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Extremamente condensado de todo terreno

Extremamente condensado, o programa da Extreme E prometia uma emotividade que não vimos. Para uma competição entre carros absolutamente iguais, foi uma desagradável surpresa registar as diferenças tão marcantes logo após a primeira volta. Seja como for, isso não retira em nada o mérito aos primeiros vencedores: Johan Kristoffersson e Molly Taylor, da equipa de Nico Rosberg dominaram sem dificuldades, ganhando por 23 segundos de avanço, após as duas voltas da ‘grande final’. Uma corrida mínima, é claro…

Claro que todos sabíamos o programa definido para as provas da Extreme E. Mas talvez as expectativas geradas pela nova competição de todo terreno disputada apenas com veículos eléctricos tenham sido demasiado empoladas. Porque, na verdade, a jornada inaugural esteve longe de proporcionar a emotividade que os organizadores preconizavam. E pelo que vimos, parece-nos que o problema está no programa extremamente condensado destas provas.

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O MOMENTO EM QUE MOLLY TAYLOR AVANÇA PARA SUCEDER A JOHAN KRISTOFFERSSON, NO FINAL DA PRIMEIRA VOLTA. O AVANÇO QUE O PILOTO SUECO JÁ TINHA CONQUISTADO ERA TAL QUE A PILOTO AUSTRALIANA NÃO TEVE DIFICULDADES EM MANTER A LIDERANÇA E GANHAR A CORRIDA

Troca de condutores a meio foi um dos maiores desafios

Quando falamos num programa extremamente condensado, falamos num corrida com apenas duas voltas, num total de 18 quilómetros! E pelo meio, cada concorrente tem de parar junto ao ‘paddok’, para uma troca de condutores. No caso desta primeira prova, nas imediações do oásis de Al Ula, no nordeste da Arábia Saudita, o facto do próprio ‘paddok’ ter sido improvisado sobre areia aumentou o desafio. Porque como cada segundo conta, correr para o carro sobre a areia não é tão rápido quanto sobre piso firme.

Uma das surpresas foi a escolha generalizada das nove equipas que, relembramos, compreende dois pilotos de sexos opostos: só no último momento é que as equipas tinham de revelar quem partiria ao volante no primeiro turno e todas as formações escolheram arrancar com os homens.

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LOGO APÓS O ARRANQUE, TIMMY HANSEN DESTACOU-SE, ADIANTANDO-SE A SÉBASTIEN LOEB, QUE SEGUIA EM SEGUNDO, E A JOHAN KRISTOFFERSSON. O SUECO LOGO A SEGUIR CHEGOU À LIDERANÇA E NÃO LARGOU MAIS A DIANTEIRA

As duplas Sébastien Loeb e Cristina Gutierrez, e Carlos Sainz e Laia Sanz eram as duas equipas mais favoritas, pela experiência em todo terreno. Aliás, conheciam até os cenários da prova, recentemente visitados no Rali Dakar. Mas ambos sentiram problemas com a direcção assistida dos seus carros, que condicionaram bastante os respectivos desempenhos.

Na meia-final, Carlos Sainz e Laia Sanz não conseguiram garantir a qualificação precisamente devido à falta de direcção assistida, que torna a condução mais dura e difícil. Só os dois melhores tinham lugar na final. E quem ganhou foi a dupla Sébastien Loeb/Cristina Gutierrez e a dupla formada pelo sueco Johan Kristoffersson e a australiana Molly Taylor. A terceira formação a participar na final foi a vencedora da segunda semi-final, a chamada ‘Crazy Race’: com o sueco Timmy Hansen e a britânica Catie Munnings.

Programa extremamente condensado e corrida brevíssima

A história da semi-final, da ‘Crazy Race’ e da Grande Final resume-se quase ao mesmo: um programa extremamente condensado como este, só podia ter uma corrida brevíssima. Daí que o mais pequeno erro ou problema é irrecuperável. Foi assim que Carlos Sainz arrancou na frente para a semi-final, mas ao ficar sem direcção assistida ainda nos primeiros metros, imediatamente foi ultrapassado. A partir daí, limitou-se a concluir a prova, tal como aconteceu com a sua parceira, pois Laia Sanz não ampliou o atraso.

Na Grande Final, Sébastien Loeb arrancou em força, mas já era o último dos três concorrentes quando deixaram a área da partida. E após as duas voltas, o atraso de Loeb e da sua companheira de equipa, Cristina Gutierrez, foi de um minuto e 38 segundos, que só os problemas de direcção podem explicar. Já os 23,73 segundos que separaram os dois primeiros, são mais aceitáveis. Timmy Hansen entrou no circuito à frente, mas foi logo ultrapassado pelo carro conduzido por Johan Kristoffersson. E este, ao ceder o volante a Molly Taylor já tinha a primazia suficientemente consolidada e quando Hansen trocou com Catie Munnings, o comandante já estava de novo a rolar.

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UM PROBLEMA COM A DIRECÇÃO ASSISTIDA IMPEDIU SÉBASTIEN LOEB E CRISTINA GUTIERREZ DE DISCUTIR A VITÓRIA; ALIÁS, NÃO DISCUTIRAM NADA, POIS LIMITARAM-SE A SER ÚLTIMOS…

Texto: Alexandre Correia Fotos: Steven Tee, Sam Bloxham, Zak Mauger