posto!”

Apesar de rolar com problemas nos travões, Tiago Reis não completou o percurso com um ritmo “de pisar uvas”, mas em apenas 25 quilómetros atrasou-se um minuto e 13,3 segundos, para daí até final, nos derradeiros 20 quilómetros perder ainda mais cerca de meio minuto, o que resultou na margem final de um minuto, 56,3 segundos relativamente aos vencedores. E o mais curioso, sublinhe-se, é que mesmo assim, a Toyota vermelha conduzida por Tiago Reis – a mesma pick-up com que Nasser Al-Attiyah ganhou o Rali Dakar em 2019! – continuou até ao fim como o segundo carro mais rápido em prova!

Em evidência na primeira etapa, quando lideraram durante mais de dois terços do percurso, Lourenço Rosa e Joaquim Dias já dispunham de cerca de um minuto de avanço quando a correia da direcção assistida da Toyota Hilux V6 T1+ se partiu após uma passagem a vau. Com esforço, o piloto ainda conseguiu conduzir até final, mas no domingo “voltou a acontecer a mesma coisa logo ao fim de apenas sete quilómetros e era impensável continuar sem direcção assistida”, pelo que a prova não só perdeu um dos seus protagonistas, como ficou por saber até onde esta dupla conseguiria recuperar?

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NAQUELA QUE FOI A SEGUNDA COMPETIÇÃO T.T. COM UM T3, ARMINDO ARAÚJO E LUÍS RAMALHO CONSEGUIRAM A VITÓRIA NO GRUPO E SUBIRAM AO PÓDIO, GRAÇAS AO TERCEIRO POSTO ABSOLUTO

Armindo Araújo e Luís Ramalho no pódio

O pódio foi completado pelo Can-Am de Armindo Araújo e Luís Ramalho, que além do terceiro posto absoluto, conquistaram ainda a vitória no grupo T3, batendo por minuto e meio do Overdrive OT3 de Luis Portela de Morais e Tiago Neves e deixando a pouco menos de três minutos o Can Am de João Dias e João Miranda. Curiosamente, destes três, João Dias foi quase sempre o mais rápido, seguido por Luís Portela de Morais e só depois Armindo Araújo. Contudo, Dias atrasou-se quase no final ao partir a correia da transmissão, problema que, aliás, já lhe tinha ocorrido na primeira etapa, tal como Portela de Morais fez a prova toda a recuperar posições, depois de um furo no prólogo o ter remetido para os últimos lugares – ficou em 45º, entre 56 concorrentes! Arrancando para a primeira etapa atrás de adversários bastante mais lentos, que teve de ultrapassar e, evidentemente, condicionaram a sua recuperação, Luís Portela de Morais brilhou na primeira etapa ao melhorar 37 lugares, para na segunda etapa esta recuperação ter prosseguido, levando o Overdrive OT3 do oitavo para o quarto posto absoluto.

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LUÍS PORTELA DE MORAIS E TOMÁS NEVES COMEÇARAM NUM MODESTO 45º LUGAR, DEVIDO A UM FURO SOFRIDO NO PRÓLOGO, MAS TERMINARAM EM QUARTOS ABSOLUTOS E FORAM A EQUIPA QUE MAIS POSIÇÕES RECUPEROU AO LONGO DA PROVA!

Sem conhecer quaisquer problemas, Armindo Araújo conseguiu gerir perfeitamente o andamento para assegurar o terceiro lugar final e a vitória no grupo T3, iniciando a sua primeira temporada plena de todo terreno com um arranque em força; apesar do piloto ter referido, após a chegada, que a prova correu bem, mas que espera “ainda melhor!”

