Distingue-se por pequenos detalhes exteriores, muito em particular na secção frontal, nas luzes traseiras e até nalgumas das cores, mas para descobrirmos o que a nova Isuzu D-Max traz que a diferencia, temos de abrir o capot. Então descobrimos que passa a montar um turbodiesel de 2,2 litros com os mesmos 164 cv de potência máxima, mas que desenvolve um binário mais elevado e disponível em regimes mais baixos. Além de passar a oferecer de novo a opção de caixa manual de 6 velocidades, a que junta uma nova transmissão automática de 8 velocidades!

A forma mais fácil de reconhecer a nova Isuzu D-Max é colocá-la de frente ao lado do modelo que agora é substituído, pois assim percebemos imediatamente que as diferenças são facilmente detectáveis. Mas se fizermos como nós, ficará perfeitamente elucidado daquilo que mais marca a diferença, ainda que não se veja: passámos uma jornada a experimentá-la, por um percurso que embora não nos tenha levado para longe de Lisboa, bastou para deixar uma forte primeira impressão do desempenho – em estrada e até fora dela!
Foram somente algumas dezenas de quilómetros, num itinerário entre a capital e a vila de Bucelas. Pelo meio tivemos direito a uma deliciosa hora inteira de condução fora da estrada. Este passeio em todo terreno foi especialmente suavizado pela forte humidade da noite e até por alguns leves aguaceiros matinais, que nos livraram de fazer as rodas levantarem densas colunas de pó e deixaram perfeitamente límpida a magnífica paisagem. Rolámos sobretudo pela antiga Estrada Militar aberta no início do século XIX para facilmente fazer chegar abastecimentos à cadeia de fortes e fortins da segunda linha da rede defensiva contra as invasões napoleónicas. Falamos das famosas “Linhas de Torres”, que mais de dois séculos volvidos ainda rasgam a cumeeira das serras.
Onde outrora passaram carroças a puxar canhões, agora conduzimos a nova pick-up da Isuzu, ensaiando brevemente a versão que estreia a caixa automática de 8 velocidades. Uma pick-up 4×4, evidentemente. E dotada com caixa de transferências que permite escolher entre relações de transmissão altas ou curtas. O bloqueio do diferencial traseiro integra ainda o equipamento de série e usámo-lo antes mesmo de ligar o ar condicionado…
Assim que deixámos o asfalto, não só accionámos a tracção 4×4, como ainda seleccionámos as relações curtas, que o percurso começava com alguns obstáculos. Nada de realmente difícil, mas abordá-los em redutoras e mesmo com o diferencial traseiro bloqueado foi determinante para que os tivéssemos superado suavemente e quase sem dar por isso. Certo é que sem redutoras não passaríamos – tentámos… – e sem bloqueio no diferencial posterior também não era garantido que não ficássemos ali a esgravatar a terra sem sair do mesmo sítio.

