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João Ferreira reina em Reguengos

Piloto de Leiria vence a 38.ª Baja TT Sharish Gin com 8m25s de avanço e parte já para Marrocos. Guerreiro regressa aos triunfos em Portugal depois da lesão sofrida no Dakar.

João Ferreira e Filipe Palmeiro (Toyota Hilux Evo) venceram este domingo a 38.ª Baja TT Sharish Gin Reguengos/Mourão. É o quinto triunfo consecutivo do piloto de Leiria na prova alentejana, sendo que o de 2022 foi conquistado com David Monteiro como navegador. No final de três dias e de mais de 430 quilómetros cronometrados, a dupla da Toyota Gazoo Racing entrou na meta com 8m25s de vantagem sobre Gonçalo Guerreiro (Polaris RZR Pro R), segundo da geral. João Ramos (Toyota Hilux), a 9m30s, fechou o pódio. A prova, organizada pela Sociedade Artística Reguenguense, contou para a FIA European Baja Cup e para o Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno AM|48, de que foi a quarta de sete etapas.

João Ferreira e Filipe Palmeiro

Ferreira venceu três dos quatro sectores selectivos. Assumiu o comando no sábado, quando foi o mais rápido nas duas passagens pelo longo sector de Reguengos, e à noite já somava 7m40s de vantagem sobre Ramos. O piloto oficial da Toyota Gazoo Racing South África e da SVR chegou ao último dia com a Hilux intacta. “É um balanço bastante positivo. Vencemos pela quinta vez a Baja TT Sharish e diverti-me imenso. Foi uma prova dura, como nos tem habituado, com um terreno muito, muito duro, mas estou contente”, afirmou. Agradeceu aos “adeptos portugueses que me apoiaram” e disse que o carro “esteve perfeito“. Elogiou ainda Filipe Palmeiro, que teve de navegar a abrir estrada, “o que tornou tudo mais complicado”. O navegador, por sua vez, destacou o apoio do público de Reguengos e as melhorias introduzidas no carro.

Gonçalo Guerreiro e Pablo Moreno

O grande protagonista do último dia foi, porém, Gonçalo Guerreiro. O campeão nacional em título teve um susto no prólogo e partiu muito atrás, mas foi o mais rápido entre os SSV em todos os sectores selectivos. No sinuoso e técnico SS3 ultrapassou Ramos, a quem tirou quase minuto e meio, e recuperou o segundo lugar da geral. A vitória tem um sabor especial, porque em Janeiro Guerreiro sofreu três fracturas na mão esquerda num acidente no Dakar e só regressou à competição em Maio. “É a minha primeira vitória em Portugal desde a lesão, por isso sabe mesmo bem, depois de tantos meses afastado das corridas, a recuperar”, disse. “Terminámos em segundo da geral entre dois T1+ Ultimate, ambos Toyota Hilux, por isso é bom ter o Polaris no meio deles.”

João Ramos e Jorge Carvalho

Ramos reconheceu que o traçado favorecia os SSV. “Com apenas 20 segundos de vantagem, senti que seria muito difícil segurá-lo. Face ao risco que teria de correr, e aos meus objectivos, terminar a prova e manter o segundo lugar no campeonato europeu e no meu grupo, foi um excelente resultado”, explicou o piloto da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal. O pódio é um regresso em grande a uma época marcada por uma avaria em Beja e por desistências em Cuenca e em Itália.

Tiago Reis e Nuno Morais

No campeonato nacional, Luís Cidade (Can-Am Maverick R) foi quarto da geral e segundo entre os SSV, a 3m47s de Guerreiro. Venceu o prólogo, mas um problema eléctrico na sexta-feira e um furo travaram-lhe as ambições. Mantém a liderança com 84 pontos, seguido de Tiago Reis (67), Guerreiro (61) e Ferreira (60), pelo que o título continua em aberto a três provas do fim. Reis (MMP T3 Rally Raid), quinto da geral, venceu os Challenger depois de uma recuperação notável. Era apenas 17.º da geral no final do primeiro sector selectivo e terminou com 1m33s de avanço sobre o holandês Paul Spierings (Taurus Evo Max). O irmão, Edgar Reis, subiu de quinto para terceiro nos Challenger no último dia, à custa do azar dos irmãos Klaassen. Pim, que disputava o terceiro lugar dos Ultimate, parou a meio do SS3, o que deu o lugar ao polaco Mariusz Wiatr (Ford F150 Evo). Henk, que lutava pelo pódio dos Challenger, ficou parado nos últimos 15 quilómetros.

Fernando Barreiros e José Marques

Nos Stock, Fernando Barreiros e José Marques (Isuzu D-Max) venceram com mais de 13 minutos de avanço sobre Andrei Halabarodzka (Toyota Land Cruiser). Reforçaram a liderança da classe na FIA European Baja Cup, na segunda vitória em 15 dias, depois de Aragão. “Foi uma corrida muito dura, muito desgastante fisicamente, mas atingimos o nosso objectivo. Saímos com o número máximo de pontos possível, portanto só posso estar feliz”, disse o piloto de Loures. Marques admitiu que, com uma vantagem confortável, “uma avaria ou um furo podia deitar tudo a perder“, pelo que adotaram “um andamento para não carregar nada, mas rápido o suficiente” para voltar a ganhar.

Maria Luis Gameiro e Rosa Romero

Houve também um lamento. Maria Luís Gameiro e Rosa Romero (MINI JCW Rally 3.0d) disputaram a primeira prova da piloto em Portugal em 2026, mas uma penalização de cinco minutos, atribuída depois da meta, atirou-as para o 22.º lugar da geral. “Estou muito satisfeita com aquilo que conseguimos fazer em pista. (…) A frieza da posição final não faz jus ao que conseguimos na prova”, disse a piloto, que concentra agora as atenções no Dakar 2027.

O diretor da prova, Carlos Medinas, fez um balanço “extremamente positivo”. “Houve alguns acidentes e incidentes, mas do ponto de vista desportivo foi um sucesso. Houve muita gente e muita competitividade“, afirmou, esperando repetir o feito na 39.ª edição. Das 42 equipas que constam da classificação final, 33 chegaram ao fim.

Para João Ferreira, o descanso será curto. Parte na terça-feira para Marrocos, onde disputa a quarta ronda do Mundial de Rally-Raid, o Rallye du Maroc, de 28 de Setembro a 3 de Outubro. Foi lá que, no ano passado, fechou a época com o 4.º lugar. Em Portugal, o calendário regressa a Portalegre, entre 15 e 17 de Outubro, na 40.ª edição da Baja Portalegre 500, que encerra a Taça da Europa e onde Ferreira venceu em 2025.

João Ferreira e Filipe Palmeiro

Classificação Final