Notícias do Mundo Motorizado

Loeb renasce em Portugal e Dacia domina um Rally-Raid histórico

O BP Ultimate Rally-Raid Portugal 2026 ficará marcado como uma das edições mais intensas e simbólicas da curta história portuguesa no Mundial de Todo-o-Terreno. Dezassete anos depois da sua última vitória em solo nacional — então no Rally de Portugal de 2009 — Sébastien Loeb voltou a erguer os braços em triunfo, agora aos comandos do competitivo Dacia Sandrider, num evento que testou pilotos e máquinas ao limite, entre chuva, lama, pistas técnicas e um público que voltou a encher as serras do Algarve e Baixo Alentejo.

#219 S. LOEB (fra) E. BOULANGER (fra) – THE DACIA SANDRIDERS

A prova, descrita pelo Diretor de Prova, Orlando Romana, como “reminiscente do Dakar de 2006”, com navegação exigente e um terreno que alternava entre zonas rápidas, trilhos estreitos e secções de montanha. Foi neste cenário que Loeb, acompanhado por Edouard Boulanger, construiu uma vitória sólida, ainda que sempre pressionado pelos Toyota de Seth Quintero e João Ferreira.

“Foi um bom rali para mim, com boas memórias do passado. Vivemos bons momentos em Faro, nos ralis. A prova não foi fácil nestas pistas muito técnicas, com estes carros muito grandes, mas as sensações foram boas e o carro funcionou muito bem”, recordou Loeb à chegada, sublinhando ainda a importância do resultado para o campeonato: “Somámos muitos pontos e agora estamos novamente na luta”.

Ultimate: Dacia no topo, Toyota sempre por perto

A Dacia saiu de Portugal com um resultado praticamente perfeito: vitória absoluta de Loeb, triunfo de Lucas Moraes na última etapa e um duplo pódio na derradeira especial com Moraes e Nasser Al-Attiyah separados por apenas três segundos. No total, a marca romena venceu três das cinco etapas.

O brasileiro Moraes, que subiu de quinto para quarto no derradeiro dia, foi o mais rápido na SS5, seguido de Al-Attiyah e de João Ferreira. Loeb terminou em quarto, mas com margem suficiente para garantir o triunfo final.

#203 S. QUINTERO (usa) A. SHORT (usa) – TOYOTA GAZOO RACING W2RC

A Toyota colocou dois carros no pódio final: Seth Quintero em segundo e João Ferreira em terceiro. O português foi, aliás, o mais rápido entre os Toyota, vencendo duas etapas, mas uma penalização de dois minutos na SS3 impediu-o de lutar pelo segundo lugar.

Quintero, sempre muito aplaudido pelo público, foi pragmático:
“É positivo ter uma boa prova aqui em Portugal, sítio que adoro. Tive alguns azares nos últimos dois anos e desta vez também tive azar. Mas se ter azar significa ficar em segundo, então foi um bom rali.”

Já João Ferreira, que correu em casa, reconheceu que queria mais:
“O terceiro lugar não era a ambição que trazia, mas fazer um pódio em casa sabe sempre bem. E com isso acumulámos muitos pontos importantes para o campeonato.”

#240 J. FERREIRA(POR) F. PALMEIRO(POR) – TOYOTA GAZOO RACING SA

Nasser Al-Attiyah, que sofreu problemas mecânicos no terceiro dia, valorizou o resultado possível:
“Não foi uma boa corrida para nós, mas foi difícil para todos. O importante é que terminámos, ganhámos experiência e somámos pontos. Agora estamos a oito pontos do Sebastien e ainda faltam Argentina, Marrocos e Abu Dhabi.”

Challenger: Alexandre Pinto assina uma vitória épica

Se Loeb brilhou nos Ultimate, Alexandre Pinto foi a figura maior nos Challenger. O português, estreante no Taurus T3 Max, perdeu quase 15 minutos na primeira etapa, mas respondeu com autoridade: venceu quatro especiais consecutivas e conquistou a vitória na categoria, além de um impressionante 9.º lugar absoluto.

#306 A. PINTO(POR) B. OLIVEIRA(POR) – BBR MOTORSPORT

Pinto superou Charles Munster e Rui Carneiro, que completaram o pódio com os novos protótipos GRally G-ECKO. Munster repetiu o segundo lugar obtido em 2025.

A consistência e velocidade de Pinto foram um dos grandes destaques nacionais da prova, reforçando o estatuto de Portugal como viveiro de talento no todo-o-terreno mundial.

SSV: Barbosa vence sem ganhar uma etapa

A categoria SSV foi dominada pelos portugueses, que venceram todas as cinco etapas. Contudo, o triunfo final acabou por sorrir ao experiente Miguel Barbosa, que regressou ao Mundial agora num Polaris RZR Pro R. Sem vencer qualquer especial, Barbosa foi o mais regular, terminando sempre no top 3 — uma estratégia perfeita para conquistar a vitória.

#406 M. BARBOSA(POR) J. LUTAS(POR) – BP ULTIMATE ADVENTURE TEAM

João Monteiro, vencedor da SS5 e piloto da Can-Am Factory Team, foi segundo, seguido do argentino Jeremías González Ferioli. Luís Cidade, que venceu três etapas, viu as suas aspirações destruídas por uma penalização monumental de 24h30m na SS2.

Stock: Peterhansel volta a vencer em Portugal, 25 anos depois

O “Senhor Dakar”, Stéphane Peterhansel, voltou a triunfar em Portugal, desta vez na categoria Stock, ao volante do Defender Dakar D7X-R. Foi a sua primeira vitória com a Defender Rally e apenas a segunda da carreira em carros de produção — a primeira tinha sido no Dakar 2001.

Rokas Baciuška venceu a última etapa e, juntamente com Sara Price, foi o piloto com mais vitórias de etapa (duas). No entanto, Peterhansel foi mais consistente e garantiu o triunfo final.

#500 S. PETERHANSEL(fra) M. METGE(fra) – DEFENDER RALLY

Impacto no campeonato: Dacia reforça liderança

Com a vitória de Loeb e o forte desempenho global, a Dacia reforçou a liderança no Mundial de Todo-o-Terreno. Loeb ultrapassou Ekström e subiu a segundo no campeonato, enquanto Al-Attiyah manteve a liderança geral, agora com apenas oito pontos de vantagem sobre o francês.

A Ford, que não pontuou em Portugal, perdeu terreno significativo.

Entre serras, aldeias e zonas espetáculo, milhares de adeptos voltaram a marcar presença, criando um ambiente que impressionou pilotos e equipas. Francisco Barreto, que terminou em oitavo, resumiu esse sentimento:

“O apoio do público foi maravilhoso. Muita gente nas serras, nas estradas, a apoiar-nos. Obrigado a todos por terem vindo viver esta grande corrida connosco.”