O Toyota FJ foi hoje oficialmente lançado no mercado japonês, mas já está disponível desde há dias na África do Sul e desde março que é vendido na Tailândia, onde é fabricado. E segundo a marca, nesta nova geração a sigla FJ significa “Freedom and Joy”, literalmente liberdade e alegria. Destina-se sobretudo aos mercados em desenvolvimento…

Ao fazer renascer esta designação mítica da gama Land Cruiser, a Toyota diz que pretende “democratizar uma lenda”. Com quase 4,6 metros de comprimento, este puro todo terreno oferece as mesmas aptidões fora da estrada da série 250, mas não nasceu para ser comercializado globalmente, já que o motor a gasolina de 2,7 litros com 163 cv não cumpre as normas de emissões exigidas quer para os EUA, quer para a Europa, onde provavelmente faria sucesso, preenchendo uma lacuna nesta classe de veículos…
Mais do que instrumentos para diversão dos aficionados pela conquista dos espaços que se estendem além do asfalto, os todo terreno de alta capacidade, como este FJ anuncia ser, são também uma classe de veículos essenciais para operações profissionais e de segurança, como bombeiros, equipas de protecção civil e forças armadas. A Toyota sabe-o perfeitamente, mas a dimensão deste mercado na Europa não é suficiente para a marca justificar os investimentos necessários para que o modelo se pudesse enquadrar nas exigentes regras que são requeridas.
Assim, a aposta é deliberadamente nos mercados “em desenvolvimento”, que conferem maior liberdade aos construtores e onde, acima de tudo, é importante disponibilizar veículos robustos, muito versáteis e capazes de consumir combustíveis pobres, como é o caso do motor 2TR-FE, que neste tipo de mercados já deu provas, pois é montado na pick-up Hilux e na variante de passageiros, o Fortuner.

O Land Cruiser FJ vem juntar-se à família já existente da gama — as séries 300, 70 e 250 — posicionando-se como a opção de entrada na hierarquia do modelo mais vendido da Toyota em todo o mundo. Com vendas acumuladas de cerca de 12,4 milhões de unidades em mais de 190 países e regiões, o Land Cruiser é muito mais do que um automóvel: é uma ferramenta de vida para milhões de pessoas. O FJ é, assumidamente, a aposta da Toyota para alargar ainda mais esse universo. Nas palavras da marca, o objetivo foi sempre claro: criar “um veículo que permita a clientes com estilos de vida diversificados abraçar a liberdade de ir a qualquer lugar e enriquecer as suas vidas com experiências repletas de alegria”.
O nome não é escolha inocente. “FJ” é um acrónimo retroativo de “Freedom & Joy”, mas é também uma homenagem direta ao mítico FJ40, o Land Cruiser produzido entre as décadas de 1960 e 1980 que se tornou sinónimo de aventura sem limites. O projeto, internamente conhecido como “Project 500D”, esteve em desenvolvimento durante vários anos e foi revelado ao mundo pela primeira vez no Japan Mobility Show, em outubro de 2025, antes do lançamento comercial agora concretizado.
Menor, mas não menos capaz
Um dos maiores receios de qualquer fã da gama seria que a compactação viesse a comprometer a essência do Land Cruiser. A Toyota tratou de dissipar essa preocupação logo ao nível da estrutura: o FJ assenta numa plataforma de chassis em escada (ladder frame), a mesma filosofia construtiva que distingue os verdadeiros todo-o-terreno dos SUV de monocoque. A plataforma foi refinada a partir da série IMV — utilizada no Hilux —, e adaptada às dimensões mais reduzidas do novo modelo, com reforços laterais adicionais para melhorar a rigidez e a estabilidade.

Em termos de dimensões, o FJ mede 4.575 mm de comprimento, 1.855 mm de largura e tem uma distância entre eixos de 2.580 mm — respetivamente 350 mm, 125 mm e 270 mm mais curto do que a série 250. Esta compactação tem um efeito direto na manobrabilidade: o raio de viragem mínimo é de apenas 5,5 metros, o que representa uma vantagem significativa tanto em contexto urbano como nos trilhos mais técnicos. A guarda ao solo e os ângulos de ataque e saída são equivalentes aos da série 250, enquanto a articulação das rodas — capacidade de manter os pneus em contacto com o solo em terrenos irregulares — iguala os valores da lendária série 70. Um feito assinalável para um veículo com este tamanho.
Motor e mecânica: fiabilidade acima de tudo
Sob o capô reside um motor a gasolina de 2,7 litros de aspiração natural (2TR-FE), o mesmo utilizado noutros modelos globais da Toyota como o Hilux e o Fortuner. Com uma potência máxima de 120 kW (163 CV) e um binário máximo de 246 N·m, este propulsor é associado a uma transmissão automática de 6 velocidades Super ECT. A escolha pode não entusiasmar os adeptos de motores turbo, mas cumpre um propósito preciso: fiabilidade extrema, tolerância a combustíveis de menor qualidade e facilidade de manutenção — características essenciais nos mercados em desenvolvimento para os quais o FJ é principalmente destinado. O consumo homologado em ciclo WLTC é de 8,7 km/litro. A suspensão conta com duplo braço oscilante de montagem alta na frente e eixo rígido com quatro barras longitudinais e barra Panhard na retaguarda.

