Exaustivamente desenvolvida nos territórios mais inóspitos da Austrália, a Ford Ranger Super Duty expande-se até à Europa e apresenta-se como uma pick-up única, apta a ir ainda mais além do que esperamos de um destes 4×4. Foi reforçada a todos os níveis, para superar mesmo as dificuldades mais extremas!…

A Ford acaba de lançar na Europa a Ranger Super Duty, aquela que descreve como a pick-up mais robusta que alguma vez construiu sob este nome. Não se trata de uma simples atualização: é uma reconfiguração profunda de um veículo que já domina o segmento há onze anos consecutivos, com quase metade de todas as pick-ups vendidas no continente a ostentar o emblema Ford na grelha.
O nome Super Duty não é uma novidade no mundo — é há décadas a designação das pick-ups mais robustas da Ford na América do Norte, e chegou recentemente à Austrália, Nova Zelândia, Tailândia e, em breve, à África do Sul. A chegada à Europa representa, porém, uma estreia absoluta. Kyle Shearer, engenheiro-chefe do segmento da Ford Ranger na Europa, explica a razão: “Estamos em contacto permanente com clientes atuais e clientes potenciais, e os seus comentários convenceram-nos de que existia um mercado para a Ford Ranger Super Duty na Europa.”

O perfil de cliente visado é muito específico: operadores em setores como a mineração, os serviços de emergência em zonas remotas, a defesa ou a silvicultura intensiva — indústrias que exigem aos veículos o limite absoluto das suas capacidades. Até agora, esses utilizadores tinham de investir tempo e dinheiro consideráveis em modificações e upgrades dos seus veículos. A Super Duty propõe-se a eliminar esse esforço com uma solução de fábrica capaz de transportar e rebocar aproximadamente mais uma tonelada do que uma Ranger convencional — o que a Ford assume abertamente como a criação de um novo segmento de mercado na Europa.
Uma Ranger por dentro, uma besta por baixo
A silhueta reconhecível não engana quanto à profundidade das alterações de engenharia. O chassis é mais espesso, os eixos de transmissão e suspensão foram reforçados, e o eixo traseiro é o mais resistente já montado numa Ford Ranger. O suporte da barra de reboque e os engates foram igualmente reforçados, e o padrão de cubo de roda passou para oito parafusos, de maior dimensão, para suportar o acréscimo de peso.

O motor turbodiesel V6 de 3,0 litros, associado a uma caixa automática de dez relações, foi recalibrado para responder melhor a cargas pesadas e à condução todo-o-terreno prolongada. A refrigeração aumentou 25%, e a capacidade do depósito de combustível subiu para 130 litros de série — fundamental para operações em zonas remotas, onde o veículo pode ter também de alimentar ferramentas e equipamentos de trabalho.
Ao nível das capacidades off-road, a blindagem inferior passou a ser em aço de alta resistência, as aberturas de ventilação da transmissão e dos diferenciais foram elevadas para afastá-las da água e da areia, e a capacidade de passagem a vau atingiu os 850 mm, com uma distância ao solo próxima dos 300 mm. Novos diferenciais dianteiros e traseiros com bloqueio eletrónico e uma caixa de transferência de duas velocidades completam o pacote. Como sublinha Shearer: “O nosso objetivo ao longo de todo o processo de desenvolvimento foi garantir que a Ford Ranger Super Duty pudesse ir a qualquer lugar onde uma Ford Ranger padrão pudesse ir, transportando ao mesmo tempo mais de 1.000 kg de carga adicional.”
Apesar de tudo isto, o interior permanece o de uma Ranger premium: bancos aquecidos, touchscreen SYNC de 12 polegadas, sistemas de assistência ao condutor e de segurança ativa. “Não é como conduzir uma escavadora”, garante Shearer.
Testes levados ao extremo — literalmente

Para merecer o nome Super Duty, a Ford teve de inventar testes que nunca antes existiam. Um deles consistiu em conduzir repetidamente através de uma poça de lama até acumular 600 kg do material nas cavas das rodas, exigindo que a pick-up continuasse a funcionar normalmente. Os testes de durabilidade em estradas degradadas, realizados vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, foram tão violentos em termos de vibração e impacto que robôs tiveram de substituir os condutores humanos em parte das sessões — os níveis registados ultrapassavam o que o corpo humano consegue suportar.
Grande parte dos testes decorreu na Austrália, cujos ambientes extremos e cultura de utilização intensa de pick-ups a tornam o laboratório natural para este tipo de desenvolvimento. A equipa de engenharia chegou a contar as 797 dunas de areia numa rota de 590 quilómetros no deserto australiano — e depois repetiu o percurso várias vezes, só para ter a certeza dos dados recolhidos.
Tecnologia ao serviço de quem trabalha
A Super Duty é a primeira Ford Ranger equipada com balanças integradas e Smart Hitch: o sistema mostra no ecrã SYNC a carga útil em tempo real e ajuda o condutor a equilibrar o peso do reboque para maior estabilidade. O Pro Trailer Backup Assist permite fazer marcha-atrás com um reboque através de um simples comando na consola central — uma funcionalidade especialmente útil em espaços confinados e operações no terreno.

Pensando nos transformadores — empresas especializadas que adaptam veículos de base para funções específicas, como plataformas elevatórias ou veículos de bombeiros todo-o-terreno —, a Ford integrou seis interruptores auxiliares pré-instalação de cabos na cabina, um suporte para dispositivos integrado, e agrupou os sensores e câmaras de assistência ao condutor numa única barra traseira, minimizando obstruções e trabalhos de instalação elétrica nas conversões.
A Ford Ranger Super Duty chega assim à Europa não como um produto de nicho improvisado, mas como uma proposta de engenharia concebida de raiz para os utilizadores profissionais mais exigentes — aqueles para quem o veículo não é um meio de transporte, mas uma ferramenta de trabalho que não pode falhar.

