A Citroën confirmou o regresso do lendário 2 CV — desta vez eléctrico, fiel ao espírito do original e destinado a democratizar a mobilidade para uma nova geração.
Era uma vez um automóvel que não queria ser ícone — e foi precisamente por isso que se tornou um dos maiores da história. O Citroën 2 CV nasceu em 1948 com uma missão simples e radical: pôr a França sobre rodas. Sem luxo, sem excessos, apenas o essencial. Sete décadas depois, a Citroën anuncia que vai repetir a proeza — com um novo 2 CV concebido para o século XXI: eléctrico, acessível e inevitavelmente desejável.

O anúncio foi feito no âmbito do plano estratégico «FaSTLAne 2030» da Stellantis, o grupo industrial a que a marca pertence. Mais do que uma homenagem nostálgica, a construtora francesa promete uma reinterpretação genuína: um veículo que beba do espírito do modelo original — acessibilidade, leveza, praticidade e um carácter inconfundível nas estradas — mas que responda às exigências da mobilidade moderna, incluindo as novas regulamentações urbanas que progressivamente afastam os motores de combustão dos centros das cidades europeias.
O projecto insere-se no posicionamento que a Citroen tem vindo a consolidar como líder da mobilidade eléctrica acessível. O ë-C3 — o actual carro eléctrico de entrada de gama da marca, já disponível por menos de 20 000 euros em vários mercados europeus — serve de referência imediata a este compromisso. O novo 2 CV ambiciona ir mais longe, contribuindo para o surgimento de uma nova categoria de pequenos veículos eléctricos urbanos que aliem personalidade, praticidade e um preço ao alcance de todos.
“Reinventar o 2 CV do futuro é um desafio e uma responsabilidade imensos. O 2 CV original nunca foi concebido para se tornar um ícone. Tornou-se um ícone porque oferecia mais liberdade às pessoas.” disse Xavier Chardon, CEO da Citroën
As palavras de Xavier Chardon, CEO da Citroën, traçam com clareza a filosofia do Projecto. “O novo 2 CV perpetuará esse espírito — não por nostalgia, mas reinventando a sua simplicidade e acessibilidade para o mundo de hoje. Eléctrico. Essencial. Acessível. Humano. Tal como o modelo original democratizou a mobilidade, o novo 2 CV voltará a encantar a mobilidade eléctrica para uma nova geração, graças a um modelo muito desejável”, declarou o responsável. E concluiu com uma afirmação que sintetiza bem a ambição da marca: “O regresso do 2 CV não é apenas o regresso de um nome lendário. É o regresso de uma ideia ousada e optimista de progresso. Uma ideia profundamente Citroën.”
A marca é explícita quanto à abordagem: o novo modelo será inspirado no espírito do original e não na sua estética. Fiel ao ADN da Citroën — a marca que ao longo de um século nunca teve medo de ser diferente, da tracção dianteira à suspensão hidroneumática, da Traction Avant ao DS —, a ambição é imaginar o ícone do futuro mantendo-se fiel às especificações iniciais do TPV (Toute Petite Voiture), a plataforma conceptual que deu origem ao 2 CV nos anos 40. A verdadeira inovação, recorda a construtora, não está em acrescentar sempre mais, mas em melhorar a vida e concentrar-se no que realmente importa.
O contexto de mercado apoia claramente esta aposta. Em toda a Europa, os consumidores sentem a pressão crescente das zonas de baixas emissões e o peso dos preços dos combustíveis, ao mesmo tempo que os veículos eléctricos acessíveis continuam a escassear. A Citroën coloca-se, assim, na linha da frente de uma tendência que várias construtoras têm tentado — com dificuldade — traduzir em produto real e competitivo. O novo 2 CV poderá representar exactamente isso: um ponto de entrada genuíno na mobilidade eléctrica, sem concessões à identidade nem ao prazer de conduzir.
Os detalhes técnicos — autonomia, preço, data de comercialização — permanecem, por ora, em segredo. A Citroën anunciou que será no Salão Automóvel de Paris, em Outubro de 2026, que revelará mais informações sobre este Projecto. A antecipação já é considerável: basta recordar que o conceito Oli — apresentado em 2022 e precursor desta visão — gerou uma onda de entusiasmo global que confirmou que o apetite pelo regresso do 2 CV era muito mais do que mera saudade. Era um pedido real do mercado.
Em 1948, o 2 CV custava o equivalente a 25 salários mínimos franceses e ainda assim vendeu milhões. A Citroën sabe que o desafio de hoje não é menor — tornar a electromobilidade verdadeiramente popular num mercado dividido entre o entusiasmo e a hesitação. Se o novo 2 CV conseguir repetir o feito do avô, a história do automóvel terá um novo capítulo para contar em Paris, neste Outono de 2026.

