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UMM celebra 49 anos com história e calor humano entre Óbidos e Caldas da Rainha

O sol não deu tréguas neste sábado, mas o calor do termómetro ficou pequeno perto do entusiasmo que se viveu na festa dos 49 anos da UMM. O programa, recheado de boa disposição, decorreu entre Óbidos e Caldas da Rainha e provou que, quando se trata de celebrar uma marca com história, o ânimo dos participantes fala sempre mais alto do que as temperaturas de Verão.

Com a Foz do Arelho ali tão perto, a tentação de um mergulho refrescante era grande. Mas a centena de associados do Clube UMM que, ao final da manhã, desfilou junto às margens da Lagoa de Óbidos não estava ali por causa do mar. Vinha antes coberta da poeira dos caminhos de terra batida que uniram o Óbidos Off-Road Center àquele ponto de chegada — um pó que, longe de incomodar, parecia quase um troféu conquistado ao final do percurso.

A iniciativa, levada a cabo pelo Clube UMM em conjunto com o Óbidos Off-Road Center, teve como propósito assinalar as quase cinco décadas desde o arranque da UMM, marca portuguesa de todo-o-terreno que se apresentou publicamente em 1977, na Feira Internacional de Lisboa, com os primeiros exemplares saídos da linha de montagem instalada na zona de Sintra.

Entre os presentes na celebração contava-se João Tojal, que gosta de recordar, com evidente satisfação, ter sido “o décimo terceiro funcionário a entrar para a UMM”. Foi ele próprio quem pintou as unidades destinadas àquela primeira apresentação ao público, numa altura em que, segundo conta, “a expectativa era ainda imensa” à volta do projecto da União Metalo Mecânica. O arranque da produção, em 1978, foi discreto, e só ganhou verdadeira dimensão dois anos depois, “quando a montagem é transferida da fábrica de Mem-Martins para a Movauto, em Setúbal”. Tojal integrou também, como sétimo elemento, a primeira participação da UMM no Rali Paris-Dakar, em 1982, onde ficou encarregue da coordenação entre as três equipas em prova e a direcção da marca, os irmãos João e Manuel Baptista da Silva. “Em Lisboa iam recebendo os meus relatórios e reenviando as suas indicações”, recorda, numa época em que comunicar a partir de África era tudo menos simples. “É incrível, mas naquela altura em África praticamente não havia sequer redes de comunicações e conseguir enviar informação sobre o que se estava a passar era quase um milagre.”

O dia terminou com um longo almoço nos arredores das Caldas da Rainha, que reuniu à mesa alguns dos veteranos da marca e deu origem a uma animada troca de recordações. Arsénio Azinhais, prestes a completar 80 anos, foi uma das vozes dessa tertúlia. Ligado à UMM ainda antes de a marca existir formalmente, recorda as circunstâncias insólitas que o levaram até lá: “Estava emigrado e vim de férias quando um amigo me falou do projecto e disse que estavam à procura de pessoas com competências como a minha. Por curiosidade, fui a uma entrevista na sede da UMM, na Rua das Flores, e saí de lá com as chaves dos pavilhões onde a marca se instalou, em Mem-Martins.” Apesar de lhe ter calhado o número 5 como funcionário, foi na prática o primeiro a pôr mãos à obra em Mem-Martins, onde assumiu uma missão que nunca esqueceu: “Fui encarregue de construir, à mão, o primeiro UMM alguma vez produzido, um 490. Os franceses da Cournil tinham-nos enviado dois carros deles, para vermos como eram, e foram a nossa base para começarmos a fazer os UMM.”

À frente da produção em Mem-Martins, Arsénio recorda que, ainda no início, “já conseguíamos fabricar sete unidades por dia”, mas a procura não parou de crescer — inclusive vinda de África — obrigando a marca a repensar a forma de montagem. Assim, em 1979, a produção passa para Setúbal, primeiro nas instalações da I.M.A. (Indústria de Montagem de Automóveis), onde também se montavam Austin, Morris e Land Rover. Um ano mais tarde, muda-se de novo, desta vez para a Movauto, ainda em Setúbal, “onde a produção permaneceu até ser interrompida, em 1993”, conta Arsénio, que geria então a montagem lado a lado com João Tojal, responsável pelos CKD — os kits com todas as peças necessárias à montagem de cada unidade.

As histórias de Arsénio pareciam não ter fim. Entre elas, recordou que a UMM chegou a comprar “um Land Rover, e andávamos sempre a compará-lo com os UMM, ensaiando-os em conjunto, para ver qual ia mais longe nos caminhos mais difíceis.” E remata, com um sorriso: “geralmente conseguíamos sempre ir mais além do Land Rover!” A produção da marca já pertence ao passado, mas é uma glória que o Clube UMM continua, com orgulho, a manter bem viva.

49º aniversário da UMM
49º aniversário da UMM
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