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Matsushita vence á geral e Rúben Rodrigues Estreia-se a vencer no CPR

O Campeonato de Portugal de Ralis arrancou em grande no passado sábado com o Rali Terras D’Aboboreira a oferecer ao público uma prova intensa, disputadíssima e recheada de emoções do primeiro ao último quilómetro. A surpresa — ou talvez não tanto, para quem acompanhou a evolução do piloto nos últimos tempos — foi a vitória inaugural de Rúben Rodrigues, que se estreou no mais alto degrau do pódio numa prova do CPR. A bordo do Toyota GR Yaris Rally2 da estrutura Auto Açoreana Racing, assistido pela experiente ARC Sport,  o tricampeão açoriano e o seu navegador Rui Raimundo cruzaram a linha de chegada em Amarante com uma vantagem de 5,6 segundos sobre Armindo Araújo, o nome mais sonante desta modalidade em Portugal.

Takumi Matsushita / Pekka Kelander

Mas antes de falar dos protagonistas nacionais, há que prestar tributo ao verdadeiro vencedor absoluto da prova: Takumi Matsushita. O jovem piloto japonês, integrado no TOYOTA GAZOO Racing WRC Challenge Program, cruzou a linha de chegada na frente de todos ao volante do GR Yaris Rally2, beneficiando de uma circunstância inesperada que virou a corrida de cabeça para baixo. O seu colega de programa Jaspar Vaher — um estónio de apenas 18 anos, recrutado pela Toyota após uma selecção global realizada na Finlândia, sendo o primeiro piloto não japonês a integrar o programa — tinha dominado a prova de forma avassaladora, vencendo seis dos oito troços disputados e construindo uma vantagem confortável. Porém, no final da manhã de sábado, a dupla Vaher/Rait Jansen falhou um controlo de marcação de pneus, sendo penalizada em três minutos pelo Colégio de Comissários Desportivos. A equipa reconheceu o erro, os comissários aceitaram que não terá sido intencional, mas a penalização foi aplicada na mesma — e com ela, a vitória absoluta mudou de mãos. Matsushita, que navegou com regularidade e consistência ao longo de toda a prova, aproveitou a oportunidade e assegurou o seu primeiro triunfo ao volante do GR Yaris Rally2. “Foi um rali excelente para nós. Consegui encontrar um bom ritmo desde a primeira especial e, no final, estou muito feliz com esta vitória, especialmente tendo em conta o nível da concorrência”, declarou o piloto nipónico.

A presença destes jovens talentos não foi acidental. O Rali Terras D’Aboboreira, pontuável também para o FIA European Rally Trophy, faz parte do calendário seleccionado pela Toyota para rodar os seus pilotos em desenvolvimento antes do Vodafone Rally de Portugal, prova do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) agendada para maio. O WRC Challenge Program da TOYOTA GAZOO Racing é um dos mais estruturados e ambiciosos programas de formação de jovens pilotos do automobilismo mundial, com várias gerações em simultâneo, cada uma a subir um degrau na hierarquia das competições. Em 2026, Matsushita e Goto deram o salto para o Rally2, depois de em 2025 terem competido em Rally3, enquanto Vaher — a grande revelação da prova e certamente um nome a seguir de perto — se estreava em quatro rodas motrizes de alto desempenho. O facto de estes pilotos, com tão pouca experiência em terra e em Rally2, terem conseguido impor-se à maioria dos concorrentes nacionais mais experientes é, só por si, um sinal eloquente do potencial que a Toyota tem entre mãos.

Rúben Rodrigues / Rui Raimundo

A prova foi palco de um duelo permanente entre os candidatos ao título, com a liderança a ser definida logo nos primeiros troços da sexta-feira. Rúben Rodrigues assumiu o comando desde cedo, mas nunca pôde relaxar. Armindo Araújo, ao volante do Skoda Fabia RS Rally2, não lhe deu descanso ao longo de toda a primeira etapa, pressionando o açoriano de forma constante. No sábado, porém, os papéis inverteram-se ligeiramente: enquanto Araújo admite ter ficado aquém das expectativas na afinação do carro durante a manhã — o que lhe custou segundos preciosos —, Rodrigues consolidou a vantagem de forma criteriosa e inteligente.

