O Dakar 2026 arrancou com um prólogo extremamente rápido, técnico e já revelador das forças em presença. Em apenas alguns quilómetros, a caravana percebeu que esta edição promete velocidade pura, navegação exigente e uma luta intensa entre equipas oficiais e estruturas privadas em todas as categorias FIA.

A Ford Racing abriu o ano com estrondo na categoria Ultimate, graças ao ritmo demolidor do sueco Mattias Ekström, navegado por Emil Bergkvist, que colocou o Ford Raptor T1+ no topo da tabela. Logo atrás ficaram os norte‑americanos Mitchell Guthrie e Kellon Walch, também em Ford Raptor T1+, confirmando a competitividade da marca. O pódio ficou completo com o belga‑francês Guillaume De Mévius, navegado por Mathieu Baumel, ao volante do Mini JCW Rally 3.0i a gasolina.
A diversidade competitiva ficou evidente: Nasser Al‑Attiyah, agora ao volante do Dacia Sandrider T1+, e o norte‑americano Seth Quintero, no Toyota GR DKR Hilux Evo’26, fecharam o Top 5. Cinco equipas diferentes nos cinco primeiros lugares — um sinal claro de que o Dakar 2026 poderá ser um dos mais equilibrados dos últimos anos.
Domínio absoluto da Defender Rally no Stock

Na categoria Stock (T2), a nova equipa Defender Rally não podia ter começado melhor: ocupou os três primeiros lugares do prólogo. A norte‑americana Sara Price venceu, seguida pelo francês Stéphane Peterhansel e pelo lituano Rokas Baciuška.
A Toyota Auto Body ficou longe do ritmo dos novos líderes. Akira Miura terminou a quase um minuto da frente, enquanto o francês Ronald Basso ficou a mais de minuto e meio.
Um dado particularmente curioso marcou este prólogo: a vencedora da categoria Stock foi mais rápida do que os vencedores das categorias Challenger (T3) e SSV (T4). Algo extremamente raro, já que os carros de produção T2 são, por norma, significativamente mais lentos do que os protótipos Challenger e os SSV de competição. A Defender Rally parece determinada a alterar esta hierarquia tradicional — e o prólogo deixou isso bem claro.
SSV: Loeb FrayMédia Motorsport – RZR Factory começa a mandar

Na classe SSV (T4), a equipa Loeb FrayMédia Motorsport – RZR Factory mostrou força imediata, ocupando os dois primeiros lugares. O norte‑americano Brock Heger, vencedor da categoria em 2025, voltou a mostrar porque é considerado um dos talentos emergentes do Dakar. Apenas 4 segundos atrás ficou o português Gonçalo Guerreiro, que continua a afirmar‑se como uma das maiores promessas nacionais no todo‑o‑terreno internacional.
Entre os oficiais da Can‑Am, o melhor foi o estreante norte‑americano Kyle Chaney, terceiro classificado.
Challenger: Paul Spierings surpreende novamente
Na categoria Challenger (T3), o holandês Paul Spierings voltou a mostrar que o seu talento não foi acaso em 2025. Ao volante do Taurus Evo Max, venceu o prólogo e reforçou o estatuto de candidato ao pódio.
O destaque feminino foi notável: Puck Klaassen (KTM X‑BOW / G Rally Team) foi segunda, enquanto a saudita Dania Akeel (Taurus T3 Max) terminou em terceiro.
Os campeões em título, Nicolás Cavigliasso e Valentina Pertegarini, começaram com um sólido quarto lugar.
Portugueses em destaque

O prólogo trouxe excelentes indicações para a armada portuguesa, com desempenhos consistentes e posições promissoras para a etapa inaugural.
O piloto da Toyota Gazoo Racing South Africa João Ferreira, navegado por Filipe Palmeiro, colocou a Toyota Hilux IMT Evo no 12.º lugar, a apenas 19 segundos do vencedor. Este resultado garante‑lhe o direito de escolher a posição de partida — privilégio reservado aos 15 primeiros — e permite‑lhe evitar abrir pista.
“Foi um prólogo super, super-rápido, com navegação muito, muito tricky. A velocidade esteve sempre nos 150, 170. Fizemos o nosso melhor. Não é o resultado perfeito, mas podemos escolher a posição de partida, e isso é o mais importante. Amanhã começa o verdadeiro Dakar.” comentou João Ferreira após o prólogo. Filipe Palmeiro acrescentou que “O road book estava diferente, parece desenhado por pessoas novas. A mensagem chegava de forma diferente. Foi rápido e traiçoeiro. O Dakar começa amanhã, vamos estar prontos.”
O jovem português Gonçalo Guerreiro voltou a impressionar: 2.º lugar na categoria SSV, apenas 4 segundos atrás do colega de equipa Brock Heger. Na geral ocupa a 65.ª posição, imediatamente à frente da portuguesa Maria Gameiro (Mini X‑Raid), que é a terceira melhor portuguesa no Dakar 2026.
O experiente navegador português Paulo Fiuza, ao lado do lituano Vaidotas Žala, colocou o camião da equipa na 2.ª posição, a apenas 3,2 segundos do vencedor, Martin van den Brink. Um arranque fortíssimo para a dupla.
Um prólogo rápido, técnico e cheio de sinais para o que aí vem
O prólogo do Dakar 2026 confirmou que a edição deste ano será marcada por velocidades elevadíssimas, navegação exigente e uma competitividade feroz entre equipas oficiais e privadas. A diversidade de marcas no topo, o domínio inesperado em algumas categorias e o excelente desempenho dos portugueses deixam antever uma prova emocionante.
Com a escolha de posições de partida a moldar a estratégia da primeira etapa, a verdadeira batalha começa agora — e tudo indica que será um Dakar memorável.
O que esperar da etapa de amanhã: Etapa 1 – Yanbu > Yanbu (4 de janeiro)
A primeira etapa completa do Dakar 2026 decorre em torno de Yanbu, com um percurso total de cerca de 518 km, dos quais 305 km são cronometrados. Esta especial apresenta dois segmentos bem distintos: a fase inicial desenvolve‑se em terreno rochoso e sinuoso, onde a condução técnica e a resistência mecânica serão postas à prova, antes de uma zona mais rápida e aberta com areia e pequenas dunas. Está prevista uma paragem intermédia para assistência e troca de pneus, uma oportunidade para gerir desgaste e preparar‑se para a segunda metade da especial. Apesar da distância, a variedade do terreno e as mudanças constantes de ritmo tornam esta etapa um teste exigente de ritmo, estratégia e adaptação à paisagem diversificada que caracteriza o início desta edição do Dakar.


