De 7 a 10 de Maio, a 59.ª edição do Vodafone Rally de Portugal junta os melhores pilotos do mundo em 344 quilómetros de terra, paixão e espectáculo.
Na próxima semana, Portugal volta a ser palco de um dos eventos mais emblemáticos do desporto motorizado mundial. O Vodafone Rally de Portugal, sexta ronda do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), disputa-se entre quinta-feira, 7, e domingo, 10 de Maio, com base na Exponor, em Matosinhos, e um percurso que atravessa o Centro e o Norte do país ao longo de 1874 quilómetros — 344,91 dos quais em troços cronometrados, distribuídos por 23 especiais.

Esta edição traz novidades logo desde a partida. A acção competitiva arranca na quinta-feira à noite com uma super-especial na Figueira da Foz — 1,93 km num traçado diferente dos anos anteriores —, antecedida pela cerimónia de arranque na histórica Porta Férrea da Universidade de Coimbra. É uma estreia que amplia o espectáculo logo no primeiro dia, colocando as equipas em pista três classificativas antes da etapa rainha. Na sexta-feira, as especiais de Arganil (18,62 km) e Góis (15,66 km) realizam-se em sentido contrário ao habitual, enquanto a classificativa de Lousã (7,07 km) é totalmente nova. O sábado reserva nove troços e o Super Domingo fecha a prova com quatro especiais, sendo que a segunda passagem por Fafe (11,18 km) voltará a ser a Power Stage — a mítica Pedra Sentada, onde dezenas de milhar de adeptos se concentram nas encostas, promete o seu ambiente inigualável de estádio ao ar livre.
O presidente da Comissão Organizadora, Carlos Barbosa, não esconde o entusiasmo: “A competição, a paixão e a dedicação são os ingredientes que fazem do Vodafone Rally de Portugal uma referência mundial. Os melhores pilotos e os melhores carros não perdem a etapa nacional, que ficam sempre na memória com a devoção dos milhares de espectadores que ao longo do percurso vibram com eles. É uma enorme festa que gera um impacto económico brutal nas regiões atravessadas pelo rally, mas que só se realiza graças ao empenho dos municípios envolvidos, dos organismos promotores do turismo e dos patrocinadores.”

São 70 as equipas inscritas, com 11 Rally 1 na lista de partida. A luta pelo título promete estar ao rubro: Elfyn Evans (Toyota) chega a Portugal como líder do campeonato, com 101 pontos, apenas dois à frente do seu companheiro de equipa Takamoto Katsuta, que chega em grande forma depois de duas vitórias consecutivas esta temporada. A Toyota Gazoo Racing domina o pelotão de topo com cinco carros nos seis primeiros lugares do campeonato, mas a Hyundai Shell Mobis, com Thierry Neuville e Adrien Fourmaux, promete ser adversária de peso nos troços portugueses.
O grande tema da prova tem nome e apelido: Sébastien Ogier. O francês, que cumpre uma presença parcial no WRC em 2026, regressa aos troços portugueses em busca do seu oitavo triunfo no Vodafone Rally de Portugal. Ogier, campeão do mundo em título — conquistou o nono título em 2025 num duelo épico com Evans decidido na última ronda, na Arábia Saudita — é já o piloto mais bem-sucedido da história desta prova. Uma nova vitória seria uma afirmação de prestígio e um golpe psicológico importante na luta pelo título: na classificação provisória do WRC, Evans lidera e Ogier segue mais atrás, mas a experiência do francês em solo português é um factor que nenhum cronometro ignora. Também Thierry Neuville, campeão do mundo em 2024, integra o lote de antigos vencedores em Portugal com ambições de repetir.

Entre os nomes a seguir de perto está Oliver Solberg, contratado pela Toyota para a temporada completa depois de se sagrar campeão do WRC2. O sueco, já vencedor de uma ronda do WRC no ano passado, na Estónia, pode impor-se como surpresa em Portugal. Do lado da Hyundai, Fourmaux tem crescido ao longo da época e não pode ser ignorado na equação para o pódio.
Em Rally 2, a categoria que reúne 44 carros inscritos, Yohan Rossel (Lancia) lidera o WRC2 e chega como favorito. Mas os holofotes nacionais apontam para os pilotos portugueses, muitos deles com ambições no Campeonato de Portugal de Ralis. Armindo Araújo, tricampeão do rali, é o mais experiente e o mais aguardado: embora ao volante de um Skoda — fora do Rally 1 —, o minhoto tem currículo suficiente para ser protagonista entre os seus, à semelhança de José Pedro Fontes. Em Rally 3, há 13 inscritos, com 9 concorrentes no WRC3 e 7 no JWRC.
Do ponto de vista técnico, a gestão dos pneus Hankook Dynapro R213 — exclusivos do WRC desde 2025 — será uma vez mais decisiva. Os troços portugueses, caracterizados por terra compacta que rapidamente se transforma num labirinto de pedras e sulcos, criam uma desvantagem natural para os pilotos que abrem estrada nas primeiras passagens de sexta-feira. Esta variável estratégica pode baralhar a ordem esperada e tornar a prova ainda mais imprevisível. A Exponor estará totalmente operacional a partir de domingo, 3 de Maio, com as verificações administrativas e os reconhecimentos do percurso a decorrer até quarta-feira, 6 de Maio.
O Vodafone Rally de Portugal é, acima de tudo, uma festa popular sem igual no desporto motorizado português. A cerimónia de pódio, que este ano muda de localização para junto da linha de chegada da derradeira classificativa, promete ser mais um momento de comunhão entre pilotos e adeptos. Das encostas de Fafe à Figueira da Foz, passando pelos pinhais de Arganil, o país vai parar para ver os melhores do mundo rasgar os seus troços. Não é um rali. É uma romaria.


