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Não havia mais nada para ganharem…

Não havia mais nada para ganharem, pois Miguel Barbosa e Pedro Velosa venceram tudo o que havia para ganhar na Baja T.T. ACP Santiago do Cacém/Grândola. Foram os mais rápidos no prólogo e nos três sectores selectivos desta segunda prova do Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48. Já há algum tempo que não acontecia um domínio tão absoluto como o exercido pela Toyota Hilux dos vencedores…

A vantagem de Miguel Barbosa e Pedro Velosa começou por ser de apenas cinco segundos. Depois, ampliou-se para 55 segundos e até final do primeiro dia de prova, ainda subiu a um minuto e 35 segundos. Já neste domingo, depois do terceiro sector selectivo, o mais longo de toda esta Baja T.T. ACP, com 136,1 quilómetros, elevou-se para um total de dois minutos e 33 segundos. “Esta Toyota Hilux é verdadeiramente impressionante e neste traçado, com imensas passagens em areia, permitiu-nos imprimir um andamento muito forte que, evidentemente, se reflectiu no resultado”. Quem o diz é Miguel Barbosa, que regressou ao Campeonato de Portugal de Todo Terreno AM|48 com a participação na Baja T.T. ACP, “atingindo desde já os objectivos que definimos, ou seja, viemos para ganhar e saímos vencedores!”

Apostado em conseguir um oitavo título de campeão de todo terreno, alargando ainda mais o seu recorde, Miguel Barbosa nunca baixou os braços. Daí o crescendo da vantagem que o único piloto a comandar a prova foi adquirindo.

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QUANDO PERCEBERAM QUE OS COMANDANTES ESTAVAM FORA DE ALCANCE. JOÃO RAMOS E VICTOR JESUS OPTARAM POR NÃO CORRER RISCOS E ASSEGURAR O SEGUNDO POSTO E OS PRIMEIROS PONTOS

João Ramos e Victor Jesus “jogaram” pelo seguro

E tal como os vencedores jamais permitiram que algum adversário ocupasse a primeira posição, também João Ramos e Victor Jesus monopolizaram o segundo lugar de princípio a fim. “No final do primeiro dia, já estávamos a cerca de minuto e meio da liderança e as posições ainda poderiam inverter-se, pois bastava um furo, que pode acontecer a qualquer um, para que a vantagem se perdesse”, declarou João Ramos.

Ainda no início do sector final, João Ramos e Victor Jesus perceberam que era inútil “manter o andamento ao ataque”. E optaram por refrear um pouco a condução, “começando a pensar que mais valia assegurar o segundo posto e pensar nos pontos para o campeonato, que arriscar e tudo perder!”

Aliás, houve um momento, ainda na parte inicial da etapa deste domingo, em que “foi por pouco que não capotámos, à saída de um gancho apertado. Estava a contar que a traseira rodasse mais e o carro como que agarrou e ficou em duas rodas. Depois, deu ainda um voo enorme e foi por uma unha negra que a corrida não acabou aí!” Nesta curva “traiçoeira”, numa zona espectáculo, próxima de Ermidas do Sado, a Toyota Hilux de João Ramos e Victor Jesus foi, por isso mesmo, a mais aplaudida. Mas boa parte dos concorrentes foi surpreendida pelo degrau neste gancho e embora nenhum carro se tenha virado, muitos andaram em duas rodas…

“Quando arrancámos dali, reflectimos e decidimos segurar o segundo lugar”, confessou João Ramos. Seja como for, “não perdemos o controlo da situação”, que é como quem diz, o controlo dos adversários. E este foi o único dos quatro troços em que João Ramos não secundou Miguel Barbosa. Essa posição, no terceiro sector selectivo, coube ao Mini John Cooper Works Rally de Alejandro Martins e José Marques.

