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Sorte para uns, azar para outros…

Sorte para uns, azar para outros. A meio da prova, as classificações do Rali Dakar ainda não estão suficientemente consolidadas para que possamos adiantar os prováveis vencedores. Mas sabemos já aqueles que estão de todo arredados dessa luta. São pilotos como Henk Lategan, o campeão sul-africano, que esteve em evidência, mas acabou por sofrer um aparatoso capotamento e desistiu. Também Sébastien Loeb já esqueceu que terá de regressar para tentar de novo a vitória que tanto ambiciona; não porque tenha desistido, mas atrasou-se imenso nas últimas duas etapas, distanciando-se dos melhores. E, claro, quando há sorte para uns, azar para outros. E até agora o azar não quer nada é com Stéphane Peterhansel e Nasser Al-Attiyah, que persistem nos dois primeiros lugares. Os líderes vão arrancar para a segunda fase separados entre si por menos de seis minutos, que deixa tudo em aberto… Quanto aos portugueses, Lourenço Rosa e Joaquim Dias são os melhores, ocupando o décimo posto da classificação dos SSV…

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A QUINTA E SEXTA JORNADAS FORAM COMPLICADA PARA IMENSAS EQUIPAS. MAS NÃO PARA RICARDO PORÉM E JORGE MONTEIRO, QUE CONSEGUIRAM O 18º E O 28º LUGARES, MELHORANDO MAIS NOVE POSIÇÕES NA CLASSIFICAÇÃO GERAL. PARTEM PARA A SEGUNDA METADE OCUPANDO O 24º POSTO

Nos automóveis, o navegador Filipe Palmeiro é o melhor dos portugueses, ocupando agora o 13º, juntamente com o lituano Benediktas Vanagas, a bordo de uma Toyota Hilux V8. Mas a única dupla nacional são Ricardo Porém e Jorge Monteiro, que só à quinta etapa tiveram, finalmente uma jornada isenta de problemas e isso reflectiu-se no resultado. A dupla de Leiria conseguiu o 18º posto na quinta etapa, melhorando mais seis lugares, para se posicionarem no 26º lugar! Na sexta etapa, todavia, o impacto mais violento do salto sobre uma lomba fez descolar das jantes três pneus, o que os obrigou a parar para os trocar. Ainda assim, terminaram a etapa final da primeira metade da prova em 28º e puderam melhorar ainda mais duas posições. Vão partir para a segunda metade no 24º posto, contando com o Borgward EX7 Evo totalmente renovado, depois de uma profunda revisão. Até aqui, o carro dos portugueses não conheceu o mais pequeno problema, o que deixa Porém e Monteiro mais confiantes para a parte derradeira da prova.

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O MINI JOHN COOPER WORKS BUGGY DE STÉPHANE PETERHANSEL E EDOUARD BOULANGER ARRANCA PARA A FASE FINAL NA LIDERANÇA. AINDA NÃO VENCEU NENHUMA ETAPA, MAS SABE QUE NÃO ARRANCAR EM PRIMEIRA PARA UMA ETAPA É SEMPRE VANTAJOSO

Duelo Peterhansel/Al-Attiyah e Mini/Toyota domina

Volvidas seis etapas, os três primeiros lugares da classificação dos automóveis continuam sem alterações. Mais rápido em quatro etapas, Nasser Al-Attiyah e a sua Toyota apenas conseguiram instalar-se no comando após o prólogo. O piloto do Qatar arrancar para as etapas finais no segundo posto. Está a 5 minutos e 53 segundos de Stéphane Peterhansel, que continua a resistir no comando, mesmo sem ter ganho qualquer etapa!

Na quinta etapa, em que muitos dos adversários mais directos dos líderes se perderam, Peterhansel voltou a adiantar-se a Nasser Al-Attiyah, alargando a vantagem para seis minutos e 11 segundos. As imagens da Toyota Hilux de Henk Lategan a virar-se, logo no início da etapa, correram o mundo. O prometedor piloto sul-africano acabou por não ir longe, mas o seu abandono foi ‘vingado’ pelo sucesso de dois compatriotas, que foram os mais rápidos. À frente, por apenas 58 segundos de vantagem, ficou Giniel De Villiers, cujo Toyota bateu o Centurian de Brian Baragwanath. E este, que partilhou a vitória do prólogo com Al-Attiyah, terminou a primeira metade do rali em sexto, enquanto o seu compatriota De Villers está em nono, após uma espectacular recuperação desde o 24º lugar.

