Fomos ao Autódromo Internacional do Algarve conhecer o topo de gama da OMODA | JAECOO. Entre exercícios de segurança activa, voltas ao circuito e uma caravana todo-o-terreno, o OMODA 9 mostrou porque é a grande aposta da marca em Portugal.
Há convites que aceitamos por dever profissional e outros por pura curiosidade. O da OMODA | JAECOO para o OMODA 9 Driving Experience, na passada segunda-feira, dia 28 de Setembro, juntou as duas coisas. O palco era o Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, um dos traçados mais exigentes e espectaculares da Europa. O protagonista era um SUV chinês híbrido plug-in com 537 cv que chegou ao mercado português com pretensões que, até há poucos anos, pareciam reservadas às marcas premium europeias.

A marca não quis limitar-se a uma apresentação estática, e ainda bem. O dia foi organizado em quatro módulos, que nos permitiram ver o carro de perto e perceber o que tem para dar em situações bem diferentes.
O arranque foi feito com a avaliação estática, acompanhada pelo gestor de produto da marca, Nuno Catarino, com tempo para explorar o habitáculo, a tecnologia e os detalhes de um modelo que quer competir no segmento dos SUV de grandes dimensões. Seguiram-se os exercícios de segurança activa em piso de aderência reduzida, talvez a parte mais reveladora do dia. É fácil falar em sistemas de assistência quando o asfalto está seco e o trânsito é fluido. É bem diferente senti-los a trabalhar quando o carro tem de gerir travagens e mudanças de direcção numa superfície escorregadia. O OMODA 9 conta com 19 sistemas avançados de assistência à condução, e foi ali que percebemos o trabalho que fazem.
O terceiro módulo foi o mais apetecível para quem gosta de conduzir: voltas em circuito fechado, com acompanhamento de instrutores profissionais. Portimão não perdoa e é o melhor sítio para testar o que um carro de quase 2,7 toneladas consegue fazer quando lhe pedimos mais do que o habitual. Sabemos que não é um desportivo e que não nasceu para isso, mas os números dizem que também não se limita a cumprir calendário.
O sistema híbrido plug-in SHS combina um motor de combustão com três motores eléctricos, totalizando 537 cv e 650 Nm de binário. Acelera dos 0 aos 100 km/h em 4,9 segundos, um registo que, há pouco tempo, se associava a coupés desportivos. A tracção integral ajuda a pôr toda esta potência no chão, o que se sente sobretudo nas saídas de curva.
O quarto módulo foi uma caravana com os OMODA 5, OMODA 7 e OMODA 9, em estrada aberta e em piso de todo-o-terreno. Para quem, como eu, escreve para uma revista dedicada ao todo-o-terreno, foi interessante ver a gama a sair do alcatrão. Mais do que uma prova de capacidades off-road, serviu para mostrar a versatilidade de uma família que vai do urbano eléctrico ao topo de gama híbrido.

Fora da pista, o OMODA 9 tem argumentos que interessam ao comprador português. Anda até 145 km em modo totalmente eléctrico, o que cobre com folga a maioria das deslocações diárias sem gastar uma gota de combustível. Com o motor de combustão a entrar em ação, a autonomia total ultrapassa os 1.100 km, o que elimina a ansiedade de autonomia em viagens longas, como uma ida ao Algarve ou ao Porto sem paragens para carregar. A bordo, o Head-Up Display com realidade aumentada projecta informação sobre uma superfície equivalente a 50 polegadas, uma daquelas soluções que parecem mais um artifício usado para chamar a atenção até as usarmos e percebermos como facilitam a vida.
O reconhecimento externo também pesa. O design do OMODA 9 conquistou um Gold Award na categoria Automotive & Transport dos International Design Awards, tornando-se o primeiro SUV de uma marca chinesa a alcançar esta distinção. Em segurança, tem as cinco estrelas do Euro NCAP, com 90% na protecção de ocupantes adultos e 85% na de crianças, o que é importante para quem olha para marcas chinesas com algumas reservas.
Nos números que contam para a carteira, o OMODA 9 foi lançado em Portugal com um preço a partir de 49.900 euros, numa versão única com praticamente tudo de série. Mesmo tendo em conta que alguns valores de tabela entretanto divulgados apontam para cerca de 52.900 euros, continua a ser uma proposta agressiva para o que oferece. Há ainda um argumento fiscal a considerar, sobretudo para empresas: uma autonomia eléctrica superior a 50 km pode permitir enquadrar o modelo nos benefícios aplicáveis aos híbridos plug-in em matéria de IVA e tributações autónomas, mas convém confirmar cada caso com o contabilista. A garantia é de sete anos ou 150.000 quilómetros, com a bateria coberta por oito anos ou 160.000 quilómetros, o que ajuda a responder às dúvidas sobre fiabilidade e valor de revenda que, inevitavelmente, acompanham uma marca recém-chegada.
Essa chegada foi, de resto, rápida. A OMODA | JAECOO entrou no mercado nacional em Dezembro de 2025, representada pelo Grupo JAP, e em menos de um ano montou uma rede de 15 concessões entre o continente e os Açores, com cinco modelos que cobrem motorizações híbridas, plug-in e 100% eléctricas. Para Nuno Serra, Director de Importação da OMODA | JAECOO Portugal, o evento teve um propósito claro. “Colocar o OMODA 9 nas mãos de quem escreve sobre automóveis, num circuito como o Autódromo Internacional do Algarve, é a forma mais directa de mostrar o que o carro entrega. Este é um modelo central na nossa estratégia para Portugal e trazê-lo até aqui é também um sinal do compromisso da OMODA | JAECOO com o mercado português”, afirmou.

O dia teve ainda um momento especial no final, com a presença de Noah Monteiro, piloto profissional português e filho de Tiago Monteiro, que se juntou ao grupo para testar o OMODA 9. Aproveitou a passagem por Portimão para gravar conteúdo em pista para a marca, pondo o SUV à prova no mesmo traçado onde se disputam diversas provas do automobilismo mundial. Entre os convidados estava também Jorge Corrula, a par de outras personalidades conhecidas do público português.
No regresso a casa, a conclusão é simples. O OMODA 9 não é um carro que se explique apenas em folhas de especificações, e a OMODA | JAECOO percebeu isso ao trazer-nos a Portimão. Com potência de sobra, boa autonomia eléctrica, um pacote de segurança convincente e um preço competitivo, é uma proposta que os concorrentes europeus e japoneses já não podem ignorar. Falta o tempo dizer se a rede e a percepção de marca acompanham o produto, mas, em matéria de argumentos, a marca chegou a Portugal com um trunfo de peso.
Por Alexandre Correia | Revista Todo Terreno e PressXL News

