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Não é preciso ganhar para liderar o ‘Dakar’

No Dakar não é preciso ganhar para liderar. E a história desta prova está repleta de exemplos que o demonstram. Está a acontecer com Stéphane Peterhansel e Edouard Boulanger, cujo Mini John Cooper Works Buggy está no comando desde a segunda etapa, sem ter ganho nenhuma vez. Pela inversa, Nasser Al-Attiyah e Matthieu Baumel lideraram no prólogo, mas depois já ganharam três etapas e ainda não levaram a Toyota Hilux ao primeiro lugar absoluto. Nesta quarta etapa, que levou a caravana até à capital saudita, registámos duas formações portuguesas entre os mais rápidos de todos. nas motos, Joaquim Rodrigues levou a sua Hero ao sexto lugar; e nos Veículos Ligeiros foi o Can-Am de Rui Carneiro e Filipe Serra que se destacou pelo oitavo posto…

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PELA TERCEIRA VEZ CONSECUTIVA. A TOYOTA HILUX DE NASSER AL-ATTIYAH E MATTHIEU BAUMEL VENCEU A ETAPA. MAS ESTA DUPLA CONTINUA NO SEGUNDO LUGAR…

Vencer o prólogo, ainda que tivesse sido uma vitória partilhada com o sul-africano Brian Baragwanath, colocou Nasser Al-Attiyah no comando deste Rali Dakar 2021 logo à partida. Mas bastou a primeira etapa ter corrido mal, para que o piloto do Qatar se visse arredado da frente. E se a recuperação foi imediata, o certo é que nem tendo sido o mais rápido nas últimas três etapas chegou para voltar ao comando. Não restam dúvidas em como no Dakar não é preciso ganhar para liderar: Stéphane Peterhansel soma tantos segundo lugares quanto Al-Attiyah tem vitórias, mas segue na frente do rali, com perto de cinco minutos de avanço.

A jornada mais longa, para chegar à capital saudita

Esta quarta etapa, a mais longa em distância total, com 813 quilómetros para ligar Wadi Ad-Dawasir até Riade. No caminho até à capital da Arábia Saudita, os concorrentes tiveram mais quilómetros a rolar pelo asfalto, que a percorrer as pistas fora de estrada. Os 337 quilómetros do quarto sector selectivo decorreram de novo um extenso planalto do deserto, grande parte a uma altitude média de 1000 metros, que só na parte final desceu ligeiramente. Cerca de dois terços do traçado foi cumprido em areia, mas a organização aliviou os concorrentes de enfrentar mais dunas; e mesmo as pedras quase ficaram de fora deste percurso, o que desde logo fez toda a diferença, como que parando a ‘pandemia’ de pneus furados.

Mas este foi o triunfo menos impressionante, dos três já conseguidos por Al-Attiyah: após os 337 quilómetros, a sua Toyota Hilux apenas ganhou 11 segundos ao Mini de Peterhansel. E se considerarmos que a média do vencedor foi de 129,63 km/h, esses 11 segundos equivalem a percorrer 395 metros; talvez menos da distância percorrida em excesso por Peterhansel, que se lamentou por ter tido um breve engano no percurso. ‘Mr. Dakar’ admite não ter perdido mais de meio minuto, mas isso terá sido, com certeza o bastante para perder a etapa. E, uma vez mais, confirmar o que já dissemos: que no ‘Dakar’ não é preciso ganhar para liderar, pois prossegue na dianteira com quatro minutos e 58 segundos de vantagem!

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CARLOS SAINZ MANTÉM-SE NO TERCEIRO POSTO, MAS CONTINUA A PERDER TERRENO PARA PETERHANSEL E AL-ATTIYAH; APÓS QUATRO ETAPAS, JÁ ESTÁ A MAIS DE 35 MINUTOS DO COMANDANTE E A RECUPERAÇÃO COMEÇA A PARECER CADA VEZ MAIS DIFÍCIL

Henk Lategan aproxima-se dos lugares da frente…

Carlos Sainz e Lucas Cruz, que venceram a primeira etapa e depois atrasaram-se bastante, recuperaram a terceira posição absoluta, graças ao atraso do buggy de Mathieu Serradori; a dupla espanhola conta agora com 35 minutos e 19 segundos de atraso sobre Peterhansel. Quarto mais rápido na quarta etapa, Sainz perdeu quase três minutos para Al-Attiyah; mas perdeu também um minuto e 26 segundos para outra das Toyota oficiais. É a Hilux de Henk Lategan e Brett Cummings, os campeões sul-africanos, que para muitos estão a ser a revelação deste ‘Dakar’.

Graças ao resultado desta jornada, Henk Lategan conseguiu ascender do sétimo ao quarto posto. Ultrapassou Mathieu Serradori, que ficou largo tempo atascado na areia e desceu para sexto, bem como a Toyota do polaco Jacob Przygonski – que mantém o quinto posto – e o BRX Hunter de Sébastien Loeb. Este perdeu uma posição, caindo para sétimo e diz-se que o novo carro de Loeb continua a ‘fazer a rodagem’. Mas para já chegou a Riade sem conhecer problemas, o que permite ao piloto confiar que ainda poderá atacar e trepar na classificação. Aliás, ficou nesta altura a apenas 16 segundos do sexto lugar.

