Sébastien Ogier terminou esta sexta-feira o segundo dia do Vodafone Rally de Portugal na liderança da classificação geral, com o tempo de 1h28m25,2s, mas a etapa ficou marcada pelos dramas que ditaram o rumo da prova — com furos, saídas de estrada e reviravoltas que tornaram a jornada num autêntico espectáculo de emoções nas estradas portuguesas.

O piloto francês da Toyota, seis vezes campeão do Mundo, não teve um dia isento de percalços. De manhã, foi obrigado a reduzir a velocidade por causa do pó levantado pelos adversários que partiram antes de si, e confessou ter sentido dificuldades em encontrar a melhor afinação para o seu GR Yaris Rally1. Ainda assim, na secção da tarde, a consistência valeu-lhe três vitórias nas quatro classificativas disputadas e, com isso, a subida ao topo da tabela. “Naturalmente que estou muito satisfeito por ter terminado o dia na liderança. Amanhã começa um novo rali e acho que podemos ficar satisfeitos com o que fizemos esta tarde, até porque a manhã foi extremamente complicada, em que tive de reduzir a velocidade por causa do pó”, reconheceu Ogier.
A vantagem é curta — apenas 3,7 segundos sobre Thierry Neuville, que ocupa o segundo lugar ao volante do Hyundai i20 N Rally1 com o companheiro Martijn Wydaeghe. O belga, que teve uma manhã difícil, recuperou de forma impressionante ao longo da tarde, somando duas vitórias em especiais e seis tempos no pódio em dez classificativas. “Há muito tempo que não estávamos nesta posição, a lutar pela liderança com uma boa velocidade no carro, e sinto-me muito bem com isso. Foi um bom dia, embora não tenha sido fácil, mas a performance esteve lá e fomos bastante consistentes. Conseguimos aumentar a velocidade ao longo do dia, pelo que estamos a trabalhar numa boa direcção”, disse Neuville, que se mostrou optimista para o sábado, dia em que a chuva é esperada.

O grande drama da jornada teve por protagonista Adrien Fourmaux. O jovem piloto francês da Hyundai arrancou o dia da melhor forma possível — marcou o segundo tempo na abertura da especial e chegou a liderar a prova com uma vantagem de 7,7 segundos — mas tudo desmoronou na oitava classificativa, em Góis. Aos 12 quilómetros da especial, Fourmaux sentiu problemas nos travões, não conseguiu evitar sair de estrada e furou dois pneus do lado direito do seu i20 N Rally1. A paragem custou-lhe quase 29 segundos e precipitou-o para o sexto lugar, a 34,3 segundos da liderança. “Estávamos a fazer uma prova bastante positiva, mas tivemos a infelicidade de sair ligeiramente de estrada e furámos dois pneus. Ainda tentámos andar depressa, mas ficámos sem pneus suplentes e não podíamos correr riscos. O rali é muito longo, pelo que temos de nos concentrar até domingo”, afirmou o gaulês, recusando atirar a toalha ao chão.
O finlandês Sami Pajari, que começou o dia em modo de ataque e venceu as especiais de Mortágua e Arganil, também não escapou aos furos e perdeu tempo precioso, embora tenha segurado o terceiro lugar, a 15,2 segundos de Ogier. No mesmo local onde Fourmaux sofreu a sua queda, em Góis, também o sueco Oliver Solberg se viu a braços com uma saída de estrada. O piloto Toyota acabou o dia no quarto posto, a 16,4 segundos. Elfyn Evans, líder do campeonato do Mundo, teve a tarefa ingrata de abrir a estrada e pagou esse preço, terminando em quinto a 28,1 segundos — ou 32,5 segundos. O galês da Toyota tem sido prejudicado pela sua posição de largada, condicionada pela liderança do campeonato.

Na equipa Hyundai, Dani Sordo passou o dia a lutar sem encontrar ritmo. A escolha de pneus duros para a manhã custou-lhe posições, e uma saída na SS5 agravou ainda mais a situação. De tarde, com uma mescla de pneus, o espanhol continuou sem conseguir chegar ao nível esperado e encerrou o dia no oitavo lugar. “Hoje foi bastante complicado. Pusemos tudo de nós para lutar, mas não estávamos no ritmo. Perdemos tempo esta manhã com a escolha dos pneus e de tarde não fomos tão rápidos como esperávamos”, admitiu Sordo.
Na Ford M-Sport, Jon Armstrong sobreviveu ao dia sem a direcção assistida no seu Puma Rally1, numa demonstração de resiliência. O companheiro de equipa Märtinš Sesks teve menos sorte: sofreu um duplo furo na segunda passagem por Mortágua, ao terceiro quilómetro da especial, e a paragem para trocar pneus custou-lhe quatro minutos — o que o colocou atrás dos primeiros do WRC2. O japonês Takamoto Katsuta (Toyota) ficou em sétimo, enquanto Joshua McErlean (Ford) e os espanhóis Sordo/Carrera completam o top 10.

No WRC2, a batalha é de enlouquecer. Os quatro primeiros estão separados por apenas 6,4 segundos: Nikolay Gryazin (Lancia) lidera, com Jan Solans (Skoda) a 2,5 segundos, Roope Korhonen (Toyota) em terceiro por uma margem de apenas dois décimos, e o líder do campeonato Yohan Rossel (Lancia) logo atrás.
Em casa, a competição também deu satisfações. Rúben Rodrigues estreou-se no Vodafone Rally de Portugal com uma vitória no Campeonato de Portugal de Ralis, ao volante de um Toyota Yaris Rally2. O açoriano — que já tinha vencido a primeira prova da temporada nacional — deixou Gonçalo Henriques (Hyundai) a 9,6 segundos, com Pedro Almeida (Toyota) no terceiro lugar. “Foi uma experiência fantástica competir pela primeira vez no Vodafone Rally de Portugal. Estou muito feliz por obter a segunda vitória da temporada no CPR. Para esta prova trabalhámos afincadamente, tal como a equipa ARC Sport, pelo que só posso sentir-me orgulhoso pelo resultado final”, declarou o vencedor.

O sábado, o dia mais longo e exigente da prova, promete novos capítulos desta batalha que se mantém em aberto. Estão agendadas nove especiais para um total de 145,88 km cronometrados, com passagens duplas por Felgueiras, Cabeceiras de Basto, Amarante e Paredes, e uma visita única à super-especial de Lousada ao final da tarde. A chuva, largamente esperada, poderá baralhar as contas e reescrever a ordem de uma prova que, ao fim do segundo dia, se mantém mais incerta do que nunca.
Fotos: PureWRC | José Miguel Martins

Resultados da etapa


