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História Do Golf GTI

Origens e desenvolvimento do primeiro Golf GTI – uma visão futurista com raízes em 1973

Com mais de 2,3 milhões de unidades vendidas até hoje, o Golf GTI é um fenómeno mundial, uma marca dentro da marca Volkswagen, uma referência na indústria e design automóvel. Trata-se de um conceito totalmente original entre os modelos desportivos compactos.

Existem muitas histórias, quase todas apaixonantes, acerca de como surgiu o primeiro Golf GTI (Gran Turismo Injection, enquanto o nome Golf foi inspirado no Gulf Stream, um poderoso e quente vento do oceano Atlântico, que tem origem na ponta da Florida, desvanecendo- se no Atlântico Norte). No centro destes episódios, está sempre uma “sociedade secreta” de pessoas que conseguiram levar o GTI para produção, numa corrida contra o tempo e contra a vontade dos seus superiores hierárquicos. Muitas das histórias acerca destes desenvolvimentos são verdadeiras, mas, com o passar do tempo, muitas delas acabaram por ficar distorcidas. A verdade é que o Golf GTI foi uma ideia genial de um punhado de homens, e esta é a sua história e a história do primeiro Golf GTI.

Como sempre, tudo começou com o Carocha. Recuemos até 1973, quando a Volkswagen lançou uma versão desportiva do Carocha, o “Amarelo e Preto”, como ficou conhecido (Yellow and Black Racer). Esta versão distinguia-se das restantes por ter o capot dianteiro e a tampa do motor em preto, pneus ligeiramente mais largos (5,5 em vez de 5 polegadas), bancos desportivos com apoios de cabeça e volante revestido a pele. Tecnicamente, era um Carocha com motor de 1600 cc e 50 cv, nada mais. Apesar da sua potência relativamente modesta, esta “versão agressiva” da Volkswagen teve bastante impacto e chegou mesmo a ser falada no parlamento alemão.

O “Amarelo e Preto” foi bem recebido no mercado e todas as unidades disponíveis foram vendidas rapidamente, o que acabou por abrir caminho a um projeto a dois anos em Wolfsburg, que poucos sabiam estar a decorrer.

As fundações emergem. Ainda durante 1973, mais precisamente a 18 de março, ocorreu algo de extraordinário na Volkswagen. Nesse dia, o engenheiro de testes Alfons Löwenberg redigiu um comunicado interno a alguns colegas do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. A sua proposta referia que a Volkswagen devia considerar a hipótese de desenvolver um modelo realmente desportivo. Afinal de contas, um novo modelo com o nome de código EA 337 (a designação interna para o futuro Golf) acabava de chegar às fases finais de desenvolvimento. E um moderno automóvel de tração dianteira, capaz de altas prestações, abriria um novo mercado para a Volkswagen, atraindo mais clientes.

Inicialmente, os destinatários da missiva ficaram renitentes. Apenas o especialista em chassis, Herbert Horntrich, e o chefe de desenvolvimento, Hermann Hablitzel, mostraram alguma recetividade à ideia de Löwenberg. Contudo, este manteve-se fiel à sua intenção e acabou por encontrar outros colegas com a mesma visão e abertura, tais como Horst-Dieter Schwittlinsky, responsável pelo marketing, e Anton Konrad, então diretor de relações públicas da Volkswagen.

Konrad – que tinha estado ligado à Fórmula V e que fazia do desporto automóvel um hobby – ficou particularmente interessado na ideia.

Contudo, estava também ciente de que a semente de um carro desportivo teria de ser cultivada muito discretamente dentro da própria Volkswagen. Os elevados custos de desenvolvimento do novo modelo que seria lançado como Golf em 1974, já tinham deixado marcas nas finanças da empresa.

Reuniões secretas entre petiscos e cervejas. Konrad convidou os seus “cúmplices” no projeto Sport Golf para uma reunião “secreta” em sua casa. Acompanhados de cervejas e petiscos vários, Hablitzel, Horntrich, Konrad, Löwenberg e Schwittlinsky examinaram todas as possibilidades, como se fossem “coconspiradores”. Hablitzel ficou totalmente convencido do projeto, e a sua aprovação tácita fez com que Löwenberg e Horntrich começassem de imediato a trabalhar. A partir de um protótipo do Scirocco com chassis reforçado, baixaram substancialmente a suspensão, introduziram um carburador duplo para “puxar” o motor 1.5 até aos 100 cv (originalmente tinha 85 cv) e modificaram o escape.