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O TERCEIRO LUGAR DE ALEJANDRO MARTINS E JOSÉ MARQUES REFLECTE O INCREMENTO DA CONFIANÇA DO PILOTO AO VOLANTE DO MINI JOHN COOPER WORKS RALLY. QUE VENHAM MAIS PROVAS!…

“Sinto-me cada vez mais confiante e adaptado ao Mini”, considera Alejandro Martins. “Mas esta prova foi uma surpresa enorme, com tanta areia, por entre árvores e trilhos estreitos, com imensas sequências de curvas a 90 graus, não em nada favoreciam o Mini, que tem pouca brecagem”, prosseguiu o piloto. E em balanço final, Alejandro Martins manifestou-se “satisfeito, pois além de termos conseguido um terceiro lugar final, no último sector selectivo fomos segundos” – perdendo 28 segundos para a Hilux de Miguel Barbosa.

Tiago Reis e Valter Cardoso reforçam liderança CPTT

Partindo para a última etapa com apenas 22 segundos de atraso sobre o Mini John Cooper Works Rally assistido pela MRacing, Tiago Reis e Valter Cardoso arrancaram dispostos a não darem tréguas aos seus mais directos adversários. Quando estavam cumpridos 60 dos 136,1 quilómetros do terceiro sector selectivo, percebemos que os esforços não estavam a resultar, pois tinham perdido mais alguns segundos, aumentando a diferença para 31,1 segundos. “Continuávamos dispostos a atacar e a dar tudo para ultrapassarmos Alejandro Martins na classificação”, disse-nos Tiago Reis, enquanto o seu navegador, Valter Cardoso, acrescentava: “Ao quilómetro 90, quando estávamos a descrever um gancho apertado, ouvimos um estalo grande e não tardou a percebermos que algo na transmissão tinha cedido.” E o pior é que a prova estava a entrar no último percurso todo em areia…

“Sem tracção integral na parte final, foi muito penoso a partir o objectivo passou a ser daí terminar a prova sem descer posições”, prosseguiu Tiago Reis, rematando que “não fiquei adepto dos pisos de areia e o resultado não foi o melhor mas, pelo menos, permite-nos continuar à frente do campeonato e ainda há mais cinco provas para continuarmos a lutar para defender o título de campeões!”

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DESTA VEZ, TIAGO REIS E VALTER CARDOSO FICARAM FORA DO PÓDIO. MAS AO LEVAREM O MITSUBISHI RACING LANCER AO QUARTO POSTO, MARCARAM PONTOS SUFICIENTES PARA SEGUIREM NA LIDERANÇA DO CPTT AM|48 2020

Irmãos Ré ganham de novo categoria T3

Conformado com o resultado final, até porque entende que esta prova acentuava a desvantagem da Fiat Fullback, face aos quatro carros que terminaram à sua frente, “todos mais recentes e competitivos”, Nuno Matos dificilmente teria conseguido melhor que o quinto lugar. O piloto de Portalegre, acompanhado por Joel Lutas, foi um dos que melhorou a sua posição na última etapa, batendo por perto de dois minutos o Can Am Maverick X3 de Alexandre e Pedro Ré.

“A parte inicial era muito rápida e ter-me-ia deliciado a percorrê-la com a Volkswagen Amarok do ano passado, pois não permitia-me acelerar ainda mais, ao contrário do Can Am, que para correr no grupo T3, é sujeito a grandes restrições, que limitam o seu andamento”, disse-nos Alexandre Ré. Para este piloto, “algumas passagens em areia foram divertidas, mas outras muito massacrantes, pelo que o sexto lugar final não deixa de ser uma belo resultado!”

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SEGUNDA VITÓRIA CONSECUTIVA DOS IRMÃOS ALEXANDRE E PEDRO RÉ NA CATEGORA T3. NAS AREIAS DO LITORAL ALENTEJANO, O CAN AM MAVERICK X3 TERMINOU NO SEXTO LUGAR ABSOLUTO

Conseguirem terminar três provas seguidas é uma raridade para Nuno Madeira e Filipe Serra, desde que conduzem o Kia Sportage Proto. Mas depois de terem sido décimos em Portalegre, no final do ano passado, e de terem ficado no “top 10” igualmente em Beja, na abertura deste campeonato, agora, na Baja T.T. ACP, subiram até ao sétimo posto final. Seguiu-se a Ford Ranger de André Amaral e Nelson Ramos, que protagonizaram uma das recuperações que culminou com um lugar no “top 10”. Esta dupla subiu do 11º para o 8º lugar absoluto, ultrapassando o Mini Countryman do espanhol Luís Recuenco, para quem uma saída de estrada custou nove posições, trocando o 8º pelo 17º lugar!