“Foi um rali incrível! Conseguimos a competitividade desejada e tivemos uma gestão fantástica ao longo da prova, com a maior dificuldade ter sido quando tivemos de abrir a estrada. O Toyota está uns furos acima do ano passado, e esteve impecável ao longo de todo o rali. Vamos fazer o nosso caminho, que ainda hoje começou, mas este foi na verdade um excelente início de época”, declarou Rúben Rodrigues no final da prova.

Esta vitória é o fruto maduro de um investimento a longo prazo. Em 2025, Rodrigues estreou-se ao volante do Toyota GR Yaris Rally2 no CPR, numa espécie de ano de aprendizagem. Doze meses depois, os resultados dessa preparação são visíveis: o piloto apresenta-se mais confiante, mais rápido e com um carro que, nas suas próprias palavras, evoluiu significativamente. A estrutura ARC Sport, sediada em Aguiar da Beira, entra assim a vencer no CPR 2026, com três carros à partida e três à chegada — um feito por si só assinalável.

Armindo Araújo / Luís Ramalho

Armindo Araújo, apesar de não ter conseguido impedir a vitória do rival, não saiu de Amarante de mãos a abanar. O sete vezes campeão nacional impôs-se na Power Stage — o troço final de classificação especial com pontuação extra — batendo Pedro Almeida por 2,1 segundos e garantindo os três pontos máximos nessa classificativa. Esta conquista permite-lhe sair da primeira ronda do campeonato a apenas dois pontos da liderança, mantendo-se assim na corrida ao título com todas as hipóteses em aberto.

“Na manhã de hoje não fomos tão arrojados na escolha da afinação do nosso Skoda e isso fez com que tivéssemos perdido segundos importantes na luta pela vitória. Depois de passarmos pela assistência fizemos uma alteração que mostrou ser a mais acertada, pois conseguimos ser sempre mais rápidos que o nosso principal adversário nas restantes especiais. Não conseguimos anular a totalidade da desvantagem, mas nunca baixamos braços e demos tudo até ao último metro”, admitiu Araújo, acrescentando: “Vencemos a Power Stage e conseguimos somar esses três pontos importantes para o nosso grande objetivo. Gostaríamos obviamente de ter saído daqui com uma vitória, mas estamos, ainda assim, contentes com o resultado. Parabéns ao Rúben Rodrigues e ao Rui Raimundo que fizeram um rali excelente e merecem esta primeira vitória no campeonato.”

Pedro Almeida / António Costa

O pódio ficou completo com Pedro Almeida, piloto de Vila Nova de Famalicão que se estreou nesta prova ao serviço da TOYOTA GAZOO Racing Caetano Portugal, a bordo do GR Yaris Rally2. Numa prestação sempre em crescendo, Pedro Almeida,  navegado pelo amarantino António Costa, foi ganhando confiança e ritmo à medida que os quilómetros passavam. O primeiro dia ficou abaixo do desejado, mas o sábado pertenceu-lhe: foi o mais rápido entre os pilotos portugueses no sexto troço e venceu em absoluto o sétimo (Baião). O resultado final — terceiro no CPR, quarto na classificação geral, a apenas 7,7 segundos do vencedor — é amplamente positivo para quem disputava pela primeira vez uma prova com este equipamento.

“Não começámos da melhor forma – o primeiro dia não foi bom – mas à medida que fomos somando quilómetros, ganhámos confiança e estivemos a um bom nível, tendo em conta a estreia com o carro. Atacámos neste segundo dia, vencemos um dos troços, subimos lugares na classificação e, acima de tudo, fomos sempre muito competitivos. O carro é excelente e temos margem para evoluir — isso também é uma boa nota a reter, porque dá-nos boas perspectivas para o Campeonato”, declarou Pedro Almeida, que destacou ainda o trabalho da equipa de preparação.