Protótipo 1. Há poucos anos, Konrad referiu-se ao protótipo como “um monstro ruidoso”. A equipa de “conspiradores” rapidamente acordou, entre si, que não era nada disso que queriam. O Sport Golf devia ter uma forte imagem desportiva, mas devia ser um carro civilizado. Assim, Löwenberg e Horntrich decidiram construir uma nova versão, bem mais moderada, e o resultado foi excelente: um carro menos “feroz”, mas muito rápido e ágil. A partir daí todo o “grupo secreto” sentiu um grande alívio, o que levou Hablitzel a tomar uma atitude corajosa: informou o chefe de desenvolvimento, Professor Ernst Fiala, e pediu-lhe uma opinião. Fiala não podia ter sido mais explícito: “É demasiado dispendioso, estão todos loucos!”

Contudo, Hablitzel e os seus homens não se sentiram derrotados. O protótipo baseado no Scirocco foi oficialmente definido como uma “plataforma para testes de chassis”, mas o seu desenvolvimento continuou de forma não oficial. Löwenberg ajustou devidamente o motor e Horntrich configurou o chassis para uma ligação ao solo sofisticada e ambiciosa. A escolha dos pneus desportivos recaiu na medida 205/60 HR 13, o que, na época, envergonharia até um Porsche 911, que, em 1974, utilizava pneus 185/70.

Aprovado pela administração na Primavera de 1975. A “plataforma para testes de chassis” causou uma forte impressão quando, na primavera de 1975, Hablitzel e companhia mostraram os seus mais recentes projetos à administração da Volkswagen, no centro de testes de Ehra-Lessien. Mesmo o Professor Fiala ficou fascinado com as potencialidades do “Sport Golf” disfarçado de Scirocco, dando a sua aprovação ao projeto. No final de maio, uma versão oficial para a proposta de um novo modelo foi enviada para o departamento de desenvolvimento. Uma versão desportiva do Golf começava, cada vez mais, a fazer sentido.

O Golf torna-se no GTI. Coincidentemente, o mercado revelava um clima propício ao lançamento de um Golf em versão desportiva. Além disso, a Volkswagen precisava de um modelo chamativo, capaz de atrair multidões no próximo Salão de Frankfurt, a pouco meses de distância. De repente, o projeto captou a atenção de todos os departamentos e foram construídas seis variantes diferentes, desde um speedster otimizado para a máxima performance, até uma variante mais modesta e discreta. O chefe de design, Herbert Schäfer, ficou responsável pelo desenvolvimento dos detalhes que demarcariam o futuro GTI dos seus rivais menos potentes. Por exemplo: a faixa vermelha na grelha, o spoiler dianteiro mais largo, os alargamentos nos guarda-lamas, a moldura a preto em volta do óculo traseiro, o teto forrado a preto, o punho do comando da caixa de velocidades em formato de bola de golfe e o padrão xadrez do revestimento dos bancos.

Apuramento técnico. Herbert Schuster, o novo chefe de testes, declarou imediatamente que o desenvolvimento do novo chassis era uma prioridade. Para cortar nos custos, reduziu a largura das jantes de 6,0 para 5,5 polegadas, e “encolheu” a medida dos pneus para 175/70

HR 13. Contudo, ordenou a inclusão de barras estabilizadoras à frente e atrás e desenhou uma configuração mola/amortecedor que reunisse o melhor compromisso entre conforto e comportamento desportivo. Em colaboração com a Audi, foi construído um ultramoderno motor de 1,6 litros com injeção de combustível, capaz de desenvolver 110 cv de potência.

Estreia mundial do Salão de Frankfurt de 1975. A equipa anteriormente “clandestina” terminou o seu trabalho mesmo em cima dos prazos estabelecidos. Quando a 46ª edição do Salão de Frankfurt abriu as portas ao público, a 11 de setembro de 1975, deu-se a estreia mundial de uma certa vedeta “vestida” de vermelho, que dominou as atenções no stand da Volkswagen: o protótipo do Golf GTI. A frase de promoção descrevia-o como “O Volkswagen mais rápido de sempre”, o que não era, de todo, um exagero: o GTI acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 9 segundos, deixando para trás carros consideravelmente maiores e mais caros.