À terceira Toyota Hilux em prova coube o nono lugar final. Falamos do carro de Paulo Rui Ferreira e Jorge Monteiro, que ascenderam do 12º ao 9º lugar. “Chegámos a estar no oitavo posto, batendo o André Amaral, que perseguimos durante imensos quilómetros sem o conseguir ultrapassar”, revelou Paulo Rui Ferreira. “O sistema Sentinel do nosso carro não funcionava, pelo que o mais certo é que André Amaral nunca tenha percebido que estávamos mesmo atrás do carro dele”. E foi num dos momentos em que “cegos pelo pó, que era ainda mais fino e denso na parte em areia, que falhámos um cruzamento e andámos um pouco perdidos”. Não obstante esta situação, a equipa de Leiria ficou a apenas um minuto de Amaral e conseguiu “suster” a Nissan Pick-up Proto de Luís Dias e Pedro Cunha Rêgo por 49,9 segundos. Luís Dias, que abriu os portões da sua propriedade rural, a Herdade das Barradas da Serra, nos arredores de Grândola, para acolher o prólogo da Baja T.T. ACP, começou em nono e por muito pouco não terminou na mesma posição, pois só mesmo na fase final desceu para o último lugar do “top 10”.

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PAULO RUI FERREIRA À CONVERSA COM JOÃO FERREIRA. NA BAJA T.T. ACP, PAI E FILHO TIVERAM DESEMPENHOS DIFERENTES: PAULO RUI FERREIRA E JORGE MONTEIRO FORAM NONOS COM A TOYOTA HILUX, E OS FILHOS DE AMBOS, JOÃO FERREIRA E DAVID MONTEIRO, DESISTIRAM QUASE NO FINAL, QUANDO LIDERAVAM O GRUPO T2

E quem foram os autores das melhores recuperações?

A mais expressiva recuperação foi a protagonizada pela dupla que abriu o grupo logo atrás do “top 10”. Foram eles Edgar Condenso e Nuno Silva: começaram a etapa final em 17º e terminaram no 11º lugar, “depois de uma corrida que começou com problemas de motor, que falhava nos regimes mais elevados”, conforme indicou Edgar Condenso. Este piloto, no entanto, terminou sorridente, adiantando-nos que “nos últimos quilómetros tudo correu bem e pudémos andar cada vez mais depressa, divertindo-nos imenso”, além de terem subido posições atrás de posições…

No mesmo registo, sempre a recuperar, estiveram Lino Carapeta e Rui António, que melhoraram três lugares, para levarem o Land Rover Bowler Proto à 12ª posição. E se houve muitos pilotos que no final manifestaram o seu agrado pela escolha dos pisos, adoptada pela equipa do ACP Motorsport, Lino Carapeta foi um deles: “Pareceu-me uma prova equilibrada e a areia foi realmente um factor diferenciador, lembrando-nos que esta foi uma corrida de todo terreno!”

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TERCEIRA VITÓRIA CONSECUTIVA NO GRUPO T8 PARA FRANCISCO BARRETO, QUE NA BAJA T.T. ACP VOLTOU A TER A COMPANHIA DE SÉRGIO CERVEIRA NO LUGAR DO NAVEGADOR

Domínio de Francisco Barreto e Sérgio Cerveira em T8

Autores de uma corrida bastante equilibrada e consistente, pois iniciaram a Baja T.T. ACP no 15º lugar e terminaram em 14º, Francisco Barreto e Sérgio Cerveira evidenciaram um domínio total da classificação reservada ao grupo T8. Para o piloto algarvio, esta foi, aliás, a terceira vitória consecutiva nesta categoria. E se uma vez mais a Nissan Pick-up V6 de Barreto sentiu a oposição da Navara de Henrique e João Lourenço, como tinha acontecido em Beja, acabaram por ser secundados pelo Mitusbishi Pajero de Carlos Faustino e Rui Gomes; Os Lourenço, pai e filho, desistiram ingloriamente a três quilómetros do final da primeira etapa, quando o motor da sua Nissan Navara se “calou”, por ter ficado sem…gasolina! O esforço da condução em areia também teve este efeito: fez subir os consumos médios e nem toda a gente contou com esta possibilidade…

