Nos dias 19 e 20 de Junho, Castelo Branco volta a transformar-se na capital dos ralis portugueses. A Escuderia Castelo Branco última os preparativos para mais uma edição do Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, prova que integra o calendário do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) — a competição máxima da modalidade em território nacional — e que este ano chega carregada de novidades pensadas para aproximar o desporto motorizado de todos os portugueses.

O CPR 2026 é composto por nove eventos, sendo as classificações finais correspondentes aos sete melhores resultados num total máximo de oito participações. Num calendário que inclui provas de projecção internacional — como o Rally de Portugal, a contar para o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) — o Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão assume um papel de peso particular: a quarta participação para pontuação final do CPR 2026 será uma opção obrigatória entre o Rally de Lisboa e o Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão. Ou seja, as melhores equipas nacionais terão de escolher entre estas duas provas — e muitas delas vão render-se às estradas da Beira Baixa.
A presença de Rúben Rodrigues nas estradas da Beira Baixa é, por si só, um motivo de interesse acrescido. O piloto açoriano da ARC Sport chega a Castelo Branco no segundo lugar do campeonato, com 52 pontos, depois de ter vencido as duas primeiras provas do campeonato: o Rali Terras D’Aboboreira e a etapa nacional do Vodafone Rally de Portugal, onde se estreou na maior prova mundial de ralis em Portugal com um domínio total. A sua escolha de Castelo Branco como prova obrigatória de pontuação revela-se agora particularmente interessante do ponto de vista estratégico: ao contrário dos seus principais rivais no campeonato — Pedro Almeida, Gonçalo Henriques, Armindo Araújo, José Pedro Fontes e Ricardo Teodósio, todos eles presentes em Lisboa para pontuar —, Rodrigues vai encontrar na Beira Baixa uma concorrência directa mais reduzida entre os candidatos ao título. Ainda assim, não estará sozinho na luta pelos pontos: Pedro Meireles, actualmente no sétimo lugar do campeonato com 26 pontos, e João Barros também escolheram Castelo Branco como prova de pontuação obrigatória, a par de Ricardo Filipe, Henrique Moniz, Rui Borges e Diogo Marujo, num grupo que promete animar a classificação nas estradas da Beira Baixa. Com o primeiro classificado, Pedro Almeida, a somar 64 pontos após Lisboa e a ir agora à sua frente na classificação geral, Castelo Branco torna-se um momento crucial para o açoriano recuperar a liderança. O próprio piloto não escondeu as intenções: no Rally de Lisboa, onde participou sem pontuar, o objectivo confessado foi “ganhar quilómetros e perceber o que podemos melhorar para o Rali de Castelo Branco.” A formação açoriana chega assim à Beira Baixa com o carro afinado, moral elevada — e com a consciência de que esta prova pode ser decisiva para o rumo do campeonato.

Ao longo de dois dias, 12 especiais classificativas vão pôr à prova a perícia dos pilotos e a resistência das máquinas, num total de 467,15 quilómetros, dos quais 125,89 serão cronometrados. A acção começa na manhã de 19 de Junho com o shakedown, seguindo-se a partida simbólica às 15h30 e o arranque da primeira classificativa às 16h53.
A edição deste ano traz novidades de monta. Regressa a Rotunda da Europa, que volta a integrar a Super-Especial Reconquista, desenhada para percorrer as ruas do centro de Castelo Branco e terminar numa das zonas nobres da cidade. O espectáculo fica ainda mais completo na Lubrialbi Power Stage, a classificativa que definirá o vencedor da prova: haverá fogo de artifício e a cerimónia de pódio realizar-se-á imediatamente após a chegada dos últimos carros. Ambas as classificativas contarão com zonas dedicadas a pessoas com mobilidade condicionada, numa aposta clara na inclusão.

Vila Velha de Ródão terá também mais protagonismo nesta edição, com uma nova Zona Espectáculo no Miradouro da localidade, devolvendo à Beira Baixa mais um palco de emoções.
Para os entusiastas que queiram ver os automóveis ao vivo e de perto, o Parque Fechado regressa às “Docas” de Castelo Branco, junto à Fonte Luminosa — onde também terá lugar, na véspera da prova, uma sessão de autógrafos às 18h30, com animações de rua. O Parque de Assistência mantém-se no Parque de Desportos Motorizados de Castelo Branco.
O Director de Prova, Nuno Almeida Santos, não hesita em explicar a filosofia da organização: “Para este ano, a organização procurou tornar o Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão ainda mais acessível a todos. Acreditamos que a modalidade é uma festa para toda a gente e criámos condições para que isso seja uma evidência.” O responsável deixa, ainda, um apelo ao cumprimento das regras de segurança e pede que o público siga as indicações da organização.
Falta apenas uma semana para que as estradas da Beira Baixa se transformem num circuito de alta velocidade. Para os apaixonados pelos ralis — e para os simples curiosos —, este é o programa do fim de semana que não se pode perder.

