Evans, Tänak e Rovanperä, três campeões do mundo, lideram um line-up de seis pilotos. Portugal fica sem rali em casa, mas conta com Rui Soares como engenheiro do actual campeão.
A Toyota prepara-se para entrar na nova era do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) com uma aposta inédita: duas equipas distintas, dois carros diferentes e seis pilotos de luxo, entre eles pelo menos três campeões do mundo. O plano foi apresentado na passada terça-feira pela TOYOTA GAZOO Racing World Rally Team (TGR-WRT), na sede de Jyväskylä, na Finlândia, a pensar em 2027, ano em que entram em vigor novos regulamentos técnicos para os Rally1.

As duas formações competirão como TOYOTA RACING, que estreará o GR Celica Rally1 e devolverá ao Mundial um dos nomes mais icónicos da história da marca nos ralis, e como GAZOO Racing TOYOTA, que alinhará com o novo GR Yaris Rally1. Ambas serão candidatas iguais à vitória, trabalharão sob o mesmo tecto e terão carros com idêntica potência e desempenho, num modelo que prevê até seis viaturas oficiais por prova. A homologação deverá estar concluída antes do final do ano e, entretanto, a equipa terminou seis dias de testes de simulação de rali nas florestas do centro da Finlândia com o protótipo de 2027.
O ponto de partida é sólido. Em 2026, a TGR-WRT conquistou o sexto título consecutivo de construtores, igualando o recorde, com as cinco duplas oficiais a vencerem mais do que um rali. No campeonato de pilotos, Elfyn Evans impôs-se na última classificativa da temporada, por apenas cinco pontos de diferença para Oliver Solberg e seis para Sami Pajari. O título chegou ao galês depois de cinco segundos lugares. E tem sotaque português nos bastidores: o engenheiro do actual campeão do mundo é Rui Soares.

Evans, que forma dupla com o co-piloto Scott Martin, lidera a TOYOTA RACING na oitava época consecutiva ao serviço da marca. “Foi muito especial conseguir finalmente o título mundial depois de termos estado perto algumas vezes. Estou muito feliz por iniciar a oitava temporada com a TOYOTA numa nova era”, afirmou. O galês avisa que o novo carro “será muito diferente daquilo a que estamos habituados”, pelo que “há trabalho pela frente para todos” se quiserem tirar dele o máximo partido.
A seu lado estarão dois jovens ambiciosos. O sueco Oliver Solberg, com o co-piloto Elliott Edmondson, foi vice-campeão na primeira época completa na equipa, com três vitórias e mais classificativas ganhas do que qualquer rival, depois de ter conquistado o WRC2 em 2025. “Foi uma época de montanha-russa, com altos incríveis e alguns momentos difíceis, mas lutar pelo campeonato até ao fim foi algo especial”, resumiu. Já o finlandês Sami Pajari, com Marko Salminen, terminou em terceiro, com três vitórias e nove pódios em 13 provas. “Mostrámos que podemos ser competitivos em muitos tipos de ralis, e isso dá-me boa confiança para o futuro”, disse.

Na GAZOO Racing TOYOTA, o grande regresso é o de Ott Tänak e Martin Järveoja, sete anos depois do título mundial de 2019 com o Yaris WRC. Na anterior passagem pela marca, a dupla estónia venceu dez rondas em duas temporadas. “Sinto-me honrado por voltar à equipa com a qual o Martin e eu fomos campeões do mundo. Tenho muito respeito pelas pessoas e pelo que conseguiram”, afirmou Tänak.
Ao lado do estónio estará Takamoto Katsuta, com Aaron Johnston, que em 2026 venceu pela primeira vez no WRC, no Quénia e na Croácia, e se tornou o primeiro japonês a liderar o campeonato. “Ainda tenho um objectivo maior: lutar por um título mundial”, assegurou. O terceiro nome é o de Kalle Rovanperä, que regressa com Jonne Halttunen para uma temporada parcial, depois de um ano afastado. O finlandês, que em 2022 se tornou o mais jovem campeão do mundo de sempre e repetiu em 2023, garante que “esta equipa sempre foi como uma família” e que, de certa forma, “nunca senti que tinha saído”. A flexibilidade deste programa pode ainda abrir portas a outros nomes, como Sébastien Ogier, nove vezes campeão do mundo e que continua na família GAZOO Racing.
Para os adeptos portugueses, a notícia tem um sabor agridoce. O Rali de Portugal, previsto para 13 a 16 de Maio, ficou fora do calendário de 2027, que terá 15 provas e no qual entram os Estados Unidos e a Escócia; o Automóvel Club de Portugal já iniciou conversações para o regresso em 2028. Ainda assim, o país não sai de cena no universo Toyota. O japonês Takumi Matsushita, do programa GR WRC Challenge, venceu em 2026 o Rali Terras d’Aboboreira ao volante de um GR Yaris Rally2: “Ganhar em Portugal deu-me muita confiança”, recordou. Em 2027, ele e o estónio Jaspar Vaher farão um programa alargado de provas do WRC na Europa e no Japão.
Sem Rali de Portugal em 2027, resta aos portugueses seguir à distância uma temporada que promete ser imprevisível, com a vantagem de ter um português a trabalhar ao lado do campeão do mundo.

