Depois de quebrar um jejum de dois anos no IMSA, o piloto de Coimbra mergulha em dois dias de testes na Florida para chegar com todas as armas às 24 Horas de Daytona 2027
Ainda a poeira de 2026 mal assentou e Filipe Albuquerque já tem Daytona na cabeça. O piloto de Coimbra e o norte-americano Ricky Taylor passaram os últimos dias no traçado da Florida ao volante do Cadillac V-Series.R da Wayne Taylor Racing (WTR), dando o pontapé de saída na preparação para a temporada de 2027 do IMSA WeatherTech SportsCar Championship e, claro, para as prestigiadas 24 Horas de Daytona.

Foram dois dias inteiramente dedicados a testes em pista, com a dupla luso-americana a acumular um elevado número de voltas e a recolher dados preciosos sobre a performance geral do carro. O grande foco esteve na suspensão do Cadillac, que recebeu evoluções e cujo comportamento Albuquerque e Taylor estudaram ao pormenor, afinando e optimizando a configuração para as particularidades do traçado americano. “Foram dois dias de trabalho extremamente produtivos e fundamentais para a nossa preparação com o Cadillac”, resumiu Albuquerque. “Somámos muitas voltas e focámo-nos em compreender em detalhe o comportamento da evolução que a suspensão sofreu, afinando cada parâmetro para retirar o máximo rendimento do carro.”
O trabalho tem tanto de técnico como de simbólico. Para o #10 da WTR, 2026 foi um ano exigente: o próprio piloto chegou a classificar a primeira metade da época como “brutal”, numa equipa que não vencia desde Detroit, em 2024. A reviravolta chegou a 2 de Agosto, em Road America, onde Albuquerque e Taylor ganharam as Seis Horas, quebraram um jejum de dois anos e ofereceram à WTR a primeira vitória ao volante do Cadillac. “Foram dois anos de uma dureza indescritível e esta vitória surge quando menos esperava”, confessou então o português.
O próximo capítulo escreve-se já em Dezembro, quando a equipa regressar ao circuito de Daytona para uma nova sessão de testes, desta vez a partilhar o asfalto com as rivais. “Vai ser um teste com uma dinâmica diferente: todos vão estar atentos aos tempos e ao ritmo uns dos outros, mas também sabemos que nesta fase todos escondem um pouco do seu verdadeiro jogo”, antecipa o piloto. E remata: “O objectivo passa por continuar a evoluir para chegarmos na máxima força às 24 Horas de Daytona.”
Se há pista onde Albuquerque se sente em casa, é esta. Prepara agora a sua 14.ª época no IMSA, um percurso que começou em 2013, quando se estreou nas 24 Horas de Daytona, na categoria GT, e venceu logo à primeira. Voltou a levantar o troféu na Florida em 2018 e 2021, desta vez na classificação absoluta, e em 2020 juntou à colecção o triunfo em LMP2 nas 24 Horas de Le Mans e o título mundial de resistência (WEC) na mesma classe.
Com um Cadillac cada vez mais afinado, a confiança de uma vitória fresca e um português que conhece Daytona como poucos, é caso para perguntar: estará o melhor ainda para vir?