A prova organizada em redor de Beja pelo Clube de Promoção de Automobilismo e Karting ficou ainda assinalada pelo regresso de Lino Carapeta e Rui Manuel aos lugares da frente. Esta dupla conquistou o sexto posto final e não fosse uma penalização de um minuto, teriam avançado mais um lugar na classificação. O segredo deste êxito chama-se Ford Ranger V8 NWM, “uma pick-up que ainda estou a descobrir, mas que me deu um gozo enorme de conduzir e deixou-me com a sensação de finalmente contar com um verdadeiro carro de corridas!” – confessou Lino Carapeta. Adiante-se que esta Ford Ranger é a “velha” pick-up que chegou a Portugal para André Amaral e que, entretanto, foi conduzida por Francisco Barreto e chegou mesmo a ser episodicamente usada por Hélder Oliveira. Das diversas Ford Ranger preparadas na África do Sul pela Neil Woolridge Motorsport que estão actualmente em Portugal, esta é a mais antiga e com o nível de preparação mais baixo. Mas nos “Montes Alentejanos” andou sempre suficientemente depressa para que Lino Carapeta e Rui Manuel pudessem ter sido os sextos melhores à chegada e os terceiros do grupo T1.

Sem direcção assistida durante boa parte do percurso, Lino Carapeta tornou os últimos quilómetros de prova numa dura sessão de musculação, mas a vontade de ir até ao fim foi, de longe, mais forte que as dores nos braços. E se isso o terá atrasado um pouco, uma penalização de um minuto, por ultrapassar a velocidade permitida numa das diversas zonas de velocidade controlada, contribuiu inequivocamente para que Carapeta e António não tivessem colocado a Ford Ranger V8 no quinto posto, a que não chegaram por somente 27,7 segundos!…

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NA ESTREIA DA FORD RANGER V6 NWM, LINO CARAPETA E RUI MANUEL REGRESSARAM FINALMENTE AOS LUGARES DA FRENTE: FORAM SEXTOS ABSOLUTOS E OS TERCEIROS DO GRUPO T1

O lote dos dez primeiros completou-se ainda com mais dois veículos dos grupo T1 e outros tantos do grupo T3. Em sétimo e oitavo lugares colocaram-se as pick-up’s Volkswagen Amarok V6 de Miguel Casaca e João Luz e a Toyota Hilux V8 de Edgar Reis e Tiago Neves que após os cerca de 300 quilómetros cronometrados desta Baja T.T. Montes Alentejanos ESC Online, terminaram separados por somente cinco segundos! Contudo, esta não foi a diferença final mais reduzida entre duas equipas: o Can-Am dos campeões em título do grupo T4, João Paula e Nuno Ribeiro, asseguraram o 28º posto absoluto por somente 1,6 segundos de vantagem sobre a Nissan Navara de Cesário Santos e Alexandre Gomes, que por sua vez subiram ao pódio como vencedores do grupo T9! Voltando ao ‘top 10’, esta lista foi encerrada pelos Can-Am das duplas Pedro Carvalho/Romeu Martins e Filipe Cameirinha/Jérémy Dubois…

Quanto aos restantes vencedores, Rui Farinha e Rui Pita levaram o seu Can-Am a triunfar no grupo T4, posicionando-se no 18 lugar absoluto, apenas 5,1 segundos à frente da Nissan Navara V6 de Nuno Tordo e Filipe Salgueiro, os campeões em título no grupo T8, que também tiveram um arranque em força para esta época, já que inauguraram o ano a vencer!

Regressados às corridas em conjunto, Rui Sousa e Carlos Silva tiveram igualmente um arranque em força e não surpreenderam ao ganhar o grupo T2 com a sua Isuzu D-Max, batendo por mais de um par de minutos os jovens leirienses Luís Caetano e David Monteiro, que participaram com um Nissan Pathfinder, cabendo-lhes em termos absolutos, os 32º e 33º lugares finais!

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VENCER O GRUPO T2 É QUASE UMA CERTEZA SEMPRE QUE RUI SOUSA E CARLOS SILVA SE JUNTAM A BORDO DA ISUZU D-MAX, COMO ACONTECEU EM BEJA, NO REGRESSO DESTA DUPLA!

Texto: Alexandre Correia   Fotos: AIFA/Albano Loureiro/D.R.

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