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OS CAMPEÕES SUL-AFRICANOS DE TODO TERRENO ESTÃO CADA VEZ MAIS EM EVIDÊNCIA. HENK LATEGAN E BRETT CUMMINGS FORAM TERCEIROS NESTA QUARTA ETAPA E JÁ SUBIRAM AO QUARTO POSTO ABSOLUTO
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OS BRX HUNTER PROSSEGUEM A SUA ‘RODAGEM’ NESTE ‘DAKAR’. PARA JÁ, SÉBASTIEN LOEB (NA FOTO) E NANI ROMA ESTÃO FINALMENTE AMBOS NO ‘TOP TEN’. O FRANCÊS DESCEU HOJE PARA SÉTIMO, ENQUANTO O ESPANHOL SUBIU PARA DÉCIMO…

Joaquim Rodrigues e Rui Carneiro/Filipe Serra no ‘top ten’

Joaquim Rodrigues, na motos, e a dupla Rui Carneiro/Filipe Serra, nos veículos ligeiros, destacaram-se na quarta etapa ao estabeleceram tempos entre os melhores. A Hero de Rodrigues foi a sexta moto mais rápida, permitindo ao piloto melhorar mais três lugares, para se colocar em 16º da classificação geral. Assinala-se que nesta jornada a liderança das motos voltou a mudar, com a ascenção da Husqvarna do francês Xavier De Soultrait; também este piloto prova que no ‘Dakar’ não é preciso ganhar para liderar, já que o seu melhor resultado neste edição é o quinto posto obtido na etapa de hoje, com apenas 2 segundos de vantagem sobre Joaquim Rodrigues. Ainda entre os ‘motards’, registou-se o abandono de Alexandre Azinhais, devido ao motor partido, e também Rui Gonçalves conheceu problemas, que o atrasaram. Gonçalves terminou no 44º lugar e desceu seis posições, para o 28º lugar.

Já o Can-Am de Rui Carneiro e Filipe Serra, que estabeleceu o oitavo melhor tempo nos veículos ligeiros, melhorou tantas posições quanto Rodrigues, mas subiram para o 42º lugar. E embora longe dos lugares da frente, este foi, sem dúvida, um resultado animador para a equipa, que nas jornadas anterior sofreu fortemente com os furos…

Pela inversa, a quem correu mesmo mal a quarta etapa foi à segunda equipa portuguesa nos veículos ligeiros: Lourenço Rosa e Joaquim Dias perderam mais de meia hora para os seus compatriotas, estabelecendo apenas o 40º tempo. E o atraso de Rosa fê-lo descer algumas posições, do 15º para o 19º lugar da classificação geral.

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JOAQUIM RODRIGUES CONSEGUIU O MELHOR RESULTADO DESDE A PARTIDA, AO ESTABELECER O SEXTO MELHOR TEMPO DA QUARTA ETAPA; PERDEU O QUINTO LUGAR PARA O NOVO COMANDANTE, XAVIER DE SOULTRAIT, POR APENAS DOIS SEGUNDOS

Ricardo Porém e Jorge Monteiro sobem mais um lugar

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OITAVOS ENTRE OS VEÍCULOS LIGEIROS, RUI CARNEIRO E FILIPE SERRA CONHECERAM, POR FIM, UMA ETAPA SEM DIFICULDADES. MAS AINDA ESTÃO NO 42º LUGAR

Já a única dupla portuguesa que alinha nos automóveis, Ricardo Porém e Jorge Monteiro, conheceram de novo um dia duro. O Borgward BX7 Evo ficou atolado na areia e perderam uma vintena de minutos a cavar. Descontando essa atraso, teriam conseguido posicionar-se entre os 15 mais rápidos; todavia, acabaram por chegar a Riade no 39º posto. Mesmo assim, ainda conseguiram melhorar uma posição na classificação geral, onde agora ocupam o 32º posto, com cerca de 18 minutos de diferença relativamente ao concorrente que os antecede…

Filipe Palmeiro e José Marques, navegadores dos pilotos lituanos Benediktas Vanagas e Gintas Petrus, conseguiram na quarta etapa o 20º e o 41º lugares, resultados que os mantêm nas mesmas posições em termos de classificação geral. A Toyota de Vanagas está no 21º lugar e o buggy de Petrus é o 44º classificado.

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O BORGWARD EX7 EVO DE RICARDO PORÉM E JORGE MONTEIRO PERDEU UMA VINTENA DE MINUTOS ATASCADO NA AREIA; MESMO ASSIM, A ÚNICA EQUIPA PORTUGUESA DOS AUTOMÓVEIS PÔDE SUBIR MAIS UM LUGAR NA CLASSIFICAÇÃO…

Texto: Alexandre Correia Fotos: D.R.