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Feito na Europa, para a Europa: o GAC AION UT aterra em Portugal

Lisboa foi hoje palco de uma estreia que promete marcar o calendário da mobilidade eléctrica nacional. No rooftop do IDB Lisbon — Innovation & Design Building —, a GAC apresentou à imprensa portuguesa o AION UT, o seu novo compacto 100% eléctrico, num lançamento que resume bem a ambição desta marca chinesa no Velho Continente: chegar para ficar, e fazê-lo com credenciais inequivocamente europeias.

O lema é claro e repetido como um manifesto: “Na Europa, para a Europa.” Não se trata de uma simples declaração de intenções. A GAC estabeleceu sede europeia em Amsterdão, instalou armazéns, centro de peças e plataforma logística em Roterdão, e garante que praticamente qualquer ponto da Europa pode ser abastecido em menos de 24 horas. Uma infra-estrutura que transforma o discurso em operação concreta.

Por detrás do projecto está também uma rede de parceiros que confere solidez industrial à proposta. A Magna, gigante austríaca da produção automóvel que já fabrica modelos como o Toyota Supra e o Mercedes-AMG Classe G, é responsável pela montagem do AION UT na sua fábrica de Graz. A Bosch, um dos maiores fornecedores da indústria, integra a cadeia de valor do modelo.

O design, por sua vez, nasceu em Milão. O GAC Advanced Design Centre, instalado no icónico distrito de Via Tortona, sob a liderança de Stéphane Janin, quadro com currículo construído junto de marcas como a Renault e a Infiniti. Janin reuniu uma equipa internacional que quis conciliar a estética europeia com a identidade própria da marca. O resultado é um hatchback familiar com 4,27 metros de comprimento — praticamente as mesmas dimensões do Volkswagen ID.3 — dotado de uma silhueta contemporânea e de um elemento de estilo que a própria marca destaca: os primeiros faróis do mundo com um design inspirado nas sobrancelhas. Thomas Schemera, responsável pela área de design da GAC, sintetiza a filosofia: “Ao potenciar a produção através do design, pretendemos oferecer produtos com um design excepcional, qualidade de topo e tecnologia pioneira — criando, em última análise, melhores experiências de mobilidade para os consumidores europeus.”

Apesar da categoria compacta, o AION UT recusa compromissos no que toca ao espaço. A distância entre eixos de 2.750 mm traduz-se numa habitabilidade interior comparável à de uma berlina de segmento médio, e a bagageira oferece 440 litros de capacidade — suficientes para responder às exigências do quotidiano familiar. O cockpit é dominado por um ecrã central táctil de 14,6 polegadas, complementado por um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas. De série chegam ainda Android Auto e Apple CarPlay, bancos dianteiros e volante aquecidos, faróis LED e câmara de visão panorâmica.

Sob o chão, uma bateria LFP de 60 kWh assegura uma autonomia WLTP de até 430 quilómetros — uma referência competitiva no segmento. O carregamento em corrente alternada suporta até 11 kW, enquanto em corrente contínua o modelo aceita até 87 kW, permitindo passar dos 30% aos 80% de carga em apenas 24 minutos. O AION UT dispõe ainda de função V2L (Vehicle to Load), que permite alimentar equipamentos externos directamente a partir da bateria do carro — uma versatilidade cada vez mais valorizada pelos utilizadores.

A garantia é um dos argumentos mais fortes da proposta comercial: oito anos ou 200.000 km, tanto para o veículo como para a bateria. Um compromisso que a marca assume como sinal de confiança na durabilidade da tecnologia que coloca na estrada.

A produção na Áustria é um elemento central da estratégia europeia da GAC. Ao montar o veículo localmente com a parceira Magna Steyr, a empresa não só encurta as cadeias de abastecimento, como também evita as tarifas aduaneiras da União Europeia aplicáveis aos eléctricos fabricados na China, que podem acrescentar entre 20% e mais de 40% ao custo de importação.

Mas há um segmento de mercado onde o AION UT pode revelar-se particularmente irresistível: o dos operadores TVDE. A distância entre eixos de 2.750 mm garante uma habitabilidade traseira generosa, fundamental para o conforto dos passageiros em viagens urbanas, enquanto a autonomia em ciclo urbano pode atingir os 622 quilómetros — um número que elimina a ansiedade de range durante um turno completo de trabalho. A estes argumentos junta-se uma equação fiscal que torna o investimento ainda mais apetecível para uso empresarial. O valor de aquisição de 28.203 € com IVA, uma vez deduzido esse imposto — integralmente recuperável por ser um veículo eléctrico afecto à actividade —, desce para 22.929 € de custo efectivo. Acresce a isenção total de ISV e de IUC, bem como a ausência de tributação autónoma em IRC, encargo que nos veículos a combustão pode atingir 35% do custo de aquisição. Amortizado ao longo de quatro anos à taxa de 25%, o veículo permite deduzir cerca de 5.732 € anuais ao lucro tributável, gerando uma poupança fiscal em IRC de aproximadamente 1.204 € por ano. No total, e após o efeito fiscal da depreciação, o investimento líquido real para a empresa ronda os 18.114 € — um número que coloca o AION UT numa posição muito difícil de ignorar para quem opera profissionalmente na mobilidade urbana.

Em Portugal, as primeiras unidades estão previstas para o Verão, com um preço de entrada de 26.560 euros com IVA incluído, a que acrescem as despesas de transporte e preparação. O AION UT posiciona-se assim como uma alternativa acessível e espaçosa face a nomes estabelecidos como o Volkswagen ID.3 e o MG4, numa altura em que o mercado nacional de eléctricos continua em crescimento e os compradores procuram cada vez mais proposta de valor real, e não apenas promessas.

O AION UT é o segundo modelo da gama eléctrica AION a chegar à Europa, depois do SUV AION V, e chega simultaneamente a Portugal, Finlândia, Grécia e Polónia, com outros mercados europeus previstos para o terceiro trimestre. Para a GAC, Lisboa não foi apenas mais uma paragem de lançamento — foi o palco escolhido para mostrar que a sua aposta europeia é, desta vez, para levar a sério.