O preço, cautelosamente anunciado, era, mesmo assim, inferior em pelo menos 5000 marcos alemães face ao seu rival alemão mais direto. Em resultado de tudo isto, e com o imenso interesse e curiosidade demonstrado pelo público que visitou o salão, a administração da Volkswagen não teve outro “remédio” senão construir uma série especial de 5000 unidades.

Nasce a GTImania. Quando foi lançado no mercado alemão, em meados de 1976, o Golf GTI tinha um preço de 13.850 marcos alemães. Apesar de se tratar de um valor elevado, os concessionários da Volkswagen acabaram por vender, durante o primeiro ano de comercialização, dez vezes mais do que as previsões iniciais. As reações na imprensa especializada também foram extremamente positivas, com a conceituada revista alemã Auto Motor und Sport a eleger o Golf GTI como um dos modelos desportivos mais promissores dos últimos tempos. Algo que ainda hoje, passados 37 anos, permanece intacto no espírito Golf GTI.

CRONOLOGIA DO GOLF GTI

1976: Lançamento da primeira geração (1,6 litros com 110 cv) 1979: Renovação estética (facelift)

1982: Aumento da performance do motor (1,8 litros com 112 cv)

1983: Lançamento do “Pirelli GTI” (oficialmente designado “Special Model Golf GTI”, com jantes personalizadas)

1984: Lançamento da segunda geração (1,8 litros com 112 cv)

1984: Adoção do conversor catalítico (107 cv em vez de 112 cv)

1985: Atualização estética, quatro faróis dianteiros, dupla saída de escape

1986: Lançamento do Golf GTI 16V (1,8 litros com 139 cv e 129 cv com catalisador)

1990: Lançamento do Golf GTI G60 (1,8 litros com 160 cv) 1991: Lançamento da terceira geração (2,0 litros com 115 cv) 1992: Lançamento do Golf GTI 16V (2,0 litros com 150 cv)

1996: Apresentação da versão especial “20 Anos” (2,0 litros com 115 cv e 150 cv; pela primeira vez: 1.9 TDI com 90 cv; mais tarde: 2.3 V5 com 170 cv, 1.9 TDI com 115 cv e 130 cv)

1998: Lançamento da quarta geração (1.8 T com 150 cv, 2.3 V5 com

150 cv e 1.9 TDI com 90 cv; mais tarde: 2.3 V5 com 170 cv, 1.9 TDI

com 115 cv e 130 cv)

2000: Lançamento da versão Golf GTI TDI mais potente até à data (1.9 TDI com 150 cv)

2001: Lançamento da versão Golf GTI “25 Anos” (1.8 T com 180 cv)

2004: Lançamento da quinta geração (2.0 TSI com 200 cv e caixa DSG de 6 velocidades opcional)

2006: Apresentação da versão especial “Golf GTI Edition 30” (2.0 TSI com 230 cv)

2007: Apresentação da versão “Golf Pirelli GTI” (2.0 TSI com 230 cv)

A quinta geração do Golf GTI também acolheu uma versão muito especial, o R32 equipado com um V6 a debitar 250 cv, e estreou a já famosa caixa de velocidades DSG de dupla embraiagem.

2009: Lançamento da sexta geração

A estreia mundial da sexta geração aconteceu no Salão de Paris de 2008, e a apresentação internacional à imprensa foi em março/abril, no Sul de França. Principais destaques: design inspirado no primeiro GTI; pormenores de estilo desportivo; sexta geração manteve ligações com a primeira geração de um ícone. (2.0 TSI com 210 cv e caixa DSG de velocidades opcional)

2011: Apresentação da versão Golf GTI 35 aniversário (2.0 TSI com 235 cv).

2013: Lançamento da sétima geração Golf GTI (2.0 TSI de injeção direta com 220 cv e versão Performance com 230 cv)

As duas versões do GTI estavam equipadas de série com um sistema Start/Stop e caixa manual de 6 velocidades, e o consumo combinado foi assim reduzido em 1,3 litros aos 100 km (menos 18 por cento) em relação ao modelo anterior. O GTI Performance estava equipado com um diferencial autoblocante eletrónico dianteiro, desenvolvido exclusivamente para esta versão. A sétima geração deste ícone desportivo foi a primeira a oferecer de série equipamentos de alta tecnologia, como a direção assistida progressiva, o sistema de deteção de fadiga, os travões multicolisões e o sistema de bloqueio eletrónico do diferencial “XDS+”, com um novo desenvolvimento.

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