Oliver Solberg abriu com autoridade o Vodafone Rally de Portugal — a sexta ronda do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) —, terminando o primeiro dia competitivo no topo da classificação geral, a bordo do seu Toyota GR Yaris Rally1. O piloto sueco chegou à Praia da Claridade com 3,4 segundos de vantagem sobre Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) e 7,2 segundos sobre o terceiro classificado, Sébastien Ogier, também em Toyota. Um resultado tanto mais valioso quanto Solberg vinha de um abandono nas Ilhas Canárias, onde bateu na penúltima especial quando disputava precisamente com Ogier uma posição de destaque.

A prova arrancou com a cerimónia de partida em Coimbra, ao início da tarde, na margem esquerda do Mondego, com a cidade universitária a receber pela segunda vez consecutiva o papel de anfitrião do pontapé de saída desta 59.ª edição. Thierry Neuville tinha dado a Hyundai um sinal encorajador no shakedown de quarta-feira, em Baltar, mas a hierarquia viria a ser bem diferente quando as cronometragens a sério começaram.
Foi precisamente Fourmaux a impor o ritmo na abertura da competição. O francês e o seu co-piloto Alexandre Coria foram os mais rápidos na especial de Águeda/Sever, impondo-se logo de início com o Hyundai i20 N Rally1 e assumindo a liderança da prova. “Não estamos em Portugal de férias”, tinham avisado — e as palavras ficaram demonstradas nos cronómetros. Elfyn Evans, que comanda o campeonato de pilotos, tentou manter-se perto, terminando a apenas um décimo de segundo, mas nem a dupla britânica nem o Hyundai de Fourmaux descansaram. A vantagem de abrir a estrada, que obriga os primeiros a varrer o piso de cascalho solto, penalizou Evans ao longo do dia.
Na segunda classificativa, Sever/Albergaria — a mais longa das três do dia —, Solberg mudou o jogo. O nórdico aproveitou o traçado mais extenso para passar para o comando, num movimento que a super-especial da Figueira da Foz não alteraria, uma vez que os dois primeiros classificados fizeram exactamente o mesmo tempo nos 1,93 quilómetros desenhados à beira-mar. Ogier foi o mais rápido nessa derradeira prova do dia, o que lhe permitiu subir ao terceiro lugar à custa de Neuville, que desceu para quarto. Evans fechou os cinco primeiros.
Solberg, consciente da exigência que os dias seguintes trarão, preferiu a gestão à euforia. “Tentei fazer uma condução limpa e com cuidado. Não temos assistência e não queria tocar em lado nenhum. Falta muito. Cada dia é diferente. Amanhã vai ser duro para os pneus”, explicou o piloto sueco no final das três especiais.
Fourmaux, por seu lado, revelou apetite para o que aí vem. “Estou entusiasmado. Temos troços novos — ou feitos em sentido contrário — com novas notas. Vamos a isso. Estou satisfeito com o meu dia”, disse o piloto francês, que sabe que o segundo dia da prova, centrado na região Centro, será determinante para as aspirações da Hyundai.
O contexto do campeonato dá ainda mais sabor a este início. Elfyn Evans, Takamoto Katsuta e Sami Pajari ocupavam os três primeiros lugares do campeonato de pilotos antes desta prova, mas em Portugal a condição de líderes transforma-se em desvantagem: abrir a estrada significa varrer o cascalho solto para quem vem atrás. Ogier, que chegou a Portugal com o moral em alta após a vitória nas Canárias — o seu primeiro triunfo da temporada —, é historicamente o piloto mais bem-sucedido nesta prova, com sete vitórias em 15 participações, e o seu desempenho no final do dia deixou claro que não estará longe da luta pela vitória.

No WRC2, o espanhol Jan Solans, em Skoda Fabia RS Rally2, lidera a classificação, mas com a concorrência colada: Nikolay Gryazin (Lancia) está a apenas 0,9 segundos, enquanto Alejandro Cachón (Toyota) ocupa o terceiro posto a 4,1 segundos. O líder do campeonato desta categoria, Yohan Rossel (Lancia), terminou o dia em quarto lugar. No WRC3 e JWRC, o turco Ali Türkkan (Ford) destaca-se na frente da classificação.
Entre os portugueses, Rúben Rodrigues (Toyota) foi o mais forte dos participantes no Campeonato de Portugal de Ralis, construindo progressivamente a sua vantagem ao longo do dia até chegar a 5,9 segundos sobre Gonçalo Henriques (Hyundai) e 10,3 segundos sobre Armindo Araújo (Skoda). “Está a ser um início de prova bastante animador, embora ainda estejamos no início e amanhã vamos ter dificuldades acrescidas. Estes resultados espelham o trabalho que temos desenvolvido, o que nos motiva ainda mais”, afirmou Rodrigues.

A segunda jornada, esta sexta-feira, coloca os concorrentes perante sete especiais na região Centro. Mortágua (14,59 km) abre e fecha o programa, com duplas passagens também por Arganil (18,62 km, agora em sentido contrário), Lousã (7,07 km) e Góis (15,66 km, igualmente em contramão). O parque de assistência de Arganil serve de ponto de respiro a meio do dia, antes do regresso à Exponor, em Matosinhos, perto das 18h05. Vantagem curta, piso imprevisível e troços que inverteram o sentido habitual: o Rally de Portugal está apenas a começar.
Fotos: PureWRC | José Miguel Martins


