As sempre desafiantes curvas da Rampa Porca de Murça, ao longo dos 4.200 metros do exigente traçado transmontano voltam a assumir-se como o cenário perfeito para o arranque da temporada 2026 do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group.
O programa desportivo da Rampa Porca de Murça inclui seis subidas, distribuídas entre treinos e subidas oficiais ao longo de dois dias. No sábado, 28 de março, realizam-se três subidas: a 1.ª de treinos às 10h00, a 2.ª de treinos às 12h30 e a 1.ª subida oficial, agendada para as 14h30. No domingo, 29 de março, completam-se as restantes três subidas, com a 3.ª subida de treinos às 10h00, seguida das duas decisivas subidas oficiais: a 2.ª às 12h30 e a derradeira, às 14h30.
E a época arranca sob enorme expectativa, até porque, desde que a APPAM e os clubes organizadores avançaram com um modelo de promoção conjunto, o campeonato tem conhecido um crescimento sustentado e consistente. Cresceu em visibilidade mediática, cresceu em notoriedade junto do público – que já ultrapassa, de forma consistente, a fasquia dos 500 mil espectadores ao longo das oito provas – mas, acima de tudo, cresceu em qualidade competitiva. Hoje o Campeonato de Portugal de Montanha é um dos mais fortes a nível europeu, pela quantidade e pela qualidade do parque automóvel.
Murça volta a ser o ponto de partida. Com cerca de sete dezenas de participantes inscritos, a prova organizada pelo CAMI Motorsport apresenta uma lista que impressiona não só pelo número, muito sólido para a primeira ronda, mas, sobretudo, pela qualidade dos protagonistas.
Protótipos: hegemonia em causa ou continuidade do domínio?

Se há categoria onde, à partida, se decide a luta pela vitória absoluta, ela é, como habitualmente, a dos Protótipos. E neste arranque de época há uma evidência difícil de contornar: Hélder Silva. O piloto da Power House, pentacampeão nacional absoluto em título, regressa aos comandos da sua Norma FC20 M20FC como o homem a bater. Não apenas na categoria, mas claramente na luta pela vitória à geral. O domínio que tem exercido nos últimos anos na Montanha portuguesa coloca-o num patamar de favoritismo evidente e Murça pode muito bem ser o primeiro passo de mais uma campanha de defesa de título.
Mas se o favoritismo é claro, a oposição é tudo menos simbólica, com o duelo a ganhar contornos de verdadeiro confronto entre estruturas. De um lado, a Power House, com Hélder Silva e um cada vez mais competitivo Nuno Caetano, que aos comandos da Osella PA2000 EVO2 tem vindo a mostrar uma evolução muito consistente e assume ambições claras de se intrometer na luta pelos primeiros lugares. Do outro, a JC Group Racing Team, liderada por José Correia, que volta a apostar na Osella PA.30 e que, pela progressão evidenciada, surge como o principal opositor direto ao campeão. A acompanhar, Carlos Gonçalves, em Osella PA21/S, é mais um nome a ter em conta numa categoria onde o pódio promete ser altamente disputado.
Já entre os Protótipos B, o cenário é de incerteza total. Nuno Guimarães, em SilverCar S2, e Sérgio Nogueira, em SilverCar S3, trazem experiência e consistência, mas terão pela frente o jovem Tomás Pinto, em BRC CM 05 EVO, que em 2025 mostrou capacidade para discutir vitórias em praticamente todas as provas onde marcou presença. Aqui, tudo pode acontecer.
GT: qualidade, profundidade… e ambição pela geral