Para apoiar a condução fora de estrada, o FJ dispõe de um conjunto de sistemas eletrónicos de apoio: o DAC (Downhill Assist Control) controla a descida em declives acentuados sem bloquear os pneus; o HAC (Hill Start Assist Control) impede o recuo ao arrancar em subidas; e o bloqueio eletrónico do diferencial traseiro garante tração adicional nos momentos mais exigentes.
Design: o cubo que quer ir a toda a parte
O FJ tem uma personalidade visual inconfundível. A carroçaria adota um perfil quadrado e robusto, com cabine ereta que privilegia a habitabilidade e a capacidade de carga — traços que definiram todas as gerações do Land Cruiser. O elemento de design mais distintivo é o chamado “dice motif”: um visual inspirado num dado, com arestas chanfradas que conferem ao FJ um carácter simultaneamente funcional e divertido. Os faróis e as luzes traseiras seguem uma forma em “U”, totalmente integrada na estrutura frontal. Os para-choques dianteiro e traseiro são segmentados e amovíveis, o que facilita a reparação em caso de dano off-road — uma solução prática e economicamente inteligente. A silhueta lateral beneficia de uma linha de cintura rebaixada, melhorando a visibilidade do condutor sobre o terreno. De série, o FJ inclui barras de tejadilho, estribos laterais e uma placa de proteção frontal para o motor e a transmissão. A roda suplente está montada na porta traseira, numa clara homenagem aos modelos anteriores da família. Estão disponíveis cinco cores de carroçaria em monotom, incluindo o Smoky Blue e o Oxide Bronze Metallic.

O habitáculo aposta num layout de cockpit horizontal, com painel de instrumentos de leitura intuitiva, comandos concentrados para minimizar o desvio do olhar e uma alavanca de velocidades de operação natural. O equipamento de série inclui monitor de visão panorâmica, sensor de ângulo morto e um sistema de áudio com ecrã de 12,3 polegadas com navegação conectada. A segurança ativa está assegurada pelo Toyota Safety Sense, que engloba sistema de travagem de pré-colisão e alerta de saída de faixa, entre outras funções.
No que respeita ao espaço interior, o FJ acolhe cinco ocupantes em duas filas de assentos. A segunda fila tem divisão 6:4, desliza longitudinalmente e recline, estando disponível com reposabéques. Com os banhos traseiros na posição de uso, o volume de bagageira é de 795 litros — um valor generoso para um veículo desta categoria. Com os bancos rebatidos, esse valor sobe para 1.607 litros.
Land Hopper: a mobilidade que vai ainda mais longe
A grande novidade que acompanha o lançamento do FJ não tem quatro rodas — tem três. O Land Hopper é um veículo elétrico de mobilidade pessoal, concebido para complementar o Land Cruiser nas situações em que até o mais capaz dos todo-o-terreno fica impedido de avançar: trilhos não pavimentados em montanha e floresta. O veículo dobra compactamente e pode ser transportado na bagageira do Land Cruiser, funcionando como extensão da aventura no destino. Pode ser conduzido por qualquer pessoa com 16 ou mais anos, sem necessidade de carta de condução (classificado como bicicleta motorizada de pequena cilindrada ao abrigo da legislação japonesa). O Land Hopper está previsto para lançamento a partir da primavera de 2027.

Preço, disponibilidade e subscrição
No mercado japonês, o Land Cruiser FJ está disponível numa única versão — a VX — por 4.500.100 ienes, o equivalente a cerca de 24.350 euros à taxa de câmbio atual (impostos incluídos), o que representa um preço de entrada substancialmente inferior ao das restantes séries da gama. Para quem preferir evitar a compra direta, o FJ integra desde já o serviço de subscrição KINTO, com mensalidades a partir de 38.390 ienes — aproximadamente 208 euros por mês (com impostos) — num contrato de sete anos. Os jovens condutores com 35 anos ou menos podem ainda candidatar-se à campanha especial U35 First-Time Car Trial, com condições de saída antecipada sem penalização. O objetivo de vendas para o Japão é de 1.300 unidades por mês. O veículo é produzido na fábrica Ban Pho, da Toyota Motor Thailand, e já foi lançado na Tailândia (em março de 2026) e na África do Sul (em maio de 2026). Não estão previstos lançamentos na América do Norte nem na Europa — o motor 2.7 a gasolina sem turbo não cumpre os requisitos de emissões mais exigentes dessas regiões, e a plataforma IMV não é utilizada em nenhum modelo atual nesses mercados.
A Toyota disponibiliza ainda um vasto catálogo de acessórios originais para personalização — desde painéis MOLLE para equipamento outdoor, a barras de tejadilho, rock rails e peças exteriores em parceria com a ARB, fabricante australiana especializada em equipamento off-road de alta performance, disponíveis em concessionários Toyota selecionados.
Com o Land Cruiser FJ, a Toyota não está apenas a lançar um novo modelo. Está a democratizar uma lenda.