José Pedro Fontes / Inês Ponte

Outro dos protagonistas desta abertura de temporada foi José Pedro Fontes, que assinou a estreia do Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale no CPR. O regresso da marca italiana ao automobilismo de competição — numa nova encarnação do lendário Ypsilon, agora em versão Rally2 — foi acompanhado com grande expectativa pelo paddock, e as primeiras impressões são animadoras. Fontes e Inês Ponte terminaram em quarto lugar no CPR e venceram o Campeonato de Portugal de Masters de Ralis, embora a prova tenha ficado manchada por alguns contratempos que impediram uma classificação ainda mais elevada: um problema na caixa de velocidades logo na primeira especial e uma penalização de 10 segundos no segundo dia complicaram as contas da dupla da Sports & You.

“Terminar um rali no quarto lugar nunca será motivo de satisfação para mim. No entanto, dadas as circunstâncias, não posso ficar muito desagradado. Tivemos um problema na caixa de velocidades logo na PEC1 que nos atrasou bastante. Mesmo assim, conseguimos ficar relativamente perto dos primeiros lugares. A penalização de 10 segundos também nos prejudicou, mas terminámos com um resultado positivo. Foi o primeiro passo de uma caminhada que vai ter sucesso. Mais do que o resultado, fico muito entusiasmado com o potencial que o carro demonstrou. Já há muito tempo que não éramos tão competitivos em terra. São sinais muito encorajadores. Temos um CPR muito forte, com vários candidatos às vitórias, e estou convicto de que estaremos também nesse lote”, afirmou Fontes.

Ricardo Teodósio / José Teixeira

Pedro Meireles (Skoda Fabia RS Rally2) foi outro dos destaque desta primeira ronda, mantendo-se até ao fim na discussão pelo quarto lugar e terminando em quinto — apenas 2 segundos atrás de Fontes. Ricardo Teodósio, por sua vez, continua a trabalhar na adaptação ao Citroën C3 Rally2, fechando o top 10 na sexta posição do CPR. O piloto e o navegador José Teixeira nunca desistiram, apesar de alguns contratempos ao longo da prova. “Terminado o Rali. Foi o resultado conseguido, onde tivemos alguns contratempos. Estamos também numa fase de adaptação ao carro, o que faz também parte do processo”, afirmou Teodósio, enquanto Teixeira acrescentou: “Sabíamos que ia ser um rali exigente e acabou por confirmar-se. Tivemos alguns momentos menos fáceis, mas mantivemos o foco até ao fim. É nestas fases que se constroem bases para sermos mais fortes nas próximas provas.”

Hugo Lopes / Magda Oliveira

A Hyundai viveu um fim-de-semana agridoce, mas as indicações de velocidade deixadas pelo Team Hyundai Portugal — candidato ao tetracampeonato — são suficientemente sólidas para encarar a temporada com optimismo. Hugo Lopes foi talvez a maior surpresa da prova: o piloto de Viseu venceu o primeiro troço à geral absoluta, navegado por Magda Oliveira, e quando foi forçado a abandonar — com uma saída de estrada na segunda passagem por Marão 2 — estava a apenas quatro décimos do pódio do CPR e a 11,6 segundos da liderança. Um desempenho que ficou a metade, mas que deixa pistas claras sobre o potencial da dupla. “Para além de ter sido mais um sonho que concretizei, foi a confirmação de que o Team Hyundai Portugal tem todas as condições para conquistar o tetracampeonato. Fomos bastante competitivos enquanto estivemos em prova. Estou muito confiante em relação ao futuro, pois gostei bastante do comportamento e do desempenho do Hyundai i20 N Rally2. Agora, que venha o Rally de Portugal, pois estamos preparados para lutar pela vitória”, afirmou Hugo Lopes.

