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Um segundo de glória: Pedro Almeida vence o Rally de Lisboa

Pedro Almeida e António Costa fizeram história no último fim de semana ao vencerem o Rally de Lisboa — a terceira ronda do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) — numa das provas mais equilibradas e emocionantes dos últimos anos. Ao volante do Toyota GR Yaris Rally2 da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, o piloto de Vila Nova de Famalicão conquistou o primeiro triunfo da época com uma margem de apenas 1 segundo para Rúben Rodrigues, num desfecho decidido na última classificativa. Uma vitória ao décimo de segundo, esta que é também a segunda de Almeida em provas do CPR.

O rali, disputado na região de Lisboa, ficou marcado por uma “dança de lugares” quase permanente ao longo de todo o segundo dia. Almeida assumiu a liderança logo na PEC 2, em Tapada de Mafra, e nunca mais a largou — embora a vantagem tenha oscilado constantemente sob a pressão implacável dos adversários. À entrada para a Power Stage de Sintra/Almargem do Bispo, o troço final de 11,14 km, apenas 2,6 segundos separavam o líder do seu perseguidor mais directo. Um cenário de suspense máximo que só os ralis sabem criar.

“Foi um rali muito rápido, que exigiu um nível de concentração muito elevado e sem margem para erros. O carro esteve fantástico e é muito competitivo, o que nos ajuda imenso e dá-nos confiança para atacar a estrada. A nossa estratégia passou precisamente por atacar do início ao fim e manter uma grande regularidade, algo que acabou por ser decisivo para alcançarmos esta vitória. Foi também o nosso primeiro rali com este carro em asfalto, mas adaptámo-nos desde o primeiro momento”, declarou Pedro Almeida após a chegada. Com este resultado, o piloto sobe à liderança do campeonato com 63 pontos, com mais uma prova do que o seu principal adversário Rúben Rodrigues, que venceu as duas primeiras provas, mas só em Castelo Branco fará a sua terceira prova do campeonato. Com esta Vitória de Pedro Almeida, a Toyota reforça também a liderança no campeonato de construtores.

Rúben Rodrigues, piloto açoriano da equipa ARC Sport de Aguiar da Beira, participou na prova sem pontuar para o CPR — uma opção estratégica assumida pela equipa para utilizar o Rally de Lisboa como teste em asfalto antes do Rali de Castelo Branco. Ainda assim, o segundo classificado da geral esteve a um segundo de ganhar. “Foi um excelente rali e um teste muito conseguido. Primeiro perceber, depois pressionar, foi aquilo que fizemos, com um segundo dia muito competitivo, com a vitória a fugir apenas por um segundo e o melhor tempo na Power Stage. Acho que mostrámos as nossas capacidades e, embora sem pontuar para o CPR, foi um rali muito positivo e sem correr riscos. Se existiam dúvidas, ficou confirmado“, disse Rodrigues.

O terceiro lugar da classificação geral — e o segundo no CPR — foi para José Pedro Fontes e Inês Ponte no Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale, numa recuperação extraordinária que ficará nos anais da prova. O veterano piloto viveu um fim de semana carregado de emoção: na sexta-feira recebeu a notícia do falecimento do seu sogro, o que o deixou sem conseguir “encontrar-se” com o carro durante toda a primeira etapa. A equipa trabalhou durante a noite na afinação do Lancia e, no sábado, Fontes reapareceu transformado — chegou a fazer o segundo melhor tempo absoluto na PEC 9 e terminou com o segundo melhor registo na Power Stage, a apenas 0,4 segundos do mais rápido, garantindo ainda três pontos extra. Foi também o primeiro pódio do Lancia Ypsilon Rally2 no Rally de Lisboa. “Começamos o dia em sexto e terminamos no pódio, o primeiro deste projecto. É um orgulho imenso conseguir este resultado logo ao terceiro rali. Tem também um significado ainda mais especial. Quero dedicar este pódio ao meu sogro que nos deixou ontem e com quem tinha um relacionamento de enorme proximidade e muito especial. Acompanhava-me desde os meus 17 anos e apoiou-me muito em momentos muito difíceis da minha vida. Esta é também uma homenagem a ele”, afirmou Fontes, visivelmente emocionado.

Ricardo Teodósio e José Teixeira, ao volante do Citroën C3 Rally2, terminaram no quarto lugar da geral, conquistando o terceiro posto no CPR. Uma prova de evolução crescente para a dupla algarvia, ainda em fase de adaptação ao carro. “Conseguimos evoluir ao longo de toda a prova, melhorar o nosso ritmo e terminar no pódio do CPR, que era um dos nossos objectivos. Ainda estamos numa fase de adaptação ao Citroën C3 Rally2, mas sentimos que estamos a dar passos sólidos na direcção certa”, disse Teodósio.

Gonçalo Henriques e Gonçalo Cunha, do Team Hyundai Portugal, foram talvez os protagonistas da maior reviravolta do fim de semana. O jovem piloto de Vila Nova de Poiares estava em terceiro lugar, a apenas 7,7 segundos da liderança, quando, na penúltima classificativa em Alenquer, fez um “pião” e perdeu 23 segundos, caindo para o quinto lugar. “Até à penúltima classificativa do rali, a luta que travei com o Pedro Almeida e o Rúben Rodrigues foi emocionante. Até aí, foi sempre ao ataque, num ritmo alucinante. Vão ter de contar connosco nas próximas provas, naquele que promete ser um dos mais competitivos e disputados campeonatos da história”, garantiu Henriques.

Armindo Araújo, que iniciou o rali na liderança e tinha mostrado bom ritmo na primeira etapa, acabou por ser a grande desilusão da prova, terminando em quinto no CPR. “Não foi particularmente um rali muito bem conseguido da nossa parte, ainda que tenhamos começado muito bem. Na manhã de hoje não conseguimos ser rápidos o suficiente para nos mantermos na luta pela vitória”, admitiu o piloto de Santo Tirso.

Ainda a registar a estreia de Ricardo Sousa num carro Rally2 — o Škoda Fabia RS Rally2 da ARC Sport —, que prometia muito até um problema na bomba de água, ainda antes da última especial do primeiro dia, o obrigar a parar. Regressou no sábado em super rally e, apesar da penalização de 8 minutos, recolheu indicadores muito positivos. “A diferença é abismal, do dia para a noite, e adorei ter conduzido um carro desta categoria. Apesar de tudo foi uma experiência bastante positiva, que gostaria de voltar a repetir”, confessou Sousa.

Na categoria CPR 2RM (duas rodas motrizes), João Rodrigues dominou de ponta a ponta numa prova que se disputou praticamente no seu “quintal”, conquistando a vitória com margem sobre Danny Carreira. Na jornada inaugural do FPAK Júnior Team, Leandro Costa levou a melhor sobre Guilherme Nunes, depois de dois dos favoritos — Mário Matias e Francisco Fontes — terem abandonado ainda na primeira etapa. O jovem Francisco Fontes, filho de José Pedro, estreou-se com dois segundos lugares consecutivos antes de sair de prova, numa estreia que antecipou muito para o futuro.

A classificação do CPR fica assim: 1.º Pedro Almeida, 63 pontos; 2.º Rúben Rodrigues, 52; 3.º José Pedro Fontes, 48; 4.º Gonçalo Henriques, 45; 5.º Armindo Araújo, 39. A próxima prova é o Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, a 19 e 20 de junho, de novo em classificativas de asfalto.