Assinale-se que entre os dois melhores do grupo T8 – e no 15º posto absoluto – colocou-se o Mercedes-Benz A140 Proto de Jorge Cardoso e André Barras. O piloto de Salvaterra de Magos fez uma prova sempre a subir na classificação; entre o prólogo e a chegada final a Santiago do Cacém, melhorou nove lugares!

Vitória surpresa de João Franco e Pedro Inácio em T2

Se pensarmos em recuperar lugares, diremos que os maiores “campeões” nesta prova foram os seus participantes mais jovens de todos, à beira dos 20 anos. João Franco e Pedro Inácio saíram do prólogo no 35º posto absoluto e terminaram em 22º. Ainda mais importante que a recuperação de 13 posições foi terem…ganho o grupo T2, tornando o resultado perfeitamente surpreendente.

Dizemos que foi uma surpresa porque além de ter sido a segunda participação desta dupla e da Nissan Pick-up que dispõem ser uma máquina que já acusa o peso da idade, quase a deles próprios, bateram os favoritos. E bateram-nos porque eles…falharam! Salvo seja, que ninguém procurou o insucesso, mas sim o contrário.

Georgino Pedroso e Carlos Silva regressaram ao CPTT AM|48 com a Isuzu D-Max e colocaram-se à frente do grupo T2 no prólogo. Mas no primeiro sector selectivo, ficaram atascados em areia uns 40 minutos e a transmissão da Isuzu sofreu demasiados esforços para que pudessem ter continuado. Mas como o regulamento lhes permitiu voltar à prova no dia seguinte, não desperdiçaram a oportunidade e acabaram recompensados pelo segundo lugar da categoria, “o primeiro passo para lutarmos pela revalidação do título que conquistámos o ano passado”, sublinhou Carlos Silva.

Já João Ferreira e David Monteiro, estiveram à frente do grupo T2 durante grande parte da corrida; até cerca de 30 quilómetros da chegada, porque foi nessa altura que se partiu o amortecedor dianteiro do lado direito do Nissan Pathfinder. E o esforço de terem rodado assim nas pistas de areia levou à quebra de um semi-eixo. Quando deixaram de poder contar com tracção integral, tornou-se impossível prosseguir. E João Ferreira e David Monteiro ficaram pelo caminho.

E a “taça” foi para João Paulo Oliveira e Pedro Cação

Em paralelo à corrida do CPTT AM|48, a Baja T.T. ACP pontuou para a Taça de Portugal de Todo Terreno. Desta feita, apresentaram-se cinco equipas à partida, para um programa mais suave, como é regra: disputaram o prólogo, sábado de manhã, e o último sector selectivo, no domingo.

No prólogo, a vitória da Nissan Pick-up de Joel Marrazes e Fábio Ribeiro foi conquistada por um centésimo de segundo de vantagem sobre o Nissan Terrano II de João Paulo Oliveira e Pedro Cação. O primeiro comandante já tinha descido ao terceiro lugar ainda o percurso não ia a meio, acabando mesmo por desistir, tal como sucedeu com a Nissan Navara de Jorge Moreira e Maria Beatriz Moreira – mais uma dupla familiar, pai e filha!

À chegada, João Paulo Oliveira e Pedro Cação venceram sem contestação, pois o Nissan Terrano II desta dupla conseguiu 18 minutos e 16 segundos de avanço sobre a Nissan Pick-up D21 de Luís e Hugo Rodrigues. E os dois irmãos deixaram a Nissan Pick-up D22 de Carlos Macedo e Jorge Martins a 17 minutos e 18 segundos…

Texto: Alexandre Correia Fotos: Aifa/Jorge Cunha e ACP/Paulo Maria-José Nogueira