Gonçalo Henriques / Inês Veiga

Gonçalo Henriques, com Inês Veiga, atravessou um primeiro dia difícil devido a problemas técnicos, mas respondeu no sábado com uma exibição que incluiu o melhor tempo absoluto em Amarante 2 — o único troço da prova vencido por um piloto do CPR face aos homens do programa Toyota. Dois piões em Marão e em Aboboreira 1 penalizaram o resultado final, fixado no sétimo lugar do CPR. “Sobretudo no segundo dia confirmámos que têm mesmo de contar connosco na luta pelas vitórias e que o tetracampeonato está ao alcance do Team Hyundai Portugal. No primeiro dia, problemas impediram-nos de fazer os tempos que estavam ao nosso alcance, mas no sábado fomos competitivos e só lamento que não tenha conseguido evitar os dois piões”, disse Gonçalo Henriques.

Entre os jovens, Diogo Marujo (Skoda Fabia Evo Rally2) continua a crescer de forma consistente e não se deixou superar pelo seu novo adversário direto, Guilherme Meireles (Skoda Fabia Evo Rally2), terminando respetivamente em oitavo e nono.

Pedro Cãmara / João Câmara

Na categoria das duas rodas motrizes (2RM), o domínio pertenceu a Pedro Câmara, jovem açoriano que em 2025 venceu o FPAK Júnior Team. Ao volante do Peugeot 208 Rally4, e tendo João Câmara como navegador, Pedro Câmara liderou esta categoria do início ao fim com uma gestão cirúrgica dos recursos, impondo-se sobre Hélder Miranda (Peugeot 208 Rally4) por apenas 4,4 segundos. A prova foi disputada até à derradeira classificativa — Aboboreira, com 21,54 km — onde Câmara arrancou para o troço com 9,9 segundos de vantagem, suficientes para segurar o triunfo. Emanuel Figueiredo completou o pódio das 2RM, após a desistência do ucraniano Anton Korzun com problemas técnicos.

A próxima jornada do Campeonato de Portugal de Ralis será o Vodafone Rally de Portugal, agendado para os dias 7 e 8 de maio. Prova contada para o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), esta é uma das mais aguardadas do calendário nacional e internacional. Para efeitos de pontuação no CPR, conta apenas a primeira etapa — até à PEC 10 (Mortágua), que será também a Power Stage da prova.

A próxima jornada do Campeonato de Portugal de Ralis será o Vodafone Rally de Portugal, agendado para os dias 7 e 8 de maio. Prova contada para o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), esta é uma das mais aguardadas do calendário nacional e internacional. Para efeitos de pontuação no CPR, conta apenas a primeira etapa — até à PEC 10 (Mortágua), que será também a Power Stage da prova.

Classificação Final CPR — Rali Terras D’Aboboreira (oficiosa)

1.º Rúben Rodrigues/Rui Raimundo (Toyota GR Yaris Rally2) — 1h24m22.0s 2.º Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia RS Rally2) — a 5.6s 3.º Pedro Almeida/António Costa (Toyota GR Yaris Rally2) — a 7.7s 4.º José Pedro Fontes/Inês Ponte (Lancia Ypsilon Rally2) — a 31.9s 5.º Pedro Meireles/Mário Castro (Skoda Fabia RS Rally2) — a 33.9s 6.º Ricardo Teodósio/José Teixeira (Citroën C3 Rally2) — a 1m15.1s 7.º Gonçalo Henriques/Inês Veiga (Hyundai i20 N Rally2) — a 1m29.3s 8.º Diogo Marujo/Jorge Carvalho (Skoda Fabia Evo Rally2) — a 1m47.4s 9.º Guilherme Meireles/Pedro Alves (Skoda Fabia Evo Rally2) — a 1m54.6s 10.º Henrique Moniz/Jorge Diniz (Skoda Fabia Evo Rally2) — a 2m42.6s

2RM (oficiosa)

1.º Pedro Câmara/João Câmara (Peugeot 208 Rally4) — 1h32m41.2s 2.º Hélder Miranda/Mariana Machado (Peugeot 208 Rally4) — a 4.4s 3.º Emanuel Figueiredo/Ricardo Pinto (Peugeot 208 Rally4) — a 1m03.3s