A categoria GT apresenta-se, uma vez mais, como uma das grandes atrações do fim de semana. E não apenas pela qualidade individual dos pilotos, mas também pelo nível das máquinas em presença — que, como já se viu no passado recente, podem perfeitamente intrometer-se na luta pela vitória absoluta.
André Fernandes eleva a fasquia competitiva ao apresentar-se com um Porsche 991.2 GT3 R, um carro claramente mais evoluído e com argumentos para discutir a geral.
Mas a oposição é vasta e de enorme qualidade. José Rodrigues, campeão nacional da categoria, surge agora com um Porsche 992 GT3 Cup, numa clara evolução face à época passada. Com o mesmo tipo de máquina estará Carlos Vieira, outro dos nomes a ter em conta nesta luta.
A lista completa-se com Gabriela Correia, Daniel Vilaça e Fernando Rodrigues — todos em Porsche 911 GT3 Cup e ainda com o espanhol Antonio Gutierrez, também em Porsche GT3 Cup. Beatriz Correia deixa os Turismos e aparece em Murça aos comandos de um Porsche 992 GT3 Cup, acrescentando mais um nome à discussão.
Turismos: diversidade, equilíbrio e novas dinâmicas
Nos Turismos, o cenário é de enorme diversidade e equilíbrio. Na divisão Turismo 1, reservada aos carros de tração integral, o confronto coloca frente a frente dois perfis distintos: Luís Silva Jr., em Mitsubishi Lancer EVO, e Parcídio Summavielle, em Ford Fiesta R5, ambos com máquinas capazes de discutir não só a categoria, mas também posições relevantes na classificação geral.
Na divisão Turismo 2, o equilíbrio é total. Daniel Teixeira, em Hyundai Elantra TCR, joga em casa e conhece bem o traçado. Guilherme Silva, em Audi RS3 LMS, dá continuidade a um projeto competitivo sólido. Paulo Cardoso, em Cupra TCR, surge igualmente como candidato aos lugares da frente.
Já nos Turismo 3, há uma clara mudança geracional. Aníbal Pinto, em Renault Clio RS, e Marcos Gonçalves, também em Renault Clio, representam a experiência, mas terão pela frente três jovens extremamente competitivos – Nuno Guimarães, André Brás e Ruben Campos – todos aos comandos dos evoluídos Ginetta G40 GT5, que lhes conferem um claro estatuto de favoritos nesta divisão.
Super Challenge: potência, espetáculo e lutas abertas

Na categoria Super Challenge, o espetáculo está garantido. Na SC-A, os “monstros” de tração integral voltam a dominar. O multicampeão Luís Nunes, em Skoda Fabia R5, parte como principal referência da categoria, mas terá forte oposição de José Lameiro, em Skoda Fabia MK3, que terminou 2025 em alta, e ainda de José Pedro Gomes (Opel Astra) e Manuel Rocha e Sousa (Ford Focus).
Na SC-B, a luta promete ser intensa e equilibrada entre Pedro Cardoso (Seat Leon Cupra), Bruno Gonçalves (Volkswagen Golf GTI), João Monteiro (BMW 323i), José Salgado (Mini Cooper S) e Simplicio Taveira (Peugeot 207 RC). Na SC-C, Bruno Carvalho, em Citroën Saxo, defende o título perante um lote muito competitivo, onde se destacam Luís Fernandes (Peugeot 106), Alberto Pereira (Honda Civic), Gonçalo Macedo (Citroen Saxo), Francisco Vieira Leite (Toyota Corolla), Abílio Aparício (Peugeot 205), Pedro Dias (Toyota Corolla), Leandro Macedo (Citroen Saxo) e Nuno Carvalho (Honda Civic) e na SC-D, o duelo é direto: Bruno Gomes, em Fiat Punto, frente a Tiago Teixeira, em Peugeot 106 XSI.
Clássicos, Legends e 1300: tradição viva

Nos Clássicos, Ricardo Pereira, em Ford Escort, é o único representante, mas é nos Legends que se encontra um dos pelotões mais interessantes. O bicampeão António Barros, em BMW E36 M3, inicia a defesa do título perante forte oposição de João Pires (BMW M3), Joaquim Soares (BMW M3), Carlos Alberto Oliveira (Ford Sierra Cosworth) e Filipe Macedo (Citroën Saxo Cup), sem esquecer António Silva (Honda Civic), Carlos Manuel Delgado (Mercedes 190), Miguel Gonçalves (BMW), Mário Barroso (Citroen AX) e José Carlos Magalhães (Mitsubishi Lancer Evo).
Nos 1300, o tricampeão nacional Armando Freitas, em Toyota Starlet, volta a assumir o papel de referência, mas terá pela frente o piloto “da casa” Tiago Santos (Citroen AX Sport), que joga em casa, bem como Salvador Coelho (Toyota Yaris), Rui Monteiro (FIAT Punto), a estreante Beatriz Brás (Citroen AX), Diogo Marques (Citroen C1) e Domingos Fernandes (Autobianchi A112).
Na Taça de Portugal de Kartcross, António Alves (AG AG/S) enfrenta Jesus Otero (AG Sport) e Márcio Araújo (Semog), numa lista ainda curta, mas em crescimento face a 2025. Já na FPAK Junior Team, três jovens – Rafael Jorge, António Lopes e Simão Nunes – alinham agora aos comandos dos Peugeot 108, numa nova fase de um projeto essencial para o futuro da modalidade.
Com um traçado exigente, um pelotão de luxo e múltiplas lutas em aberto, a Rampa Porca de Murça volta a afirmar-se como muito mais do que uma prova de abertura. É o primeiro grande teste e o primeiro capítulo de uma época que promete, desde já, ser memorável.

