232 SANZ Laia (esp), GERINI Maurizio (ita), EBRO Motorsport, EBRO, Ultimate, FIA W2RC, towing 227 ROMA Nani (esp), HARO BRAVO Alex (esp), Ford M-Sport, Ford, Ultimate, FIA W2RC
A 12.ª etapa do Dakar 2026 voltou a expor tudo aquilo que faz deste rali um território onde a glória e o desastre convivem a poucos metros de distância. Nasser Al‑Attiyah, mestre absoluto da arte de vencer especiais, assinou a sua 50.ª vitória em etapas — igualando Ari Vatanen e Stéphane Peterhansel — e reforçou a liderança geral, deixando Yanbu a apenas 105 km de um sexto triunfo absoluto. O qatari, 17.º a arrancar, atacou sem reservas ao longo dos 311 km de pedras e canyons, fechando o dia com 1’04’’ de vantagem sobre Mitch Guthrie e 1’25’’ sobre Toby Price. “Fiz o meu trabalho, agora falta só um dia”, diria mais tarde, com a serenidade de quem sabe que está a escrever história.

Mas se Al‑Attiyah viveu um dia de consagração, Nani Roma viveu um autêntico episodio de sobrevivência. O espanhol, segundo da geral, sofreu um violento impacto a 50 metros do fim da especial, destruindo toda a frente direita do Ford Raptor. “Hoje foi, seguramente, o dia mais duro da minha carreira. Não acredito em milagres, mas o que aconteceu foi inacreditável”, confessou, visivelmente abalado
Ultimate: Al‑Attiyah faz história, Roma vive um milagre e Ekström/LoeB entram em duelo direto

Nasser Al‑Attiyah voltou a dominar, vencendo a etapa com 1’04’’ sobre Mitch Guthrie e 1’25’’ sobre Toby Price. O qatari, 17.º a arrancar, atacou sem reservas nos 311 km de terreno pedregoso e assinou a sua 50.ª vitória em especiais — um marco histórico. Está agora a 105 km de um sexto triunfo absoluto.
O drama maior, porém, pertenceu a Nani Roma. O espanhol destruiu toda a frente direita do Ford Raptor a 50 metros do fim da especial, após um impacto violento. “Hoje foi, seguramente, o dia mais duro da minha carreira. Não acredito em milagres, mas o que aconteceu foi inacreditável”, confessou. Romain Dumas, Prokop, Guthrie e Walch pararam para ajudar, cedendo peças e mãos para uma reparação improvisada. Já na ligação, Roma ficou sem combustível — e foi Laia Sanz quem o rebocou até ao bivouac, onde entrou apenas um minuto antes do limite. Salvou o 2.º lugar por um fio.
A luta pelo 3.º posto está ao rubro: Mattias Ekström abriu a especial e brilhou, ganhando 3’24’’ a Sébastien Loeb e subindo ao pódio provisório. O sueco tem agora 29 segundos de vantagem sobre o francês, que nunca terminou um Dakar fora do pódio. Amanhã, a batalha será direta.
Challenger: domínio argentino e contas apertadas pelo pódio

Kevin Benavides voltou a vencer na Challenger, seguido por Dania Akeel e David Zille, num dia em que a Odyssey Academy By BBR voltou a monopolizar os lugares da frente. Pau Navarro continua sólido na liderança geral, com quase 26 minutos de vantagem sobre Yasir Seaidan, apesar de uma penalização acumulada de 13 minutos. O duelo mais quente está no 3.º posto: Nicolás Cavigliasso tem apenas 2’08’’ de margem sobre Lucas del Rio, prometendo um sprint final emocionante.
SSV: Can‑Am domina, Heger controla

Nos SSV, a Can‑Am Factory Team voltou a assinar um triplo — o segundo desta edição — com Jeremías González Ferioli a repetir o triunfo. João Monteiro foi 2.º na etapa, reforçando o excelente momento da estrutura portuguesa integrada na equipa de fábrica. Brock Heger continua firme rumo ao bicampeonato, mantendo mais de uma hora de vantagem sobre Kyle Chaney, enquanto Xavier de Soultrait segura o 3.º lugar para a Loeb FrayMédia Motorsport – RZR Factory.
Stock: Defender volta a dominar

A Defender Rally voltou a monopolizar o pódio da etapa, com Sara Price a conquistar a sua quarta vitória. Rokas Baciuška continua líder destacado da geral, com quase quatro horas de vantagem sobre Price. A Toyota Auto Body viveu um dia negro: Ronald Basso perdeu mais de 1h30 e Akira Miura voltou a não terminar a especial, acumulando mais dezenas de horas de penalização.
Camiões: Van den Brink vence, Zala segura o comando

Nos camiões, Mitchel van den Brink conquistou a sua quarta vitória do ano, resistindo à pressão de Loprais e Zala. O lituano Vaidotas Žala continua líder destacado, com 21’24’’ sobre Loprais e 30’22’’ sobre Van den Brink. Kay Huzink foi o grande derrotado do dia, perdendo mais de três horas e caindo fora do top 5.
Os portugueses: resistência, pragmatismo e mais um top‑20 para João Ferreira

