Notícias do Mundo Motorizado

Da sétima posição à glória: Filipe Albuquerque acaba com dois anos de jejum em Road America

Filipe Albuquerque voltou a saber a que sabe vencer. Dois anos depois do último triunfo no IMSA WeatherTech SportsCar Championship, o piloto português, natural de Coimbra, e o companheiro de equipa Ricky Taylor conquistaram a vitória no Motul SportsCar Endurance Grand Prix, disputado em Road America, ao volante do Cadillac V-Series.R #10 da Cadillac Wayne Taylor Racing. A prova, válida para a quarta ronda do IMSA Michelin Endurance Cup da temporada de 2026, ficará recordada como uma das mais dramáticas do calendário.

Desde o triunfo em Detroit, em julho de 2024 — na altura ainda com um Acura ARX-06, antes da mudança da equipa para a Cadillac —, a dupla luso-americana atravessou 24 meses de contrariedades. Este fim de semana, a qualificação nem sequer sorriu a Albuquerque e Taylor, que arrancaram apenas da sétima posição da grelha. Ainda assim, ao longo das seis horas de corrida, foram construindo, volta a volta, a reviravolta que parecia impossível, até assumirem a liderança a cerca de 90 minutos do fim, quando Albuquerque ultrapassou Jack Aitken, do Cadillac #31.

A corrida em Elkhart Lake, no Wisconsin, foi marcada por nada menos do que nove períodos de safety car, incidentes e diversas penalizações, num dos finais mais tensos de que há memória no campeonato norte-americano. Nos derradeiros minutos, com o Cadillac #10 na frente, um violento acidente entre Kevin Estre (Porsche #6, Porsche Penske Motorsport) e o próprio Jack Aitken, na luta pelo segundo lugar, atirou ambos os carros para as barreiras de pneus na curva 1 e ditou o final da corrida sob bandeira amarela — selando assim a vitória de Albuquerque e Taylor. No pódio, seguiram-se o Porsche #5 da JDC-Miller MotorSports, de Laurin Heinrich, Kaylen Frederick e Tijmen van der Helm, e o segundo Cadillac da Wayne Taylor Racing, o #40, tripulado por Louis Deletraz e Jordan Taylor.

Visivelmente emocionado, Albuquerque não escondeu o significado especial desta vitória. Nas declarações recolhidas após a corrida, o piloto português explicou que tudo correu como planeado, desde a ultrapassagem ao carro #31 até à gestão cuidadosa da liderança nos vários recomeços, sabendo que os Porsche vinham fortes atrás. Para o piloto, este triunfo vale mais do que muitos outros que já somou ao longo da carreira, precisamente pelo que a equipa teve de superar para lá chegar. Ricky Taylor, seu companheiro de volante, também admitiu a dificuldade em encontrar palavras perante uma espera tão longa.

Já em declarações mais pessoais, Albuquerque resumiu a travessia do deserto dos últimos dois anos: foram meses de dureza indescritível, em que a mente prega partidas quando a tempestade não passa e os resultados teimam em não aparecer. O piloto chegou a duvidar de si próprio e da equipa, questionando-se se ainda teriam o que era preciso para vencer — mas garantiu que esta vitória veio provar que estava enganado. Partir do sétimo lugar e subir ao degrau mais alto do pódio é, para Albuquerque, a prova de que a resiliência compensa e de que nunca deixaram de acreditar, mesmo perante os percalços de uma corrida tão longa. No final, ficou a confirmação: ainda sabe ganhar corridas.

O triunfo tem ainda impacto direto na luta pelo título de 2026, já que Jack Aitken, até aqui em posição de destaque na classificação, perdeu pontos preciosos com o acidente que travou também a sua corrida — a segunda prova consecutiva manchada por polémica para o piloto do Cadillac #31.

Depois de um fim de semana de emoções fortes, Filipe Albuquerque entra agora no habitual interregno de verão, regressando à competição a 19 e 20 de setembro, em Indianápolis, onde tentará confirmar que Road America foi, de facto, o ponto de viragem de uma temporada atípica.