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Portugueses brilham num dia de reviravoltas dramáticas no Dakar 2026

A 11.ª etapa do Dakar 2026 voltou a mostrar porque é considerada uma das mais imprevisíveis e implacáveis da prova. Num dia mais rápido e menos arenoso do que o anterior, o terreno favoreceu os pilotos que partiram mais atrás, permitindo ataques fortes à geral e abrindo espaço para desempenhos individuais de grande nível. Mattias Ekström foi o grande protagonista ao vencer de forma autoritária, enquanto Nasser Al‑Attiyah consolidou a liderança graças, em parte, ao infortúnio devastador de Henk Lategan. Entre tudo isto, os portugueses voltaram a marcar presença sólida e competitiva em várias frentes, reforçando a sua influência no Dakar moderno.

Ultimate: Ekström domina, Ford assina novo 1‑2‑3 e Dumas saboreia “quase vitória”

226 EKSTRÖM Mattias (swe), BERGKVIST Emil (swe), Ford M-Sport, Ford,

Mattias Ekström e Emil Bergkvist assinaram uma etapa perfeita. O sueco liderou de início ao fim, fechando o dia em 2:47:22 e conquistando a sua terceira vitória nesta edição — a oitava da carreira no Dakar. A Ford voltou a mostrar força bruta, ocupando todo o pódio da etapa: Romain Dumas foi segundo a 1’22’’ e Carlos Sainz terceiro a 2’26’’.

Para Dumas, este resultado teve sabor especial:
“O nível está incrivelmente alto. Nos últimos dias percebemos que estávamos entre os mais rápidos, mas faltava capitalizar. Hoje estivemos perto… amanhã tentamos outra vez.”

A Ford repete assim o feito da 5.ª etapa, somando o terceiro 1‑2‑3 deste Dakar — um sinal claro de que o Raptor está, nesta fase final, no auge da competitividade.

Nasser Al‑Attiyah entrou na etapa com uma vantagem confortável de 12 minutos sobre Henk Lategan e com uma estratégia clara: controlar. O qatari cumpriu o plano com precisão, mas acabou por beneficiar de um golpe de sorte monumental. Aos 140 km, Lategan voltou a ser perseguido pelo azar — que já o tinha deixado sem direção assistida e sem combustível no dia anterior — e desta vez quebrou o rolamento da roda traseira esquerda. A reparação demorou horas e destruiu por completo as suas aspirações ao pódio.

O sul‑africano desabafou, exausto: “Não sei o que dizer. Tudo o que podia correr mal, correu. Tenho uma equipa fantástica e um carro incrível, mas nenhuma sorte.”

Com o desastre de Lategan, Nani Roma subiu a segundo da geral, reduzindo a desvantagem para Al‑Attiyah para 8’30’’. O espanhol, porém, enfrenta agora um dilema estratégico: atacar ou defender? Atrás de si surge Sébastien Loeb, que subiu ao terceiro lugar e está a 18’37’’ do líder. O francês promete lutar até ao fim: a possibilidade de um 1‑2 para a Dacia é real e Loeb não esconde a ambição.

Challenger: Cavigliasso vence por 29 segundos num duelo épico

300 CAVIGLIASSO Nicolas (arg), PERTEGARINI Valentina (arg), Vertical Motorsport, Taurus,

A categoria Challenger viveu uma das etapas mais intensas deste Dakar. Nicolás Cavigliasso e Valentina Pertegarini conquistaram a vitória por apenas 29 segundos sobre Paul Spierings, num duelo que teve oito trocas de liderança e nunca ultrapassou diferenças superiores a 27 segundos. Dania Akeel voltou a mostrar consistência e completou o pódio a 1’03’’.

No acumulado, Pau Navarro reforçou a liderança, ampliando a vantagem para Yasir Seaidan para 25’08’’. Cavigliasso subiu ao terceiro posto da geral.

SSV: Heger continua imperial, Polaris domina e a luta pelos lugares do pódio aquece

401 HEGER Brock (usa), EDDY Max (usa), Loeb Fraymedia Motorsport – RZR Factory Racing,

A categoria SSV viveu mais um capítulo de domínio absoluto de Brock Heger. O piloto americano da Loeb FrayMédia Motorsport – RZR Factory Racing venceu pela sexta vez nesta edição, consolidando-se como o grande favorito à vitória final. Heger completou a especial em 3:30:11, impondo um ritmo que nenhum dos seus adversários conseguiu igualar, apesar de várias trocas de liderança nos primeiros 200 km.

Jeremías González Ferioli foi o rival mais próximo, terminando a apenas 51 segundos, depois de um duelo intenso que se prolongou até ao quilómetro 283, onde Heger conseguiu finalmente abrir a diferença decisiva. Johan Kristoffersson, o sueco que tem sido uma das revelações da categoria, voltou a mostrar consistência e fechou o pódio da etapa a +3:05, reforçando a presença da Polaris no topo da classificação diária.

Florent Vayssade, também em Polaris, terminou em quinto, garantindo três RZR no Top 5 e confirmando a superioridade técnica da marca nesta fase final do Dakar.

Manuel Andújar, antigo campeão dos quads, assinou uma das suas melhores prestações do ano, terminando em 8.º e mostrando que está cada vez mais adaptado aos SSV.