E aqui reconhecemos que o novo motor também tenha dado um importante contributo para o sucesso da missão: a subida de 360 para 400 Nm de binário máximo não é impressionante, tanto mais que a potência manteve os mesmos 164 cv, mas o facto do motor atingir o ponto de binário máximo logo às 1600 rpm, mantendo-o neste nível até às 2400 rpm, foi suficiente para que trepássemos valas desencontradas – a provocar cruzamento de eixos – e subíssemos um degrau de pedras bem salientes somente com a força do motor a trabalhar ao ralenti. Não tocámos sequer no pedal do acelerador e a Isuzu D-Max trepou por ali acima.
A estes obstáculos seguiu-se um percurso rolante e de traçado rápido, que ainda deu para carregar no acelerador e sentir que mesmo sem carga a nova D-Max não se comporta como uma cabra montanhesa aos pinotes. Já no final, uma longa descida de piso pedregoso tornou mais recomendável voltarmos às redutoras, assegurando que descêssemos vagarosamente, com total conforto e sem irmos aqueles minutos sempre a carregar no pedal dos travões.
Ao regressar ao ponto de partida, feitas as contas ao consumo, que não podia ter sido mais diversificado em termos de condições de terreno e de circulação, gastámos apenas mais um litro aos 100 quilómetros que a média indicada pela Isuzu. O que quer dizer que chegámos aos 10,0 l./100 km, mas não passámos disso. Nada mau para uma pequena camioneta de duas toneladas e meia!
O coração da novidade: o motor 2.2 Diesel
A grande novidade técnica da D-Max MY26 é o novo bloco Diesel de 2,2 litros (código RZ4F), que substitui o 1.9 litros da geração anterior. A cilindrada cresce, mas a potência mantém-se nos 164 cv às 3600 rpm. A diferença está no binário: passa de 360 Nm para 400 Nm, disponível entre as 1600 e as 2400 rpm. Mais revelador ainda é o comportamento a baixas rotações: às 1000 rpm, o novo motor entrega já 255 Nm, contra os 160 Nm do anterior 1.9. Na prática, significa mais facilidade em arranques em carga, manobras, subidas e circulação em piso irregular, com menos necessidade de recorrer à caixa de velocidades.
O novo bloco é tecnicamente mais elaborado: estreia câmara de combustão renovada, cambota, pistões e bielas novos, e um turbocompressor VGS eléctrico de resposta mais rápida. O sistema de pós-tratamento dos gases de escape foi igualmente revisto. Apesar do aumento de cilindrada, os consumos e emissões de CO₂ mantêm-se sensivelmente ao mesmo nível do motor anterior, cumprindo a norma Euro 6e-bis e os requisitos do regulamento europeu GSR III. Motor maior, maior desempenho e melhor performance, com o mesmo nível de emissões e consumos.
Duas transmissões para todos os estilos
A MY26 traz também uma revolução ao nível das transmissões. O modelo anterior oferecia apenas uma caixa automática de 6 velocidades. A nova geração passa a dispor de duas opções: a caixa manual Isuzu de 6 velocidades, que regressa ao catálogo depois de uma ausência, e uma nova transmissão automática Aisin de 8 velocidades, especificamente afinada para o motor 2.2. Ambas as caixas têm as relações adaptadas ao aumento de binário, com o objectivo de melhorar a performance, a eficiência, a durabilidade e o conforto.

A automática de 8 velocidades oferece uma gama de relações mais ampla, com passagens mais rápidas e suaves, reflectindo-se em arranques mais eficazes e consumos optimizados. A manual de 6 velocidades foi desenvolvida para explorar ao máximo o binário acrescido, garantindo excelente capacidade de arranque, linearidade na aceleração e menor rotação em auto-estrada, o que se traduz em mais conforto e eficiência nas viagens longas.
Um visual mais musculado e agressivo
O conceito de design da MY26 resume-se em três palavras: mais potente, mais agressivo, mais desportivo. Na frente, a nova grelha frontal foi completamente redesenhada, as ópticas dianteiras ganham novo desenho, as entradas de ar ficam mais desportivas e as luzes de nevoeiro passam a ser maiores. As jantes e os estribos laterais também recebem novos desenhos.
Na traseira, destacam-se as ópticas redesenhadas, o novo para-choques e o novo puxador de abertura do portão. O resultado é uma presença visual mais forte, sem perder a identidade funcional e robusta que sempre caracterizou a pick-up da Isuzu. A paleta de cores é composta por nove tonalidades, entre as quais se estreia o Inishmore Green.
No interior, o ambiente do habitáculo adoptou tons de preto e cinzento escuro, com novos padrões de revestimento para uma sensação mais confortável e sofisticada. O equipamento de destaque inclui o painel de instrumentos LCD de 7 polegadas (nas versões LSE), volante multifunções, sistema Passive Entry Start (PESS) e quatro câmaras digitais com visão 360 graus. O sistema áudio conta com ecrã de 8 ou 9 polegadas consoante a versão, com Apple CarPlay e Android Auto.
Novos sistemas de segurança e conectividade
A D-Max MY26 estreia dois sistemas de segurança inéditos na gama. O Driver Monitoring System (DMS) utiliza uma câmara para acompanhar o nível de atenção do condutor, alertando quando detecta distracção a velocidades iguais ou superiores a 20 km/h. O sistema 4G e-Call, por seu lado, emite automaticamente um sinal de emergência SOS em caso de acidente, accionamento de airbag ou pressão do botão SOS, transmitindo dados como a localização do veículo, o modelo e o número de passageiros. Ambos os sistemas fazem parte da conformidade com o regulamento europeu GSR III.

