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Meeke lidera 86 inscritos numa Madeira que promete fogo entre asfalto e emoção

Dentro de uma semana as estradas madeirenses voltam a ferver com a 67ª edição do Rali da Madeira, e a lista de inscrições revelada pelo Club Sports da Madeira já deixa antever um espectáculo à altura da história de uma prova que se realiza ininterruptamente desde 1959. Ao todo são 86 concorrentes, com Kris Meeke a ostentar o número 1 no seu Toyota GR Yaris Rally2, à frente de um lote que junta 25 equipas em RC2 (Rally2 ou R5), cinco em RGT e ainda 22 em Rally4 — números que garantem, em condições normais, cerca de uma hora ininterrupta de espectáculo em cada uma das 15 classificativas do programa.

Kris Meeke e Stuart Loudon

A prova organizada pela estrutura dirigida por Filipe Sousa reúne vedetas internacionais, os protagonistas do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) e os melhores nomes do Regional da Madeira, além de concorrentes fiéis a máquinas de outras eras, caso de Cláudio Nóbrega (Datsun 1200), Miguel Gouveia (BMW E36), José Jarimba (Toyota Starlet) ou Mário Oliveira (Ford Escort RS Mk II), que garantem que a festa se estende por toda a caravana.

A luta pelo CPR chega à ilha em aberto

Depois de cinco provas — Rali Terras d’Aboboreira, Vodafone Rally de Portugal, Rally de Lisboa, Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão —, o Campeonato de Portugal de Ralis tem Rúben Rodrigues na liderança, com 80 pontos, seguido por Pedro Almeida (63) e José Pedro Fontes (48). Rodrigues chega à Madeira com o Toyota GR Yaris Rally2 e o objectivo de “dar continuidade ao que temos vindo a fazer no campeonato nacional e garantir o máximo de pontos”. O piloto da Auto Açoreana, de 41 anos, reconhece a dificuldade do desafio: “é uma prova difícil, em que ainda acuso algum desconhecimento, mas da qual espero levar um bom resultado. A Madeira é sempre difícil, com classificativas muito técnicas e exigentes, mas esperamos ser mais competitivos que em 2025.”

Rubén Rodrigues e Rui Raimundo

Pedro Almeida, segundo classificado e ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, assume um discurso mais cauteloso: “objectivo simples, amealhar pontos para o campeonato. Só podemos pensar no campeonato nacional, não podemos lutar com pilotos que visam especificamente a vitória absoluta.” Com 28 anos e vencedor este ano do Rali de Lisboa, o piloto reconhece que a falta de rodagem recente na ilha pesa contra si.

Já José Pedro Fontes, terceiro no CPR e a estrear um Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale, na Madeira, não esconde ambição maior: “tentar discutir a vitória à geral. Privilegiarei, no entanto, o resultado para o CPR pois é muito difícil discutir o triunfo absoluto tendo em conta o andamento dos madeirenses e estrangeiros.” Fontes, de 50 anos, venceu o Rali da Madeira em 2016, o único triunfo da carreira na prova, e lidera actualmente o campeonato nacional Master.

Mais atrás na tabela, mas com peso na luta pelo pódio da ilha, surgem Pedro Meireles, quinto classificado do CPR, Gonçalo Henriques, de regresso à ilha com o Hyundai i20N Rally2 após a ausência em 2025; Armindo Araújo, sexto no CPR e uma lenda viva da modalidade — sete títulos nacionais absolutos —, que promete “manter a pressão nos nossos adversários”; Ricardo Teodósio, que troca de viatura mais uma vez e espera repetir o bom “feeling” mostrado em Lisboa; e Hugo Lopes, que ambiciona um pódio no CPR com o mesmo Hyundai da época passada, já com “uma boa base de acertos à partida”. O açoriano Henrique Moniz, com Skoda Fabia Rally2 Evo, encara a Madeira como “um sonho concretizado” depois de vir lutando num segundo pelotão do campeonato. A lista conta ainda com a presença de Paulo Neto, Ricardo Filipe e Paulo Caldeira, que fazem parte de um lote de cinco viaturas assistidas pela ARC Sport, a mesma estrutura responsável pela preparação dos Toyota GR Yaris Rally2 de Rúben Rodrigues e de João Silva.

