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O Dakar está de volta: Algarve dá a partida ao rali mais duro do mundo

Vinte anos depois, a caravana volta a instalar-se em Portugal. Prólogo e primeira etapa, abertos ao público, juntam Loulé e o Baixo Alentejo antes da travessia para Marrocos.

Vinte anos depois da última partida em solo nacional, o Rali Dakar volta a Portugal. Foi hoje apresentado, na sede do Automóvel Club de Portugal (ACP), em Lisboa, o figurino da edição de 2027, que arranca no Estádio Algarve, em Loulé, e segue depois para Marrocos, numa solução de recurso que acabou por se transformar numa verdadeira festa para o todo-o-terreno português.

Armando Marques, David Castera, Carlos Barbosa e Ni Amorim

A sessão, que reuniu jornalistas e alguns pilotos no Salão Nobre do ACP, foi aberta pelo presidente do clube, Carlos Barbosa, que revelou os bastidores da operação. “Quando me apercebi que a situação na Arábia Saudita estava cada vez mais complicada, pensei que esta podia ser uma oportunidade para trazermos o ‘Dakar’ novamente até Portugal e pedi à Marta Barbosa, directora de marketing do ACP, que contactasse a Amaury Sport Organization nesse sentido. A verdade é que esses contactos resultaram naquilo que agora estamos a tornar público”, contou.

A mudança foi forçada pelo agravamento da situação de segurança no Médio Oriente, que levou a organização, a ASO, a retirar a prova à Arábia Saudita, onde se disputa desde 2020. A transferência é excepcional e a prova regressa ao território saudita em 2028, para celebrar a 50.ª edição. Antes de chegar a esta solução, a ASO terá ponderado um rali mais curto, de apenas oito etapas e inteiramente em Marrocos, proposta que a generalidade das equipas rejeitou. O regresso a Portugal, como a Todo Terreno e a PressXL News foram noticiando em primeira mão, foi a última opção em cima da mesa.

E os números mostram que a aposta tem tudo para resultar. “O acampamento desta edição terá cerca de 3200 pessoas, entre as quais 140 concorrentes em moto, que esgotaram o número limite estabelecido por nós logo em Julho”, revelou o director da prova, David Castera. As inscrições ainda não fecharam e há espaço para mais algumas equipas, somando-se à centena confirmada nos automóveis, aos 35 inscritos em camiões e a quase 90 nos clássicos. Quanto a equipas portuguesas, Castera ainda não tem informação sobre se a partida de Loulé já atraiu mais algumas. Na sexta-feira, a organização falava em 350 inscritos, número que as contas de hoje já ultrapassam.

O programa em Portugal está desenhado em torno do Estádio Algarve, entre Loulé e Faro, onde a caravana se instala a 5 de Janeiro para três dias de verificações técnicas e administrativas e para os testes privados de várias equipas. O ACP ficará responsável pelas verificações, pelo pódio de partida, pelo prólogo, marcado para sábado, 9 de Janeiro, e pela primeira etapa, que no domingo, dia 10, leva os concorrentes do Algarve até ao Baixo Alentejo. Seguem-se Algeciras, numa rápida ligação por terras espanholas, e a travessia marítima para Nador, no leste da costa mediterrânica de Marrocos. As datas dependem ainda da aprovação do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA.

Boas notícias para quem gosta de ver os carros e as motas de perto: Carlos Barbosa confirmou à Todo Terreno que tanto o prólogo como a primeira etapa serão acessíveis ao público, “com todas as medidas de segurança salvaguardadas e zonas específicas para que possam assistir à passagem da caravana”.

Já em Marrocos, a 11 de Janeiro, uma etapa de ligação aproxima o pelotão do deserto até Bouarfa, o primeiro de cinco acampamentos em redor dos quais se disputam as 11 etapas marroquinas. Os concorrentes descem depois até Zagora e seguem para Agadir, onde, concluída a sexta etapa, ficam 24 horas de descanso. Segue-se uma ronda até Smara, em pleno Sahara, onde fica o último grande acampamento. A oitava etapa vai ainda mais a sul, junto à costa atlântica, nas imediações de Dakhla, mas só os concorrentes lá chegam, acampando num “refúgio”, no intervalo de uma etapa maratona. A penúltima etapa sobe de Smara a Marraquexe, onde a 23 de Janeiro se disputa a etapa final e se realiza a cerimónia de chegada.

O percurso total é de 7.824 quilómetros, 4.341 dos quais cronometrados, e Castera avisa que será um Dakar “sem concessões”. O director da prova fez questão de sublinhar, na apresentação feita na sexta-feira, que, “apesar do pouco tempo de que dispusemos, concebemos um verdadeiro Dakar”. Quem conhece as pistas marroquinas não duvida, e uma das fontes ouvidas pela Todo Terreno resume o ambiente com humor: “aqueles que se queixavam que o percurso da Arábia Saudita era duro, agora vão descobrir o que são etapas duras!”. A prova abre os Mundiais de rali-raid da FIA e da FIM e será acompanhada pelo Dakar Classic e pelo programa Mission 1000.

Para os portugueses, o regresso tem sabor a reencontro. Lisboa foi ponto de partida em 2006 e 2007 e preparava-se para a terceira saída consecutiva quando o Lisboa-Dakar de 2008 foi cancelado na véspera do arranque, por ameaças à segurança na Mauritânia. A prova mudou-se então para a América do Sul, onde ficou de 2009 a 2019, e em 2020 instalou-se na Arábia Saudita. Em Janeiro, o Algarve voltará a ser o centro do mundo do todo-o-terreno, e há muito que não se via uma partida com tanto entusiasmo à sua volta.

Por: Alexandre Correia, Todo Terreno / PressXL News

DataEtapaPercursoEspecial (km)Total (km)
9 JanPrólogoLoulé/Faro → Loulé/Faro29129
10 JanEtapa 1Loulé/Faro → Loulé/Faro100300
11 JanLigaçãoLoulé/Faro → Bouarfa—590
12 JanEtapa 2Bouarfa → Bouarfa390490
13 JanEtapa 3Bouarfa → Bouarfa410490
14 JanEtapa 4Bouarfa → Zagora490750
15 JanEtapa 5Zagora → Zagora365540
16 JanEtapa 6Zagora → Agadir365760
17 JanDia de descansoAgadir——
18 JanEtapa 7Agadir → Smara500790
19 JanEtapa 8Smara → Refúgio (bivaque)355525
20 JanEtapa 9Refúgio (bivaque) → Smara390625
21 JanEtapa 10Smara → Smara470560
22 JanEtapa 11Smara → Marraquexe4551.035
23 JanEtapa 12Marraquexe → Marraquexe22240
Total4.3417.824