Rúben Rodrigues não conhece outra forma que não seja vencer. O piloto açoriano, navegado por Rui Raimundo ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, conquistou esta sexta-feira a prova do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) integrada no Vodafone Rally de Portugal, a segunda jornada do campeonato, impondo-se com uma margem de 9,6 segundos sobre Gonçalo Henriques. Dois ralis, duas vitórias: Rodrigues mantém-se invicto no CPR’2026.

Tratou-se de uma estreia, era a primeira vez que o piloto da Auto Açoreana Racing disputava as classificativas da ronda portuguesa do WRC, mas em momento algum isso se notou na sua condução. Imperturbável desde a primeira especial, Rodrigues controlou a concorrência ao longo dos sete troços desta sexta-feira e cruzou a meta em 1h35m29,1s, consolidando a liderança do campeonato com uma vantagem confortável.
Por detrás deste desempenho está também uma equipa em estado de graça. A ARC Sport, de Aguiar da Beira, que assiste Rúben Rodrigues, atravessa uma temporada simplesmente irrepreensível: em 2026, ainda não perdeu uma única prova em que participou. O palmarés acumulado até hoje é impressionante — o Rali de Vieira do Minho logo no arranque da época, as duas provas do CPR com Rodrigues, as duas provas do Regional da Madeira com João Silva, o Rali de Serpa com João Ferreira, e ainda as duas provas do Campeonato de Montanha já disputadas com Luís Nunes na categoria Super Challenge. Oito provas, oito vitórias. Uma equipa que, neste momento, parece imbatível em qualquer palco onde se apresente.
“Foi uma experiência fantástica competir pela primeira vez no Rally de Portugal e estou muito feliz por obter a segunda vitória da temporada no CPR. Preparámos muito bem a prova, trabalhando de forma afincada, tal como a equipa, e só posso sentir-me orgulhoso pelo resultado”, afirmou Rúben Rodrigues no final.

A jornada ficou marcada pelo infortúnio de Armindo Araújo, que se apresentava como um dos adversários mais credenciados ao volante do Skoda Fabia RS Rally2 — e os cronómetros confirmaram-no: o piloto de Santo Tirso foi o mais rápido no somatório dos tempos das especiais. A crueldade do desporto motorizado revelou-se, porém, na ligação da Figueira da Foz à primeira classificativa, em Mortágua, quando um cabo se desligou inesperadamente no sistema eléctrico do carro, provocando um atraso de 16 minutos e uma penalização de 2m40s. O piloto que seguia em terceiro despencou para o décimo segundo lugar, a 2m51,3s do líder, vendo as suas ambições desfeitas antes sequer de a luta real começar.
“Não era claramente isto que esperávamos no final deste dia, mas as corridas são assim mesmo. Depois de termos perdido tanto tempo, sabíamos de antemão que não íamos conseguir recuperar muitos lugares, mas demos o máximo, vencemos especiais e mostrámos que tínhamos ritmo para podermos ter saído hoje com a vitória. Ainda falta muito campeonato e não é por este resultado que vamos deixar de lutar pelo objectivo de o vencer”, disse Araújo, que não escondeu a frustração, mas também não perdeu o foco no que está para vir.

Com Araújo fora da equação pela frente, Gonçalo Henriques (Hyundai i20 N Rally2) emergiu como o principal perseguidor de Rodrigues, mas o piloto também não passou incólume pelas dificuldades. Na primeira passagem pelo troço de Mortágua, um toque com a roda traseira direita após o salto empenou o braço de suspensão do Hyundai, obrigando-o a completar várias especiais em dificuldade até à assistência a meio da manhã, onde a equipa pôde finalmente proceder à reparação. Apesar do contratempo, Henriques revelou uma solidez assinalável para segurar o segundo lugar, terminando a 9,6s do vencedor. Pedro Almeida (Toyota GR Yaris Rally2), cada vez mais confiante na adaptação ao Yaris, fechou o pódio a 26,2s, ficando a apenas 16,6s de Henriques numa demonstração de crescimento contínuo.

A luta pelo quarto lugar trouxe outra das peripécias do dia. José Pedro Fontes (Lancia Ypsilon HF Rally2) foi penalizado com um minuto por ter passado num controlo antes da sua hora ideal — algo que o próprio contestou —, o que o afastou da posição e abriu caminho a Pedro Meireles (Skoda Fabia RS Rally2) para herdar o quarto lugar, terminando a 1m26,7s da frente. Ricardo Teodósio (Citroën C3 Rally2), ainda a encontrar o seu ritmo no novo carro, foi quinto, com Fontes e Hugo Lopes — este também às voltas com problemas de direcção no Hyundai — a ultrapassarem Diogo Salvi (Skoda Fabia RS Rally2) na derradeira classificativa para fecharem os lugares seis e sete.

Araújo recuperou o que pôde e terminou nono, mas o fim da prova do CPR não significa o fim do seu fim de semana. Com dois longos dias ainda pela frente no Vodafone Rally de Portugal, o piloto de Santo Tirso reorientou os objectivos: “Sermos a melhor dupla portuguesa no pódio final é sempre uma das missões a que nos propomos à partida e, apesar deste contratempo, tudo faremos para conseguir alcançá-la. Não será uma tarefa fácil, mas acreditamos que, com tantos quilómetros para disputar, vamos conseguir”.
A fechar o top dez ficou Paulo Neto (Skoda Fabia RS Rally2), também ele assistido pela ARC Sport, que completou a prova a 3m35,5s do vencedor. O gentlemandriver vai ainda disputar o Vodafone Rally de Portugal na sua totalidade, acumulando assim uma experiência única no palco mais exigente do calendário nacional.
No campeonato, Rúben Rodrigues lidera destacado com 52 pontos, seguido de Pedro Almeida com 38 e Gonçalo Henriques com 31. Araújo, apesar do contratempo, soma 27 pontos e mantém-se na luta — tal como prometeu.
O CPR regressa dentro de três semanas, com o Rally de Lisboa, nos dias 29 e 30 de maio, que marcará a estreia das classificativas em asfalto na temporada de 2026.