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TODOS OS ANOS, GINIEL DE VILLIERS TEM CONSEGUIDO OFERECER À TOYOTA PELO MENOS A VITÓRIA NUMA ETAPA. FOI O MAIS RÁPIDO NA DIFÍCIL QUINTA JORNADA, EMBORA POR APENAS 58 SEGUNDOS DE VANTAGEM

Carlos Sainz permanece na expectativa, isolado em terceiro

Carlos Sainz começou e terminou a primeira metade do rali a vencer. Foi o mais rápido na etapa de abertura e na sexta jornada, o Mini John Cooper Works buggy de Carlos Sainz saiu vencedor, à frente das Toyota Hilux de Yazeed Al-Rajhi e de Nasser Al-Attiyah. O piloto saudita tem sido uma das decepções desta edição do ‘Dakar’: à segunda etapa, estava em sexto, mas depois atrasou-se imenso e a recuperação fê-lo subir a um modesto 28º lugar e por muito que ainda suba, já não conseguirá aproximar-se dos primeiros lugares finais. Tal como Sainz já não deverá pensar em renovar a vitória do ano passado.

Mesmo depois de se ter perdido numa das delicadas passagens montanhosas da quinta etapa, ao vencer a sexta tirada Carlos Sainz conseguiu reforçar o terceiro lugar absoluto. O espanhol voltou a aproximar-se um pouco mais dos adversários que persegue, pois já está a 40 minutos e 39 segundos de Peterhansel. Realisticamente, Sainz já não pensa em discutir a vitória. Mas está numa posição bastante confortável para atacar, se algo acontecer aos homens da frente e não deixa de pensar “sorte para uns, azar para outros”. De resto, o espanhol não tem ninguém a pressioná-lo, pois a Toyota do polaco Jacob Przygonski, que segue no quarto lugar, leva mais de meia hora de atraso.

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A QUINTA ETAPA FOI UMA DAS MAIS DIFÍCEIS DO PONTO DE VISTA DE NAVEGAÇÃO, COM ALGUMAS PASSAGENS MONTANHOSAS ONDE IMENSOS PILOTOS SE PERDERAM. CARLOS SAINZ E SÉBASTIEN LOEB FORAM ALGUNS DOS QUE SENTIRAM DIFICULDADES EM ENCONTRAR O CAMINHO…

Portugueses continuam a resistir, mas dois ficaram de fora…

Neste balanço a meio da prova, é uma alegria podermos dizer que os portugueses continuam a resistir, mas a verdade é que já dois ficaram de fora. O primeiro a desistir foi Paulo Fiuza, que navegava o lituano Vaidotas Zala, que se retirou no início da terceira etapa, devido a problemas com o motor do Mini X-Raid. Na quinta etapa, registou-se o abandono da KTM 450 Réplica de Alexandre Azinhais, também devido a problemas de motor…

Ocupando o 17º lugar, a Hero de Joaquim Rodrigues prevalece como a melhor moto conduzida por um português. O piloto da marca indiana conseguiu por três vezes posicionar-se entre os 10 mais rápidos: no prólogo (10º), na quarta etapa (6º) e na sexta jornada (8º). Por seu turno, Rui Gonçalves é o 28º classificado à partida para a sétima etapa, tendo conseguido levar a sua Sherco uma vez ao nono posto, na terceira etapa!

Nos veículos ligeiros, o Can-Am de Lourenço Rosa e Joaquim Dias é o 13º da classificação geral, cabendo-lhes a décima posição entre os SSV. Rui Carneiro e Filipe Serra estão no 37º posto absoluto, mas evidenciaram-se na quarta etapa, quando conseguiram colocar-se no oitavo lugar.

E nos automóveis, já referimos que Filipe Palmeiro é o melhor português, em 13º, tal como referimos o 24º posto de Ricardo Porém e Jorge Monteiro. Falta referir José Marques, que alinha como navegador do lituano Gintas Petrus: meio da prova, esta dupla ocupa o 35º posto, que reflecte uma progressiva melhoria na classificação!

Texto: Alexandre Correia Fotos: D.R.