O sistema ADAS (Isuzu Advanced Driver Assist System) está presente em toda a gama, assim como o ABS com EBD e Brake Assist, o ESC, o controlo de oscilação de reboque (TSC), o HAC e o HDC. A D-Max MY26 conta ainda com 7 ou 8 airbags consoante a versão de cabina.
Capacidades de trabalho e de todo-o-terreno
A vocação profissional mantém-se inalterada. A D-Max MY26 apresenta um peso bruto de 3100 kg nas versões 4×4 (3000 kg nas 4×2), uma carga útil até 1135 kg e uma capacidade máxima de reboque de 3500 kg com travões, atingindo um peso máximo combinado de 6000 kg. Números que a posicionam como uma das mais capazes do segmento para utilizações profissionais intensivas.
As capacidades fora de estrada são igualmente sólidas: vau de 80 cm, ângulo de ataque de 30,5°, ângulo ventral de 22,9° e ângulo de saída de 24,2°. A suspensão dianteira independente com braços triangulares duplos e molas helicoidais combina com eixo rígido traseiro de molas de lâminas, arquitectura testada e reconhecida pela sua robustez e fiabilidade.

Gama completa: o único player com todas as configurações
A Isuzu posiciona a D-Max MY26 como o único modelo do segmento a oferecer a gama completa ao mercado português. Estão disponíveis versões 4×2 e 4×4, três configurações de cabina (simples, longa e dupla), transmissões manual e automática, e duas orientações de gama: Trabalho e Lazer.
Na Cabina Simples (2 lugares), a versão L está disponível em 4×2 e 4×4 com caixa manual, podendo a automática ser solicitada sob encomenda. Na Cabina Longa (3 lugares), a gama inclui versões 4×4 L e LS, com ambas as transmissões (automática sob encomenda na L). Na Cabina Dupla (3 ou 5 lugares), a oferta contempla versões 4×2 e 4×4 com configurações L, LS e LSE. A gama D-Max 2026 mantém uma oferta completa e adaptada a diferentes perfis de utilização, sendo o único player do segmento a oferecer todas as configurações ao mercado.
V-Cross: série especial limitada a 20 unidades
Para os entusiastas do todo-o-terreno e de um estilo mais radical, a Isuzu lança a série especial V-Cross, limitada a apenas 20 unidades para Portugal. Com base na Cabina Dupla 4×4 LSE (3 ou 5 lugares), inclui um pack de equipamentos específicos: roll top, sailplane, bedliner, guarnição frontal, pneus BF Goodrich T/A K03, abas de rodas, amortecedor do portão traseiro, encostos de cabeça e embaladeiras V-Cross, além de autocolantes laterais e traseiro e badges exclusivos. O pack V-Cross tem o preço de 5.150 € + IVA sobre a versão LSE base. Está disponível em quatro cores: Obsidian Grey, Mercury Silver, Onyx Black e Inishmore Green.

Preços e garantia
Em Portugal, os preços da nova Isuzu D-Max MY26 arrancam nos 33.188 € + IVA para a Cabina Simples de 2 lugares. A Cabina Longa de 3 lugares parte dos 36.908 € + IVA e a Cabina Dupla de 3 ou 5 lugares começa nos 38.508 € + IVA. A estes valores acrescem despesas de transporte e legalização, eco taxas e condições comerciais vigentes na rede de distribuidores.
A nova D-Max MY26 beneficia de garantia de 5 anos ou 100.000 km, garantia anti-perfuração de 12 anos e garantia de 2 anos para peças sem limite de quilómetros. A Isuzu, o mais antigo fabricante de motores Diesel do mundo e líder global neste segmento, acumula mais de 80 anos de história e posiciona a D-Max como a sua principal proposta de pick-up para uso profissional e de lazer em mercados como o português.

Texto: Alexandre Correia

