O Rali da Madeira, quinta jornada do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), teve um desfecho distinto do da geral da prova. Armindo Araújo e Luís Ramalho, apesar do “apenas” terceiro lugar absoluto, foram os grandes vencedores da ronda do CPR, ao volante de um Skoda Fabia RS Rally2, tendo liderado a classificação específica do campeonato desde a primeira classificativa e vencido ainda a Power Stage, que distribui pontos extra. “Fizemos um dos nossos melhores ralis aqui na Madeira e conseguimos alcançar o nosso objetivo, que era amealhar o máximo de pontos possíveis para o campeonato. Lideramos desde a primeira classificativa, das quinze que disputámos só não fomos os mais rápidos em duas, e por isso considero que foi uma prova quase perfeita no que ao CPR diz respeito”, afirmou Armindo Araújo.

Apesar da vitória de prova no CPR, quem sai da Madeira a liderar o campeonato nacional é Rúben Rodrigues, que junto de Rui Raimundo terminou em segundo lugar entre os concorrentes do CPR (5º da geral), reforçando a liderança que já detinha. O piloto açoriano, da estrutura ARC Sport, admitiu dificuldades técnicas ao longo do fim de semana: “Fomos ao Rali da Madeira com o objetivo, claro, de lutar pela vitória no CPR. Mas, logo desde a PEC3, percebemos que a eletrónica do nosso carro nos ia condicionar até ao fim, e restou-nos resignar e tentar manter o segundo lugar. Quero agradecer à minha equipa, que fez um trabalho fantástico para resolver esse problema, o que nos permitiu ter um segundo dia sem quaisquer contratempos. Conseguimos manter essa posição de forma clara e folgada, o que nos permite manter a liderança do Campeonato de Portugal de Ralis. Gerir e manter o foco é, talvez, a tarefa mais difícil neste desporto, e é incrível o que a ARC Sport consegue fazer. Obrigado à equipa — foi um rali muito duro também para vocês, e obrigado por nunca desistirem e nunca baixarem os braços. Obrigado, Madeira: somos sempre recebidos com muito carinho nesta fantástica ilha.” Rúben Rodrigues termina a Madeira na frente do CPR com 100 pontos, contra 80 de Pedro Almeida e 67 de Armindo Araújo.

Precisamente Pedro Almeida, ao volante do Toyota GR Yaris Rally2 da TOYOTA GAZOO Racing Caetano Portugal, fechou o pódio do CPR em terceiro lugar (6º da geral), somando o quarto pódio da temporada junto de António Costa, depois de um arranque mais discreto que foi corrigindo ao longo da prova — foi mesmo o mais rápido entre os pilotos do CPR nas classificativas 12 e 14. “Não saímos da Madeira satisfeitos, porque para estarmos satisfeitos seria com o triunfo na corrida, mas numa prova tão rápida e exigente foi impossível recuperar no segundo dia o tempo que perdemos na primeira parte da prova”, resumiu o piloto de Famalicão.

Ricardo Teodósio e José Teixeira, em Citroën C3 Rally2, terminaram em quarto lugar do CPR e 7º da geral, um resultado que os fez subir ao 4º posto do campeonato nacional. “Foi um rali muito exigente, onde tivemos de estar sempre muito concentrados. O objetivo era terminar, fazer uma prova consistente e conquistar o maior número de pontos possível para o campeonato”, referiu Ricardo Teodósio, com José Teixeira a destacar “um ritmo muito elevado desde o primeiro quilómetro”.

Também a assinalar esteve a prova de Hugo Lopes e Magda Oliveira (Team Hyundai Portugal), que fecharam em quinto no CPR e 8º da geral com o Hyundai i20N Rally2, tendo ainda registado o segundo melhor tempo da Power Stage entre os concorrentes do CPR, a apenas 1,1 segundos do mais rápido. “Fomos evoluindo secção a secção e posso afirmar que nunca andei tão depressa ao volante do Hyundai”, assumiu Hugo Lopes. Já o colega de equipa Gonçalo Henriques protagonizou a primeira desistência da temporada da equipa, ao sair de estrada logo na segunda classificativa, em Santo da Serra: “Não conseguimos evitar um embate forte num muro, numa curva em que ‘perdemos’ a frente. […] São coisas que acontecem nos ralis, mas que não são reflexo do nosso trabalho, nem do trabalho de toda a equipa”, lamentou, deixando ainda um pedido de desculpas à equipa e aos patrocinadores.

A estrutura ARC Sport, que assiste Rúben Rodrigues, teve apenas uma baixa: Ricardo Filipe e Rui Rodrigues abandonaram na sétima classificativa com um problema na transmissão do seu Skoda. “Foi uma situação inesperada que teve a ver com o veio central da transmissão. De qualquer forma, quero agradecer à Madeira pela forma como nos receberam e pelos troços espetaculares que encontrámos”, disse Ricardo Filipe. Ainda assim, o balanço da equipa foi globalmente positivo, com Paulo Neto/Carlos Magalhães e Paulo Caldeira/Tiago Fernandes a cumprirem provas dentro do esperado. “Só faltaram mesmo as vitórias. Estamos a liderar o nacional de ralis e na luta direta pelo campeonato madeirense”, resumiu Augusto Ramiro, da ARC Sport.
Com este resultado, o Campeonato de Portugal de Ralis passa a ser liderado por Rúben Rodrigues (100 pontos), seguido de Pedro Almeida (80) e Armindo Araújo (67), com Ricardo Teodósio (54) e Pedro Meireles (51) a fechar o top cinco, entre os 35 pilotos classificados. Segue-se agora o Rali da Água Transibérico Eurocidade Chaves-Verín, agendado para 11 e 12 de setembro, uma das próximas paragens do calendário nacional.