A participação portuguesa voltou a destacar‑se numa etapa marcada pela dureza extrema João Ferreira voltou a ser o melhor português do dia, terminando a etapa em 19.º lugar, apesar de dois furos logo na fase inicial. O piloto da Toyota Gazoo Racing SA descreveu a especial como “muito dura, cheia de pedras”, explicando que, após o segundo furo, teve de gerir mais de 200 km sem pneus suplentes: “Foi só sobreviver. Não é bom, mas é o que é. Amanhã é o último dia, vamos tentar desfrutar.” Já o seu navegador Filipe Palmeiro reforçou a dureza do terreno: “Voltámos às pedras de Yanbu. Dois furos cedo, depois reduzimos o ritmo e viemos devagar até ao fim. Amanhã tentamos atacar.”

Maria Gameiro completou mais uma etapa sólida, apesar de um dia “muito rochoso, com dunas difíceis e muita poeira”. A piloto do MINI X‑Raid, que partiu entre camiões, sublinhou que o objetivo é claro: “Falta só mais 100 km. Queremos fechar o Dakar.”
João Monteiro foi 2.º entre os SSV reforçando o excelente momento da equipa portuguesa integrada na equipa de fábrica da Can-Am. Ainda nos SSV, Hélder Rodrigues voltou a mostrar consistência, terminando uma das etapas “mais técnicas do Dakar”, marcada por pedras, rios secos e muita navegação. “Comecei em 100.º, foi difícil ultrapassar tantos carros e camiões. Tive um furo, mas o carro está impecável. Mais um dia concluído.”

Mas o destaque português do dia não se limita aos pilotos: Paulo Fiuza, navegador de Vaidotas Žala, está a um passo de conquistar o Dakar na categoria de camiões. O experiente co‑piloto de Mafra, um dos navegadores mais respeitados dos rali‑raid mundial, tem sido peça-chave na campanha irrepreensível do Iveco PowerStar da Nørdis Team de Rooy FPT. A dupla lituano‑portuguesa lidera com 21’24’’ sobre Aleš Loprais e chega à última etapa com a serenidade de quem fez um Dakar quase perfeito, combinando velocidade, navegação limpa e uma gestão exemplar do material. Para Fiuza, que soma já várias participações históricas no Dakar, depois de um 3º lugar absoluto ao lado de Stéphane Peterhansel. este poderá ser um dos momentos mais marcantes da carreira — e um dos raros títulos absolutos para um navegador português na categoria rainha dos camiões.
Um Dakar decidido ao segundo — e que ainda não acabou
Com apenas 108 km cronometrados pela frente, o Dakar 2026 chega ao último dia com várias batalhas em aberto: Al‑Attiyah tem o título praticamente assegurado, Roma sobreviveu ao impossível e mantém o 2.º lugar, Ekström vs Loeb promete ser o duelo do dia: 29 segundos separam os dois., Navarro, Heger e Zala estão a um passo de títulos históricos.
Os portugueses chegam ao último dia com todos os representantes ainda em prova — um feito que, por si só, já merece destaque. Num Dakar marcado por etapas demolidoras, longas secções de pedra viva, navegação traiçoeira e uma taxa de desistências que voltou a subir este ano, o simples facto de todas as equipas nacionais continuarem na corrida é revelador de maturidade, preparação e resiliência. João Ferreira, Maria Gameiro, Hélder Rodrigues, Pedro Gonçalves, João Monteiro e Rui Carneiro — cada um na sua categoria, com máquinas e ambições distintas — conseguiram sobreviver a um percurso que castigou pilotos de topo e equipas oficiais.
Etapa 13 – Yanbu › Yanbu

A 13.ª e última etapa do Dakar 2026, disputada em Yanbu, representa o derradeiro teste após mais de duas semanas de competição extenuante. Com 141 km de percurso total, dos quais 105 km cronometrados, esta especial circular regressa ao coração do bivouac, junto ao mar Vermelho, oferecendo um final simultaneamente simbólico e tecnicamente exigente. A etapa está dividida em duas fases distintas: primeiro, uma secção mais montanhosa e irregular, marcada por pistas de gravilha, zonas estreitas e mudanças constantes de ritmo, onde a precisão de condução e a gestão da tração serão decisivas para evitar erros de última hora; depois, um deslocamento até à costa, onde os concorrentes enfrentam o último troço cronometrado, mais rápido mas igualmente traiçoeiro, com variações de piso e navegação que não permitem qualquer desconcentração. Apesar de curta, esta etapa final tem potencial para alterar classificações apertadas — especialmente nas batalhas por pódios — e exige dos pilotos uma derradeira demonstração de foco, controlo emocional e capacidade de adaptação, antes de finalmente cruzarem o arco de chegada em Yanbu