Duas rodas motrizes também têm favoritos

No CPR2, o campeonato de duas rodas motrizes soma já sete provas disputadas e tem João Rodrigues na frente, com 70 pontos, seguido por Hélder Miranda (51) e Pedro Silva (41). É precisamente João Rodrigues quem estreia presença no Rali da Madeira, ao volante de um Peugeot 208 Rally4, com discurso realista: “não penso em ganhar, mas, sim, em andar perto do pódio. Espero um rali difícil, um pouco complicado.” O micaelense Pedro Câmara, também estreante na ilha e líder da Peugeot Rally Cup Ibérica, reconhece que a Madeira será apenas o seu segundo rali em asfalto, mas garante estar “confiantes num bom trabalho”.

João Rodrigues e Bruno Carvalho

Estrangeiros de peso reforçam o cartaz

A presença internacional garante brilho extra ao evento. Kris Meeke, britânico de 47 anos e antigo vencedor no Mundial de Ralis, regressa com o mesmo Toyota GR Yaris Rally2 do ano passado e não esconde a ambição: “não escondo a ambição de ganhar o Rali da Madeira. Tentei bastante o ano passado, mas tivemos um furo.” O piloto reconhece, no entanto, a força da concorrência local: “é difícil bater quem vive na ilha e conhece as estradas. De qualquer forma, o Diego Ruiloba venceu nos dois últimos anos.” O próprio Ruiloba, vencedor consecutivo em 2024 e 2025, integra a lista de inscritos e surge como principal referência a bater.

Giandomenico Basso E Lorenzo Granai

Giandomenico Basso, italiano de 52 anos e vencedor por quatro vezes da prova (2006, 2007, 2009 e 2013), regressa depois de uma ausência de vários anos e assume: “espero fazer uma boa prova. Sabemos que na Madeira o ritmo e os pilotos são sempre muito fortes. Daremos o máximo para sermos competitivos e vencer.” Atual segundo classificado do Campeonato da Europa de Ralis (ERC), onde lidera a competição Master, chega motivado apesar do handicap de vários anos sem pisar as estradas madeirenses.

Regional da Madeira: Miguel Nunes lidera, João Silva em recuperação

No plano regional, o Campeonato de Ralis CORAL da Madeira tem Miguel Nunes na frente, com 113 pontos, à frente de João Silva (103) e de Artur Quintal (67). O rali é aguardado com particular expectativa depois do violento capotamento sofrido por João Silva, líder da geral antes do abandono forçado no Rali da Calheta, na quinta classificativa. O piloto madeirense já garantiu, que não sofreu ferimentos e que os danos no seu Toyota GR Yaris Rally2 foram sobretudo estéticos, confirmando que a sua equipa está a trabalhar “para ter tudo a postos para o Rali da Madeira”, encarando a prova como o momento ideal para retomar a luta pelo título.

Miguel Nunes e João Paulo

Entre os candidatos regionais em maior destaque, Miguel Nunes sonha com “um bom resultado para o campeonato regional” que seja “também um bom resultado à geral”, elogiando o novo traçado, com troços como Ribeiro Frio e Ponta do Pargo. Miguel Caires promete “ir intrometendo a nossa viatura por entre os primeiros lugares”, enquanto Alexandre Camacho, com o Skoda Fabia RS Rally2, admite “tentar andar nos três primeiros lugares”. Já nos RGT, Gil Freitas, em luta com Artur Quintal pelo pódio absoluto do campeonato regional, admite apreensão com o sistema de travagem do seu Alpine A110 RGT+ em troços exigentes como o Ribeiro Frio, e Filipe Freitas assume uma abordagem mais livre de pressão, “de faca nos dentes”, para “dar o máximo de espetáculo possível”.

João Silva e Luis Rodrigues

Um leque de marcas em disputa

Ao nível de máquinas, o pelotão RC2 reúne praticamente todas as marcas de referência dos ralis actuais — Skoda (Fabia Rally2 e R5), Toyota GR Yaris Rally2, Citroën C3 Rally2, Hyundai i20N Rally2 e o mais recente Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale —, enquanto nos RGT a Porsche e a Alpine dominam, com nomes como Filipe Freitas, Gil Freitas ou Paulo Mendes como referências. Nos utilizadores de tracção dianteira, o equilíbrio entre viaturas RC4 promete disputa renhida, com João Rodrigues, Hélder Miranda, Pedro Silva, Sandro Teixeira, Emanuel Martins, Nuno Ferreira, Carlos Ferreira, Tiago Nunes, Pedro Câmara e Martim Nunes a marcarem o ritmo.

Com o CPR, o CPR2 e o Regional da Madeira todos em jogo, e um cartaz que junta lendas do rali europeu, os protagonistas do campeonato nacional e a nata madeirense, o Rali da Madeira 2026 reúne todos os ingredientes para justificar, mais uma vez, o estatuto de clássico incontornável do calendário — e para manter uma ilha inteira a contar as horas até ao arranque.