Takamoto Katsuta viveu no Quénia o momento mais marcante da sua carreira, conquistando a sua primeira vitória no WRC numa das provas mais duras e imprevisíveis do calendário. O japonês da Toyota, navegado por Aaron Johnston, terminou a última especial em lágrimas, incrédulo com o desfecho de um rali que eliminou praticamente todos os favoritos. “Nem sei como chegámos aqui… foi o rali mais difícil da minha vida”, afirmou, emocionado, no final da Power Stage.

A dureza extrema do Safari Rally voltou a fazer estragos. Sébastien Ogier, Elfyn Evans e Oliver Solberg — todos eles candidatos naturais ao triunfo — sofreram danos nos seus Toyota, perdendo qualquer hipótese de lutar pela vitória. Katsuta, pelo contrário, optou por uma abordagem inteligente, gerindo o ritmo, evitando riscos e sobrevivendo às condições atmosféricas imprevisíveis e ao terreno traiçoeiro. “Apenas tentei manter o carro inteiro. Nada mais importava”, explicou o piloto nipónico.
Apesar dos problemas dos seus principais nomes, a Toyota voltou a sair por cima na terceira prova do WRC 2026. Sami Pajari garantiu um sólido 3.º lugar, enquanto a Hyundai colocou Adrien Fourmaux no 2.º posto e Esapekka Lappi em 4.º. Thierry Neuville, muito condicionado por dificuldades mecânicas, terminou apenas em 12.º, atrás de Solberg e Ogier, mas ainda assim à frente de Evans — todos superados pelos melhores WRC2, um sinal claro do desgaste brutal provocado pela edição deste ano.
No WRC2, o ritmo surpreendeu: o estónio Robert Virves levou o Skoda Fabia RS Rally2 à vitória, seguido pelo Toyota de Gus Greensmith e pelos Skoda de Zaldivar e Mikkelsen. Uma luta intensa que reforçou o impacto das condições extremas também nas categorias secundárias.
As contas do campeonato sofreram alterações importantes graças aos pontos extra do “Super Domingo” e da “Power Stage”, onde Oliver Solberg brilhou ao ser o mais rápido, seguido de Ogier e Evans. Katsuta, apesar de não ter vencido qualquer especial, somou o suficiente para alcançar um triunfo histórico e aproximar-se dos líderes. Evans mantém-se no topo com 66 pontos, seguido de Solberg com 58 e Katsuta com 55. Entre os construtores, a Toyota domina com 157 pontos, bem à frente dos 114 da Hyundai.
A caravana do WRC segue agora para o asfalto do Rali da Croácia, entre 9 e 12 de abril, onde Evans tentará defender a liderança e Katsuta procurará provar que esta vitória não foi apenas fruto do caos africano, mas o início de um novo capítulo na sua carreira.

