A Lancia revelou hoje as primeiras imagens do novo Gamma, o modelo que representa não apenas o topo da sua gama, mas também um momento simbólico para uma marca que apostou tudo numa segunda vida. Concebido, projetado e desenvolvido integralmente em Itália, o novo Gamma chega ao mundo precisamente no ano em que a Lancia celebra o seu 120.º aniversário — e também os 50 anos do Gamma original, apresentado em 1976. O timing não é coincidência; é declaração de intenções.

Os primeiros veículos de pré-produção já iniciaram testes em estrada, sinal de que o projeto entrou na sua fase final antes da estreia comercial, prevista para depois do verão. A abertura das encomendas está prevista para o período pós-verão, e novos detalhes serão divulgados nos próximos meses.
O novo Gamma assenta na plataforma STLA Medium da Stellantis — a mesma arquitetura que serve de base ao Peugeot E-3008 e ao Opel Grandland — e é produzido na fábrica de Melfi, na região da Basilicata. O Gamma ficará tecnicamente muito próximo de outras propostas da Stellantis, como o DS Nº8 e o futuro Nº7, com quem partilhará o local de produção. Mas distingue-se pela amplitude da oferta de motorizações: ao contrário do DS Nº8, disponível apenas como eléctrico, o Gamma abraça uma estratégia multi-energia que vai do híbrido ao 100% elétrico.
Em termos de forma, o Gamma apresenta-se como um crossover fastback — uma silhueta que cruza a presença em estrada de um SUV com a elegância aerodinâmica de uma berlina de linhas fuseladas. Com 4,67 metros de comprimento, 1,89 metros de largura e 1,66 metros de altura, o seu perfil distingue-se pela capota que se afila progressivamente em direção à traseira. Os puxadores das portas dianteiras são integrados nas portas, há entradas de ar no para-choques frontal com formato aerodinâmico, e o para-choques traseiro prolonga a linguagem aerodinâmica do conjunto. A novidade está na repetição do motivo do cálice na traseira — um elemento que, no Pu+Ra e no Ypsilon, estava apenas presente na dianteira.

A gama de motorizações é uma das propostas mais diversificadas do segmento. Na base, uma versão híbrida de 145 CV com uma autonomia superior a 1.000 km. A partir daí, a Lancia apresenta três variantes 100% elétricas: uma versão de entrada com 230 CV e mais de 540 km de autonomia; uma variante de 245 CV que ultrapassa os 740 km com uma única carga; e, no topo, uma versão de tração integral (AWD) com 375 CV e autonomia até 675 km — a configuração mais desportiva, com a insígnia HF Integrale a ser esperada para os modelos Gamma e Delta.
Luca Napolitano, Diretor Executivo da Lancia, foi claro sobre o significado do modelo: “Ao produzi-lo na histórica fábrica de Melfi, estamos a reforçar a nossa ligação ao rico património automóvel italiano e a avançar com a nossa visão de um futuro electrificado. O Gamma mostrará o melhor do que a Lancia representa: inovação, estilo e uma busca incessante pela excelência.” Napolitano acrescentou ainda: “O novo Lancia Gamma representa um marco na nossa viagem em direção ao futuro. Ele incorpora o compromisso da nossa marca com a sustentabilidade e o alto desempenho, ao mesmo tempo que celebra a elegância inconfundível que definiu a Lancia durante décadas.”

A produção em Melfi não é um detalhe menor. É um símbolo. Num mercado automóvel cada vez mais dominado por plataformas globais e montagem transfronteiriça, a Lancia escolheu fazer do “Made in Italy” um argumento central — da conceção à entrega. O Gamma é fabricado no mesmo país onde nasceu, onde foi desenhado e onde foi “engenheirado”.
Com 119 anos de história e um plano estratégico a dez anos em marcha acelerada, a Lancia percorreu um caminho que passou pelo relançamento do Ypsilon em 2024, pelo regresso às competições nos ralis, e chega agora ao seu modelo mais ambicioso. O Gamma não é apenas um automóvel novo. É a prova de que o renascimento é real.