João Monteiro, entre os portugueses, voltou a destacar-se com uma etapa sólida, mantendo-se dentro do Top 15 da categoria e reforçando a presença lusa num dos pelotões mais competitivos do Dakar.

O padrão que se desenha é claro: Heger está a caminho de repetir o título de 2025, mas a luta pelo segundo e terceiro lugares promete ser intensa até Yanbu, com Chaney, De Soultrait, López e Monteiro separados por margens que ainda permitem reviravoltas.

Stock: Baciuška soma a 4.ª vitória consecutiva

502 BACIUSKA Rokas (ltu), VIDAL Oriol (esp), Defender Rally, Defender,

Rokas Baciuška voltou a vencer na Stock, apesar de Sara Price ter sido a mais rápida em pista — mas penalizada em 30 minutos. O lituano mantém um domínio absoluto desde o início do Dakar e lidera com mais de quatro horas de vantagem.

Camiões: Loprais vence, mas o português Paulo Fiuza mantém a liderança com Zala

602 LOPRAIS Ales (cze), KRIPAL David (cze), STROSS Jiri (cze), Loprais Team De Rooy FPT, Iveco,

Nos camiões, Ales Loprais voltou a brilhar em Al Henakiyah — tal como no ano anterior — e venceu a etapa, reduzindo a diferença para Vaidotas Zala para 16’30’’. O lituano, porém, mantém firme a liderança da geral, muito graças ao trabalho exemplar do navegador português Paulo Fiuza, que continua a ser uma das figuras mais experientes e respeitadas do Dakar.

Mitchel Van Den Brink completou o pódio da etapa, mantendo-se também na luta pelos lugares cimeiros.

Portugueses: consistência, velocidade e declarações que mostram ambição

604 ZALA Vaidotas (ltu), FIUZA Paulo (por), VAN GROL Max (ned), NoRDIS De Rooy FPT, Iveco,

Os portugueses voltaram a destacar-se em várias categorias, com desempenhos sólidos e competitivos.

A dupla Zala/Fiuza tem mostrado uma consistência notável, mesmo sob pressão crescente de Loprais. O navegador português, sempre discreto, comentou no final da etapa:
“Sabíamos que Loprais ia atacar forte aqui. O importante era não entrar em pânico e manter o plano. Ainda temos margem, mas nada está garantido.”

João Ferreira e Filipe Palmeiro foram os mais fortes entre os representantes nacionais, terminando a etapa num excelente 4.º lugar, a apenas 3’27’’ de Ekström. O ritmo foi consistente e a dupla portuguesa voltou a mostrar que está entre as mais rápidas fora do círculo restrito dos favoritos absolutos.

Ferreira, satisfeito mas focado, comentou no final: “Foi um dia muito rápido, daqueles em que não se pode hesitar. Fizemos uma etapa limpa, sem erros, e isso paga-se sempre no Dakar. Vamos continuar a pressionar.”

240 FERREIRA Joao (por), PALMEIRO Filipe (por), Toyota Gazoo Racing, Toyota,

João Monteiro e Nuno Morais, nos SSV, voltaram a mostrar grande regularidade, terminando dentro do Top 15 da categoria e mantendo-se entre os melhores portugueses em prova. Monteiro sublinhou a dureza do dia: “A navegação esteve crítica em alguns pontos, mas conseguimos manter o ritmo. O objetivo é chegar fortes a Yanbu.”

Pedro Gonçalves e Hugo Magalhães, no Challenger, continuam a recuperar terreno após penalizações pesadas. A dupla portuguesa tem mostrado velocidade pura e capacidade de adaptação ao terreno, mantendo-se competitiva apesar dos contratempos.

Maria Gameiro, acompanhada por Rosa Romero, completou mais uma etapa exigente e segue firme na classificação geral, reforçando a presença feminina portuguesa no Dakar.

A 11.ª etapa do Dakar 2026 foi um microcosmo perfeito do espírito da prova: velocidade, drama, estratégia, azar cruel e vitórias conquistadas ao segundo. Ekström brilhou, Al‑Attiyah reforçou o comando, Lategan viveu um pesadelo, e os portugueses voltaram a mostrar porque são presença cada vez mais relevante no panorama internacional do rali‑raid.

Com apenas duas etapas por disputar, nada está decidido, e tudo pode mudar. O Dakar continua a ser o Dakar.

Etapa 12 – Al Henakiyah › Yanbu

A Etapa 12, entre Al Henakiyah e Yanbu, promete ser decisiva e poderá redefinir por completo o rumo do Dakar 2026. Com 310 km de especial inseridos num total de 718 km, esta é a última grande oportunidade para ataques à classificação geral antes da chegada final. O traçado apresenta uma combinação exigente de terrenos: inicia-se com pistas rápidas, onde os pilotos podem imprimir ritmo e tentar recuperar segundos preciosos, mas rapidamente evolui para sectores técnicos, estreitos e sinuosos, que obrigam a uma leitura fina do roadbook e a decisões instantâneas sobre trajectórias. A etapa inclui ainda a passagem por leitos de rios secos, zonas onde a superfície pode mudar de forma súbita e esconder armadilhas, tornando a navegação e a interpretação do terreno tão importantes quanto a velocidade pura. À entrada da fase final do rali, esta especial surge como um verdadeiro exame de resistência, precisão e sangue‑frio — e poderá ser aqui que se decidem títulos, pódios e desilusões.

Classificação etapa 11

Classificação após etapa 11